A cirurgiã Angelita Habr-Gama, uma das maiores referências da medicina brasileira e reconhecida entre os cientistas mais influentes do mundo, morreu no sábado (30), aos 92 anos, em São Paulo.
A médica estava internada desde 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, instituição à qual dedicou mais de seis décadas de sua carreira.
Sua trajetória foi recheada de pioneirismos. Tornou-se a primeira mulher titular em cirurgia na Faculdade de Medicina da USP, a primeira brasileira aceita pela Sociedade Americana de Cirurgia e a primeira premiada pela Sociedade Europeia de Cirurgia. Também foi presidente da Sociedade Brasileira e da Sociedade Latino-Americana de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.
Em uma especialidade historicamente dominada por homens, Angelita tornou-se referência e abriu portas para gerações de médicas. Em 2020, lançou a biografia “O Não Não É Resposta” (DBA Editora), relatando os desafios enfrentados ao longo de sua carreira.
Em 2022, a Universidade de Stanford a incluiu entre os médicos que mais contribuíram para o avanço da ciência no mundo.
A trajetória de Angelita Gama na medicina
Angelita Gama nasceu na ilha de Marajó, no Pará, em 1933, e cresceu em São Paulo. Ingressou na Faculdade de Medicina da USP, em 1952, aos 19 anos, e por meio de concurso público, tornou-se a primeira mulher residente em cirurgia do país. Em 1961, também foi a primeira fellow do Hospital São Marcos na Universidade de Londres.
Ao longo da carreira, publicou mais de 250 artigos científicos e ganhou mais de 50 prêmios. Sua atuação ajudou a consolidar uma abordagem inovadora que transformou o tratamento do câncer de reto.
Durante a pandemia, contraiu Covid-19 e passou 50 dias na UTI do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Após a alta, retomou rapidamente sua rotina profissional, voltando a atender pacientes no consultório e operar. Era casada havia mais de 60 anos com o também cirurgião Joaquim Gama.
O Hospital Oswaldo Cruz lamentou, em nota, a morte da médica, uma “perda irreparável para a medicina brasileira”.