O campeão do mundo no Catar 2022 se incorporou como Founder Partner & Strategic Investor à LIBRODEPASES (LDP), uma plataforma tecnológica que desenvolve inteligência artificial aplicada a scouting, valuation de jogadores e execução de transferências. A startup já opera em 21 países e visa construir um “Transfer Operating System” (Sistema Operacional de Transferências) para clubes e agentes.
O mercado global de transferências de jogadores de futebol movimenta mais de US$ 13 bilhões por ano. No entanto, por trás de um dos negócios mais relevantes do esporte profissional, ainda predominam decisões tomadas com informações fragmentadas, pouca visibilidade de mercado e baixa capacidade preditiva. É sobre essa eficiência estrutural que a LIBRODEPASES (LDP) busca construir seu negócio, uma startup argentina de IA aplicada ao futebol que acaba de trazer Paulo Dybala como investidor estratégico e sócio fundador.
A empresa anunciou que o jogador da Seleção Argentina se incorporará como Founder Partner & Strategic Investor, em uma aposta que vai além do aporte financeiro e visa acelerar o posicionamento internacional da empresa no ecossistema global de sports tech.
“O futebol está entrando em uma nova fase onde a tecnologia e a inteligência vão ter um papel cada vez mais importante nas decisões”, afirmou Dybala no comunicado divulgado pela empresa. “O que a LDP está construindo tem potencial para transformar a forma como clubes e agentes entendem o mercado de transferências”.
A aposta na “infraestrutura inteligente” do futebol
Fundada na Argentina, a LDP desenvolve infraestrutura tecnológica baseada em IA para otimizar decisões ligadas ao mercado da bola: desde scouting e detecção de talentos até valuation de jogadores, análise de contexto e execução de operações.
A empresa trabalha atualmente com clubes, agências e federações em 21 países da América Latina e da Europa, e combina modelos proprietários de machine learning, automação de processos, sistemas de recomendação, inteligência de mercado e IA generativa.
“O mercado de transferências movimenta bilhões de dólares todos os anos, mas continua funcionando com níveis enormes de ineficiência. Os clubes e agentes não têm capacidade real de gerir corretamente seu principal ativo: os jogadores”, explicou Juan Cruz Gotta, fundador e CEO da LDP.
Segundo dados compartilhados pela startup, todos os anos são realizadas mais de 24 mil transferências internacionais e mais de 80% das operações acontecem sem um valor de transação claro ou sob condições abaixo do ideal. Nesse contexto, a empresa busca se posicionar como uma plataforma capaz de trazer inteligência de contexto e capacidade preditiva a um negócio historicamente dominado por relações pessoais e assimetrias de informação.
Do SaaS ao “Transfer Operating System”
Um dos aspectos mais ambiciosos do projeto é a sua evolução de um modelo tradicional de software SaaS para o que a empresa define como um “Transfer Operating System”: uma infraestrutura inteligente para a gestão integral do mercado global de transferências. A plataforma visa ajudar clubes e agentes a:
- Identificar jogadores de futebol;
- Avaliar compatibilidade tática e financeira;
- Detectar oportunidades de mercado;
- Otimizar compras e vendas;
- Reduzir riscos;
- Melhorar o timing das decisões;
- Automatizar processos operacionais.
A infraestrutura tecnológica da LDP é montada sobre o Google Cloud Platform, com quem a empresa afirma ter uma parceria oficial. Além disso, a empresa trabalha no desenvolvimento de sistemas autônomos e agentes de IA aplicados ao mercado de transferências.
O novo negócio por trás do futebol
A chegada de Dybala também reflete uma tendência cada vez mais visível na indústria esportiva: o crescimento do sports tech e o desembarque da inteligência artificial em áreas que historicamente ficaram fora da transformação digital.
Enquanto por anos a inovação tecnológica no futebol esteve focada no rendimento físico, análise estatística e rastreamento de jogadores, startups como a LDP buscam construir uma nova camada de inteligência ligada às decisões econômicas e estratégicas por trás do negócio.
“A incorporação de Paulo representa muito mais do que um investidor. Representa alinhamento estratégico, visão global e validação de para onde acreditamos que a indústria está caminhando”, destacou Gotta.
O movimento também mostra como a América Latina começa a se posicionar como um polo emergente de inovação esportiva e desenvolvimento de IA aplicada ao futebol, um mercado onde a Europa historicamente concentrou a maior parte da infraestrutura tecnológica.
Embora a empresa não tenha divulgado valores de faturamento, valuation ou participação acionária do jogador, o anúncio deixa transparecer uma ambição maior: tornar-se a plataforma de inteligência operacional por trás de um dos mercados mais opacos e bilionários do esporte global.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes Argentina