Os desafios para a adoção do contactless no Brasil

Getty Imagens
Pagamentos por aproximação estão em franca expansão no mundo inteiro, mas no país o QR Code deve levar vantagem

“Pode inserir o cartão” é uma frase com a qual o brasileiro está tão acostumado que faz com que o uso de pagamentos por aproximação, ou contactless, em inglês, ainda cause certo estranhamento na grande maioria dos estabelecimentos do país.

Com limite inicial de R$ 50 reais para transações sem senha, os pagamentos por aproximação são ideais para transações de baixo valor e situações que requerem uma velocidade de pagamento maior para diminuir filas.

O contactless está decolando em mercados desenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, entre 60% e 70% dos pontos de venda já oferecem a tecnologia, segundo pesquisa da Mercator Advisory. No Reino Unido, o número de transações subiu 31% em 2018 e já não é incomum usuários esquecerem suas senhas.

Globalmente, uma de cada cinco transações feitas de forma presencial é realizada agora sem contato, e a pesquisa da Juniper Research calcula que, até 2022, o mercado de contactless terá um crescimento anual de 24%.

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No Brasil, a adoção cresce gradativamente: o número de transações utilizando os pagamentos por aproximação mais do que triplicou entre a primeira e a segunda metades de 2018, passando de 1,7 milhão para 5,8 milhões de um semestre para o outro, segundo a Mastercard.

Os bancos digitais apostam na tecnologia como diferencial na guerra por clientes: os cartões do C6 Bank, que foi lançado este mês, são equipados com a tecnologia de near field communications (NFC) e a função contactless é atualmente utilizado por 30% da base de clientes do banco.

“Vemos um grande potencial nessa tecnologia, porque ela proporciona economia de tempo para o consumidor,” diz Maxnaun Gutierrez, head de produtos e pessoa física do C6 Bank.

“Olhando para nossa base de usuários, percebemos que uma parcela significativa de nossos clientes valorizam a funcionalidade, principalmente no débito”, aponta.

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O caso do C6 confirma um consenso na indústria de que o contactless ainda é uma função que costuma estar no radar de usuários de maior poder aquisitivo ou dos que estão mais em contato com os avanços tecnológicos da indústria.

Existe também a questão do alto custo da emissão dos cartões com tecnologia NFC, que em um cenário de crise se torna pouco atrativa para emissores, diz Carlos Netto, especialista da indústria de pagamentos e CEO da Matera, que desenvolve tecnologia para o setor.

O contactless é uma tendência para o mercado brasileiro, mas Netto destaca que isso não se dará pela tecnologia NFC, que ainda não é integrada a muitos smartphones, e sim pelo QR Code.

“Para que uma transação seja feita via QR Code, basta ter celular com câmera, o que milhares de pessoas já possuem, e apontar para o código”, diz o especialista.

“É muito mais prático, ágil e democrático, visto que agrega também os desbancarizados. Arrisco dizer ainda que temos menos pagamentos NFC via celular do que via cartão, por aproximação”, ressalta.

Enquanto os pagamentos instantâneos são uma realidade em mercados desenvolvidos, o Brasil ainda está em fase de “construção”, diz Netto. O Banco Central estima ter em breve novas diretrizes e um modelo padrão de QR Code, uma previsão que o especialista diz acreditar ser “um tanto otimista”.

“A partir do momento em que a infraestrutura de pagamentos instantâneos estiver disponível, será questão de tempo até esta forma estar inserida no dia a dia de bancos, fintechs, varejistas e da população brasileira.”

 

Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

 

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