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Angélica Huck: “Não Trocaria Meus 52 Anos Pelos 22”

Com mais de 40 anos de carreira, apresentadora reflete sobre trajetória, os novos projetos na TV e o poder da maturidade

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Pouca gente é tão conhecida quanto Angélica Ksyvickis Huck, um dos destaques da lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil. Ela cresceu sob os holofotes: aos 4 anos, foi eleita a criança mais bonita do Brasil no programa do Chacrinha; aos 12, virou apresentadora na TV Manchete; bombou com o hit Vou de Táxi aos 15; e construiu uma carreira de mais de 40 anos na TV, entre SBT e, principalmente, Globo. “Sou muito realizada por essa história, mas ela não me paralisa.”

Aos 52, seu mais novo programa é o Angélica ao Vivo, no GNT, em que recebe convidados para um jantar regado a música e conversa – um projeto idealizado por ela. “Durante toda a minha vida, fui sendo levada. Nunca pensei no que queria ou não”, diz. Após uma pausa da TV, logo antes da pandemia, refletiu e se viu em um novo momento. “Queria algo diferente de tudo que já tinha feito, com mais propósito. Tinha muita vontade de dar a minha opinião.”

Dessa inquietação nasceram o portal Mina, focado em bem-estar feminino, e os programas 50 & Tanto e 50 & Uns, gravados em sua casa, com convidados como Xuxa, Eliana, Gilberto Gil e Zeca Pagodinho. “Descobri o prazer de criar meu próprio espaço.”

Na era das redes sociais, em que a atenção é disputada, sua voz é ouvida. “E julgada também”, acrescenta. “Esse tempo de TV me trouxe credibilidade. Tudo aquilo em que acredito, eu falo.” Ela usa sua relevância para abordar temas como sexualidade feminina e etarismo, abrir-se sobre abusos que sofreu e narrar experiências com a menopausa. “Não tinha informação, não sabia o que estava acontecendo e os próprios médicos não me falavam.”

Angélica quer continuar abrindo conversas e caminhos, pensando nas próximas gerações. “A Eva me transformou numa feminista mais ativa”, afirma. Em 2020, lançou um programa em forma de cartas à filha caçula sobre o que é ser mulher hoje.

Ela sabia que a maternidade seria um divisor de águas. “Quando meus filhos nasceram, abri mão do trabalho por 10 anos.” Depois da terceira e última licença, decidiu não voltar para o programa Video Game. “Não falava ‘não’ com facilidade. Aquilo foi realmente das vísceras, amor incondicional.” Gostaria de ter dito mais nãos na vida. “O sim esconde a verdade. Todos os nãos que consegui verbalizar me colocaram frente à minha verdade. Foram poucos, mas bons.”

Uma vida de exposição, submetida às opiniões alheias e a padrões de beleza inatingíveis, deixou marcas. “Nunca vou me livrar disso. Está nos meus poros, mas não me define mais.” É um dos tantos presentes da maturidade, bem como a leveza para lidar com críticas. “Não trocaria meus 52 anos pelos meus 22.”

O segredo para uma parceria de (em breve) 22 anos de casamento com Luciano Huck? “É uma simbiose muito louca e bacana, mas perigosa. São dois indivíduos que, juntos, formam um terceiro”, define. “E como preservar esse terceiro? Dando liberdade para os outros dois serem quem têm que ser.”

Acompanhando a velhice dos pais, tem aprendido a viver mais no presente, sem deixar de pensar no futuro. “Já fiz tanta coisa, recebi carinho e reconhecimento. Se não usar isso para ajudar, de que adianta? Glamour e dinheiro são legais para caramba, mas o que fica é tocar as pessoas.”

*Reportagem publicada na edição 138 da revista Forbes, em fevereiro de 2026.

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