Efervescência local impulsiona ecossistema de inovação em Recife e Salvador

Nubank e Ser Educacional são algumas das empresas que ampliaram investimentos em projetos de aceleração e fomento ao empreendedorismo na região.

Luiz Gustavo Pacete
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Na semana passada, a Overdrives, de Recife, anunciou um projeto de investimento de R$ 1 milhão em startups (Crédito: Divulgação)

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As cidades de Salvador e Recife, nos últimos anos, vêm se consolidando como polos importantes de empreendedorismo. O equilíbrio entre desenvolvimento de negócios locais e atração de grandes empresas e investimentos vêm impulsionando a cena de inovação. Nesta segunda-feira, 22, o Nubank anunciou a criação, em Salvador, do NuLab, hub de desenvolvimento de tecnologia e experiência localizado no bairro do Rio Vermelho. O projeto se propõe a funcionar como um vetor de iniciativas de impacto social por meio de capacitação de jovens em situação de vulnerabilidade social.

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Paulo Rogério, co-fundador da aceleradora de impacto social Vale do Dendê, localizada em Salvador, explica que o atual cenário na cidade pode ser definido como produtivo. “Salvador tem uma característica muito forte que é a economia criativa e isso tem feito com que as empresas passem a ter diferencial competitivo. Áreas como games, tecnologia e música são expoentes em termos de oportunidade e é um momento único no cenário de empreendedorismo na Bahia”, afirma, reforçando que, em relação a atração de investimentos, ainda existe mais investimento público do que privado, mesmo que algumas startups locais consigam fazer captações nacionais.

“É importante que os investimentos saiam do eixo Rio-São Paulo, sobretudo porque há um potencial muito grande no Nordeste quando olhamos para o agronegócio, para a criatividade e também o turismo. Os investidores têm a oportunidade de identificar segmentos promissores e, sobretudo, conseguir até mesmo ganhos maiores de que em outras regiões saturadas”, destaca Paulo. “Visibilidade ainda é um desafio para atrair investimentos. É importante que as iniciativas daqui ganhem projeção nacional e consigam chegar até aos investidores.”

Cena de inovação em Recife

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A Ser Educacional, um dos maiores grupos brasileiros de educação superior, investe, por exemplo, em Recife, sendo mantenedora da aceleradora Overdrives que, neste ano, fez uma parceria inédita com a NE Capital do Grupo JCPM, holding com atuação nos setores de shopping center, imobiliário e de comunicação. De acordo com Luiz Gomes, diretor da aceleradora, o ecossistema de Recife deu um salto de maturidade nos últimos dois anos, tanto na atração de grandes empresas quanto no desenvolvimento de startups locais.

“Hoje, conseguimos listar um bom volume de startups que estão crescendo continuamente no mercado e criando referências que motivam o surgimento de mais empresas. Há um aumento considerável de players investidores, tanto na pessoa física (empresárias(os) de diversos setores) quanto na pessoa jurídica (corporações criando oportunidades de investimento em startups). Hoje é difícil quantificar a capacidade de atração de investimento com players locais, mas em ordem de grandeza é algo em torno de R$50 milhões”, explica, reforçando que esse círculo permite maior desenvolvimento das startups locais e, por sua vez, a atração de novos investimentos e empresas.

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Derick Bezerra, CEO da aFarma, uma das startups aceleradas pela Overdrives, reforça que o principal desafio, porém, ainda está na capacidade de encontrar investidores com experiência no segmento de health, que possuam sinergia para apontar atalhos e que tenham tempo disponível para auxiliar a startup quando necessário. “Healthtechs serão as próximas fintechs no quesito investimento e alguns deals relevantes já começam a aparecer. O setor de saúde não possui um grande player que englobe diversas soluções, o que gera oportunidades para nascerem negócios complementares com grandes múltiplos de retorno para o investidor”, afirma Bezerra.

No caso da edtech Lumi, também acelerada pela Overdrives, Bruno Gafanhoto, fundador, destaca que o segmento de educação vem ampliando a atração de investimentos, sobretudo depois da pandemia. “Sinto que os olhos estão muito voltados para as edtechs desde a pandemia, o que esquenta o mercado de investimentos. Este momento que vivemos fez com que a transformação digital chegasse de forma mais rápida para a educação e isso faz com que as oportunidades se multipliquem”, explica.

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