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Queda Repentina de US$ 2 Trilhões (R$ 10 Trilhões) no Mercado Cripto Provoca Pânico com o Bitcoin

Moeda recua quase 50% em relação ao recorde histórico de US$ 126 mil (R$ 630 mil) por bitcoin; investidor bilionário Mark Cuban vendeu a maior parte de suas participações

7 min

Atualização de 06/03 abaixo. Este texto foi publicado originalmente em 2 de junho.

O bitcoin, que já vinha enfrentando dificuldades em meio a uma venda inesperada promovida pela BlackRock, caiu abaixo do nível de US$ 70 mil (R$ 350 mil) por unidade, uma faixa acompanhada de perto pelo mercado.

A forte queda da criptomoeda, que acumula recuo de quase 50% em relação ao recorde histórico de US$ 126 mil (R$ 630 mil) por bitcoin alcançado em outubro do ano passado, levou o bilionário Mark Cuban a mudar repentinamente sua postura em relação ao setor.

Agora, enquanto uma “insana” expansão da oferta monetária pelo Federal Reserve pode estar prestes a impulsionar uma recuperação do bitcoin, operadores se preparam para “ondas de correção mais profundas” após a Strategy, empresa de Michael Saylor, surpreender o mercado com uma venda de bitcoins.

“O preço do bitcoin está demonstrando sinais de fraqueza e despencando abaixo da região dos US$ 70 mil”, escreveram analistas da CryptoQuant em relatório. Eles apontaram que a forte pressão de venda proveniente de investidores que compraram a criptomoeda entre seis e 12 meses atrás representa “uma enorme barreira” para uma futura recuperação.

“Depois de suportarem perdas durante o colapso ocorrido no início do ano, esse grupo está optando por uma solução mais segura, transferindo bitcoins para corretoras à medida que a moeda voltou à região dos US$ 80 mil (R$ 400 mil), criando uma potencial pressão vendedora que acabou levando o preço a recuar. Esse volume que entra nas exchanges precisa ser absorvido adequadamente; caso contrário, o bitcoin enfrentará ondas de correção mais profundas.”

Atualização de 03/06: O mercado de criptomoedas já perdeu quase US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões) em valor de mercado combinado desde outubro do ano passado, quando atingiu o recorde de US$ 4,4 trilhões (R$ 22 trilhões).

“O mercado não estava em um nível tão baixo desde o fim de março, e isso representa uma continuação do movimento de queda iniciado em meados do mês passado”, afirmou Alex Kuptsikevich, analista-chefe de mercado da FxPro, em comentários enviados por e-mail.

“O interesse do capital continua concentrado no mercado acionário, mas o Nasdaq 100 segue renovando máximas, apesar do ritmo alarmante de contração do valor de mercado das criptomoedas, com as quais anteriormente apresentava forte correlação.”

O índice de medo e ganância das criptomoedas, indicador de sentimento do mercado frequentemente considerado um sinal defasado, voltou a se aproximar de sua mínima histórica, mergulhando profundamente na zona de “medo extremo”.

“O índice de sentimento despencou para 11, o menor nível desde o início de abril”, disse Kuptsikevich. “Trata-se de uma região perigosa, na qual pode começar uma caça às ordens de stop-loss de posições compradas, seguida por um aumento ainda maior da volatilidade. Quando esse tipo de dinâmica começa no bitcoin, costuma se tornar ainda mais intensa nas altcoins.”

Enquanto isso, o índice de volatilidade BVIV, que mede a volatilidade implícita — ou esperada — do bitcoin para os próximos 30 dias, disparou quase 20% ontem, registrando sua maior alta diária desde o início de fevereiro.

“O sentimento continua se deteriorando à medida que os investidores avaliam outros ativos de risco que vêm superando o desempenho das criptomoedas recentemente, tornando-se alternativas mais atraentes para obtenção de lucros”, afirmou David Morrison, analista sênior de mercado da Trade Nation.

Ainda neste mês, a SpaceX, empresa de foguetes e inteligência artificial de Elon Musk, deve realizar sua aguardada estreia na bolsa de valores. Segundo informações divulgadas, a companhia pretende captar US$ 75 bilhões (R$ 375 bilhões) e alcançar uma avaliação de mercado de US$ 1,75 trilhão (R$ 8,75 trilhões).

Ao mesmo tempo, a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, e sua principal concorrente, a Anthropic, também estariam se preparando para suas próprias ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).

“As ações de tecnologia dos Estados Unidos, especialmente as ligadas à inteligência artificial, têm sido uma alternativa evidente para os investidores. Além disso, o futuro IPO da SpaceX representa outro alvo claro para investimentos”, afirmou Morrison.

“Existe um suporte relevante na região dos US$ 65 mil (R$ 325 mil), e os compradores do bitcoin esperam que os preços consigam se estabilizar nesse patamar. No entanto, o indicador MACD diário mostra que o momentum de baixa se acelerou após a forte liquidação desta semana. Caso ocorra um rompimento prolongado e significativo abaixo desse nível, aumentará a probabilidade de o mercado testar a mínima de fevereiro, em US$ 60 mil (R$ 300 mil).”

A Strategy cumpriu a promessa feita em maio de vender parte de suas reservas de bitcoin, desfazendo-se de 32 unidades avaliadas em US$ 2,5 milhões (R$ 12,5 milhões). Segundo Saylor, a operação faz parte de um plano para transformar as controversas ações preferenciais da companhia, que pagam dividendos elevados mensais, no “melhor instrumento de crédito do mundo”.

O anúncio provocou uma queda de 6% nas ações da empresa ontem, seguida por uma nova baixa de 3% no pré-mercado desta manhã. Desde o pico registrado no verão de 2025, os papéis da Strategy acumulam desvalorização superior a 60%.

Apesar da venda, a empresa ainda possui 843.706 bitcoins, adquiridos a um preço médio de US$ 75.699 (R$ 378.495) por unidade, o que a mantém como a maior detentora institucional da criptomoeda. Seu principal rival é a gestora BlackRock, que administra quase 800 mil bitcoins em nome de investidores por meio de fundos negociados em bolsa (ETFs).

No mês passado, a Strategy já havia levantado a possibilidade de vender parte de suas reservas para cumprir compromissos relacionados ao pagamento de dividendos e demonstrar ao mercado que existe demanda compradora caso a companhia precise vender bitcoins futuramente.

“Provavelmente venderemos alguns bitcoins para pagar dividendos apenas para imunizar o mercado e transmitir a mensagem de que já fizemos isso”, afirmou Saylor durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, em maio. Ele acrescentou que a estratégia da companhia é “comprar bitcoin com crédito, deixá-lo valorizar e, depois, vender parte dos ativos para pagar os dividendos”.

Na ocasião, Saylor classificou o plano como “um grande nada do ponto de vista econômico”, descartando os temores de que a venda pudesse provocar um colapso nos preços. Ele também sugeriu que qualquer alienação de bitcoins poderia ser seguida por uma recompra significativa, como ocorreu em 2022, quando a empresa vendeu cerca de 700 bitcoins para realizar prejuízos fiscais e compensar ganhos futuros, voltando a comprar 800 bitcoins poucos dias depois.

“A fraqueza do bitcoin transformou a Strategy em um verdadeiro teste de estresse para o mercado”, escreveram analistas da Delphi Digital em relatório enviado por e-mail.

“O bitcoin acumulava queda de aproximadamente 5,5% na semana, e a discussão deixou o campo teórico para se tornar realidade depois que a Strategy vendeu 32 bitcoins. O mercado percebeu que a empresa já não é vista como um veículo de acumulação unidirecional. O antigo mantra do ‘nunca vender’ foi quebrado na prática, e não apenas no discurso das teleconferências. A questão deixa de ser se a Strategy pode vender e passa a ser como o mercado avalia uma companhia de tesouraria que pode transformar garantias em oferta quando obrigações financeiras ou a gestão do balanço exigirem isso. A flexibilidade do maior detentor corporativo de bitcoin passa a fazer parte do processo de formação de preços.”

Outros observadores do mercado e analistas especializados em criptomoedas também demonstram preocupação de que o bitcoin possa estar caminhando para mais uma forte queda de preços.

Matéria original publicada em Forbes.com

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