Bolsonaro diz que coronavírus “não é o que se propaga” e minimiza turbulência nos mercados

Marco Bello/Reuters
Para presidente brasileiro, problemas na bolsa acontecem “esporadicamente”

O presidente Jair Bolsonaro negou hoje (10) em Miami que haja uma crise no Brasil após o dia caótico enfrentado pelo mercado brasileiro na véspera e considerou os problemas que levaram à pior queda da bolsa em duas décadas “uma fantasia”.

“Durante o ano que se passou, obviamente, tivemos momentos de crise. Muito do que tem ali é muito mais fantasia. A questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga”, disse o presidente, acrescentando que a crise com a queda do petróleo foi aumentada pela imprensa. “Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo, entendo que daria muito mais… é melhor cair 30% do que subir 30% do preço do petróleo. Mas isso não é crise”, continuou.

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Bolsonaro falava em um evento para investidores organizado pelo Fórum das Américas, think thank criado pelo empresário brasileiro Mario Garnero com apoio da Confederação da Indústria e outras empresas. O evento, com mesas vendidas a US$ 1.000 por pessoa, recebeu pouco mais de 90 pessoas e teve vários lugares vazios, preenchidos apenas quando chegou a comitiva presidencial.

“Obviamente, problemas na Bolsa, isso acontece esporadicamente. Como estamos vendo agora há pouco, as bolsas que começam a abrir hoje já começam com sinais de recuperação”, disse o presidente.

Ontem (9), com a soma do crescimento da epidemia de coronavírus e a queda de 30% nos preços do petróleo, a bolsa brasileira enfrentou um circuit breaker logo pela manhã e fechou em forte queda. As ações da Petrobras caíram quase 30%, retirando cerca de R$ 91 bilhões do valor de mercado da empresa. Outras empresas, como Banco do Brasil, Vale, empresas aéreas brasileiras, também tiveram queda significativa. O dólar chegou a R$ 4,79.

Nesta terça, com os mercados internacionais mais calmos, a Bovespa subia 2,8% às 12h29 e o dólar estava em queda de 1,25%, cotado a R$ 4,66.

Ao sair do evento, Bolsonaro falou com os jornalistas pela primeira vez durante esta viagem, e negou que o governo pense em usar a Cide para controlar a queda brusca dos preços dos combustíveis. “Não existe isso, a política de Petrobras segue de preço internacional”, afirmou, acrescentando que espera ver a redução nas refinarias e que seja repassada para o consumidor final.

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No evento, marcado para discutir as relações entre Brasil e Estados Unidos, Bolsonaro voltou a falar das reformas tributária e administrativa, que o governo ainda precisa enviar ao Congresso. “Temos agora dois desafios, um deles a reforma tributária, que julgo tão importante quando a previdenciária”, afirmou. Segundo o presidente, a alteração das regras tributárias é necessária para “transformar o Brasil em um país mais fácil de fazer negócios.”

Ainda nesta terça, Bolsonaro faria uma visita à fábrica da Embraer em Jacksonville, cidade a 560 quilômetros de Miami. De lá, embarca de volta para o Brasil.

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