Aos 30 anos, a mineira Luana Lopes Lara ocupa um lugar raro na lista de bilionários brasileiros da Forbes de 2026: o de uma fortuna construída do zero, sem herança, em pouco mais de meia década.
Cofundadora da Kalshi, plataforma americana de mercados de previsão, ela estreia no ranking com um patrimônio de R$ 13,4 bilhões e carrega um título que nenhum outro nome da lista divide com ela: em dezembro de 2025, aos 29 anos, tornou-se a mulher mais jovem do mundo a alcançar o status de bilionária pelo próprio trabalho.

Luana Lopes Lara
Idade: 30 anos
Empresa: Kalshi
Patrimônio: R$ 13,4 bilhões
Uma das bilionárias self-made mais jovens do mundo, Luana é uma das fundadoras da plataforma de predições Kalshi, nos Estados Unidos. Formada em engenharia pelo MIT, ela já foi bailarina clássica.
Nascida em Belo Horizonte em 1996, filha de uma professora de matemática e de um engenheiro, Luana cresceu entre Minas, o Rio e Santa Catarina. Foi em Joinville, na única unidade da Escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia, que concluiu o ensino médio enquanto treinava como bailarina clássica em jornadas que se estendiam da manhã à noite.
A disciplina do balé, que ela levaria adiante em uma temporada profissional no Teatro Estatal de Salzburgo, na Áustria, convivia com uma vocação igualmente incomum para os números: ainda na escola, acumulou medalhas em olimpíadas de astronomia e de matemática.
Luana formou-se no MIT e, ainda na graduação, passou por estágios em algumas das casas mais cobiçadas do mercado financeiro americano, como a Bridgewater, de Ray Dalio, e a Citadel, de Ken Griffin.
O estalo que virou Kalshi
O parceiro de empreitada é o libanês Tarek Mansour, que Luana conheceu no MIT e a ideia da Kalshi, segundo a própria empresa, nasceu em 2018, durante uma caminhada de volta do trabalho, quando os dois estagiavam juntos em Nova York. Ambos abriram mão de seus empregos no mercado quantitativo para apostar em um segmento ainda novo: o de previsões.
Na Kalshi, em vez de comprar ações, o usuário negocia contratos que refletem a probabilidade de algo acontecer de uma eleição a uma decisão do Federal Reserve, passando por clima, esportes e premiações.
Se o palpite se confirmar, cada contrato paga US$ 1; se não, nenhum retorno.
A empresa obteve aval da CFTC, o órgão que fiscaliza derivativos nos Estados Unidos, em 2020, depois de mais de três anos de negociação.
Em 2023, a CFTC barrou os contratos sobre eleições, por considerá-los próximos de jogos de azar. Uma decisão judicial reverteu o veto e, em 2024, a Kalshi passou a oferecer contratos sobre o resultado da eleição presidencial americana, a primeira vez em mais de um século que esse tipo de negociação foi autorizado legalmente no país.
Na disputa entre Donald Trump e Kamala Harris, em novembro daquele ano, a plataforma movimentou mais de US$ 500 milhões.
Em dezembro de 2025, a Kalshi captou US$ 1 bilhão em uma rodada que a avaliou em US$ 11 bilhões. Com cerca de 12% de participação cada, Luana e Mansour entraram pela primeira vez no clube dos bilionários, com um patrimônio então estimado em US$ 1,3 bilhão para cada um.
Metodologia
A lista Forbes Bilionários Brasileiros é elaborada considerando várias fontes. Como ocorre com a Forbes nos Estados Unidos, a informação mais importante são as ações listadas em bolsa, com base na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. Além de serem públicos, esses dados são oficiais e auditados. Uma vez que a lista considera apenas as informações públicas, os patrimônios podem estar subestimados. Na maioria dos casos não são considerados itens como imóveis, obras de arte, aviões ou embarcações, exceto se o participante da lista concordar em fornecer esses dados. Em alguns casos, o patrimônio de irmãos ou familiares pode ser consolidado ou separado.