O México e os Estados Unidos correm para fechar um acordo comercial bilateral antes das eleições de meio de mandato norte-americanas, marcadas para 3 de novembro. Segundo seis fontes dos dois países a par das negociações, as conversas ganharam urgência após o fracasso das tratativas entre Washington e Canadá.
“Ambos queremos chegar a um acordo antes das eleições de meio de mandato”, disse uma fonte baseada no México, sob condição de anonimato por se tratar de negociações privadas.
As discussões buscam viabilizar um acordo provisório. Pelo entendimento em análise, o México poderia obter isenção de algumas tarifas norte-americanas, enquanto atenderia a exigências dos Estados Unidos relacionadas ao conteúdo automotivo e aos investimentos chineses no país.
Embora não exista um prazo formal, autoridades mexicanas e norte-americanas enxergam vantagens políticas em concluir as negociações antes das eleições. O Partido Republicano, do presidente Donald Trump, corre o risco de perder o controle do Congresso.
Um acordo permitiria que Trump e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, apresentassem o resultado como uma vitória em meio a desafios políticos e econômicos internos.
“O tempo é essencial para o governo mexicano”, afirmou a fonte mexicana, ao citar a fraqueza da economia e os rebaixamentos das classificações de crédito da dívida do país.
Sheinbaum, que apresentou nesta semana a proposta de orçamento do México para 2027, considera o acordo comercial com os Estados Unidos fundamental para reduzir as incertezas e tranquilizar empresas e investidores.
“Não há prazos específicos neste momento”, afirmou um porta-voz do Ministério da Economia do México, ressaltando que o governo mantém o diálogo com Washington.
O Representante de Comércio dos Estados Unidos e a Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Fracasso das negociações com o Canadá aumenta a pressão
A tentativa do México de acelerar o acordo ocorre após o colapso das negociações comerciais entre Estados Unidos e Canadá no mês passado. O impasse desencadeou uma disputa tarifária entre os dois aliados históricos.
Washington proibiu, na terça-feira, as importações de uma ampla variedade de bebidas alcoólicas, motocicletas e produtos lácteos canadenses. Em resposta, Ottawa prometeu igualar as tarifas norte-americanas dólar por dólar.
O fracasso das conversas com o Canadá fortaleceu a decisão do México de evitar um confronto direto com o governo Trump. A aposta mexicana é que a cooperação resulte em alívio tarifário.
Uma das fontes descreveu a postura do país como “agir com boa vontade e continuar a cooperar”.
A relação comercial com os Estados Unidos é determinante para a economia mexicana. Mais de 80% das exportações do México têm como destino o mercado norte-americano, o que aumenta os riscos para empresas e investidores caso as negociações não avancem.