A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu nesta quinta-feira, 4, aos 56 anos. A informação foi confirmada pela família à agência AFP e presidente francês, Emmanuel Macron, prestou homenagem à autora em comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu.
Satrapi ficou conhecida mundialmente por Persépolis, série de quadrinhos autobiográfica que retrata sua infância e adolescência durante a Revolução Islâmica no Irã. Com desenhos em preto e branco, traços simples e expressivos e uma narrativa marcada por memórias pessoais e acontecimentos políticos, a obra vendeu milhões de exemplares e foi traduzida para dezenas de idiomas.
Em comunicado enviado à AFP, a família afirmou que a autora morreu “de tristeza” pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e diretor Mattias Ripa, em abril de 2025. Nenhuma causa médica foi divulgada.

Nascida em 1969 na cidade iraniana de Rasht, Satrapi cresceu em Teerã e deixou o país aos 14 anos, enviada pelos pais para estudar na Áustria em meio ao endurecimento do regime iraniano. Anos depois, se estabeleceu na França, onde construiu a carreira que a transformou em uma das artistas mais conhecidas do mundo dos quadrinhos.
O sucesso de Persépolis ultrapassou as páginas. Em 2007, a obra ganhou uma adaptação para o cinema dirigida pela própria Satrapi em parceria com Vincent Paronnaud. O filme recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor animação.
Além de Persépolis, ela publicou títulos como Bordados e Frango com Ameixas e dirigiu filmes como The Voices. Marjane Satrapi foi a primeira autora iraniana a alcançar projeção internacional nos quadrinhos. Sua obra ajudou a apresentar ao público ocidental uma visão íntima da vida no Irã e transformou experiências pessoais em relatos que atravessaram fronteiras.