Variante BA.5 da Ômicron causa menos mortes, mas merece atenção

Causando nova onda de infecções, a BA.5 é uma ramificação da Ômicron que tem um “superpoder de causar reinfecção”

Robert Hart
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A Ômicron BA.5 é a forma mais infecciosa do vírus até agora e tornou-se a variante dominante nos EUA

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A variante BA.5 da Ômicron está aumentando os casos de Covid e as hospitalizações à medida que se espalha rapidamente pelos Estados Unidos – mas apesar das mortes permanecerem mais baixas em comparação com as ondas anteriores, especialistas dizem à Forbes que ainda há muitas de razões para permanecer cauteloso e alertar a população para não baixar a guarda.

Embora os casos de Covid-19 e as hospitalizações tenham aumentado na maioria dos estados norte-americanos nas últimas semanas e saltado 20% em todo o país na última quinzena, as mortes aumentaram apenas modestamente e oscilaram em torno de 300-400 por dia desde abril.

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Causando a nova onda está BA.5, uma ramificação da Ômicron que tem um “superpoder de causar reinfecção” e pode driblar a imunidade de vacinação e infecções anteriores, mesmo de outras variantes Ômicron, disse o doutor Peter Chin-Hong, especialista em doenças infecciosas do Universidade da Califórnia, em São Francisco, à Forbes.

A desconexão reflete o fato de que vacinas e infecções passadas ainda fornecem forte proteção contra doenças graves e morte para BA.5, além de haver mais opções disponíveis para tratar a doença.

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Chin-Hong disse que ainda há muitas razões para se proteger, até porque a Covid ainda pode causar sintomas graves “mesmo que você não termine no hospital” e os sintomas podem “durar semanas”.

A infecção também traz o risco de “Covid longa” – sintomas persistentes e às vezes debilitantes que podem persistir por meses ou anos – e evidências iniciais sugerem que isso é mais provável quanto mais vezes você for infectado.

Evitar a infecção também ajuda a proteger as pessoas ao seu redor que podem ter menos proteção contra doenças graves, como crianças, idosos e pessoas com sistema imunológico enfraquecido, disse à Forbes Stuart Turville, virologista da Universidade de New South Wales, na Austrália.

Contexto da Ômicron

Variantes cada vez mais transmissíveis de Ômicron surgiram nos EUA este ano. A BA.5, a forma mais infecciosa do vírus até agora, espalhou-se rapidamente e tornou-se a variante dominante no início de julho. Agora, é responsável por cerca de 78% dos casos, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, e a transmissão comunitária aumentou.

Preocupações com o BA.5, bem como com o BA.4 relacionado, levaram as autoridades a direcionar os fabricantes de vacinas para mirar as variantes em imunizantes atualizados, e o governo Biden anunciou novos planos para combater sua disseminação.

Autoridades e especialistas dizem que é especialmente importante garantir uma forte proteção contra doenças graves, mantendo as vacinas em dia, incluindo doses de reforço. Apesar dos apelos das autoridades de saúde pública e de estar disponível por muitos meses, a aceitação do reforço nos EUA é baixa.

Menos da metade das pessoas totalmente vacinadas receberam sua primeira dose de reforço e menos de 30% daqueles que receberam e são elegíveis para uma segunda tomaram, de acordo com dados do CDC.

O que observar

Mais variantes. É inevitável que o SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, evolua e gere novas variantes ao longo do tempo. Outra ramificação Ômicron, BA.2.75 – inexplicavelmente e com sucesso apelidada de “Centaurus” pela internet – já chamou a atenção dos virologistas.

A variante está se espalhando rapidamente na Índia, foi detectada na Europa e na América do Norte e mostra sinais de escapar da imunidade. Há poucos dados disponíveis e não está claro se BA.2.75 causa doença mais grave. Também não está claro se seria capaz de substituir BA.5 “como galo do galinheiro”, explicou Chin-Hong, já que elas ainda não tiveram a chance de competir diretamente entre si.

O que não se sabe

Muito. A coleta e a vigilância de dados são ruins em comparação com o início da pandemia. Os testes individuais estão em baixa, a vigilância genômica é reduzida e as evidências sugerem que os casos podem ser muito maiores do que os números oficiais afirmam.

Por outro lado, os números hospitalares são inflacionados e refletem os testes de rotina na admissão, que detectam muitas infecções “incidentais” de pessoas que procuram atendimento para outros problemas.

Há muito a ser entendido sobre as variantes Ômicron mais recentes, dizem os especialistas. BA.5, assim como outras ramificações mais recentes como BA.4 e BA.2.75, são patógenos relativamente novos que estão infectando ou reinfectando um grande número de pessoas na comunidade, explicou Turville, o que torna difícil fornecer dados absolutos e respostas definitivas.

“Como a maioria das coisas com relação ao SARS CoV-2, é um grande saco de incógnitas”, acrescentou. Turville disse à Forbes que a dissociação de mortes e casos mostra os efeitos de longo prazo da vacinação e exposição ao vírus. É uma “imunidade madura ao SARS-CoV-2 em geral”, acrescentou.

Por outro lado…

Enquanto os casos estão crescendo – e provavelmente subnotificados – vale a pena notar que eles estão muito longe do pico de Ômicron anterior em janeiro. Em julho, havia cerca de 100 mil a 120 mil casos relatados em média, em comparação com mais de 800.000 em meados de janeiro nos Estados Unidos.

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