Por que o 5G sem fio pode acabar com a nuvem

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O 5G facilitará a comunicação em tempo real entre dispositivos e com redes de computação em nuvem

O futuro da comunicação desponta com rapidez. A nova era pode ser fantástica e confusa ao mesmo tempo. A Verizon, maior operadora de celulares dos Estados Unidos, lançou em quatro cidades norte-americanas, em outubro passado, o serviço de internet de quinta geração — 5G. O sistema, ainda em fase inicial, já se mostra veloz e capaz de mudar o destino das redes existentes. Capaz de aproximar a computação das fontes de dados.

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É uma mudança radical. Os investidores precisam entender a oportunidade de negócios — e também o comportamento dos usuários. Velocidade é tudo. Nos testes, o 5G demonstrou ser 200 vezes mais rápido que o LTE, o atual protocolo sem fio padrão. Um filme inteiro pode ser baixado em alta definição em questão de segundos.

É o fim da espera: o 5G facilitará a comunicação em tempo real entre dispositivos e com redes de computação em nuvem. A longo prazo, redes sem fio de alta velocidade podem acabar com a nuvem. Uma era pós-nuvem envolveria bilhões de dispositivos inteligentes autônomos. Seria um mundo com menos operadores humanos e mais inteligência artificial.

Na mesma semana em que o 5G da Verizon chegou a Los Angeles, Indianápolis, Houston e Sacramento, a empresa anunciou que ofereceria indenização a 44 mil funcionários e transferiria outros 2,5 mil empregados de TI para uma empresa indiana terceirizada. As demissões representam 30% de sua força de trabalho.

O governo federal não deve criar obstáculos ao 5G. O jornal “Los Angeles Times” informou, em 6 de outubro, que a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) deu um passo incomum a fim de nacionalizar a infraestrutura pública para a chegada da tecnologia. As novas diretrizes da FCC estabeleceram um preço máximo de US$ 270 e um prazo entre 60 a 90 dias para instalações de pequenas células em infra-estrutura pública, como postes de luz, sinais, postes telefônicos e prédios. Se os municípios se recusarem à mudança, as empresas de telecomunicações têm o direito de processá-los.

O equilíbrio de poder agora é outro. As operadoras de telefonia sem fio e as empresas que constrõem a sua infraestrutura estão livres para avançar. Elas estão prestes a controlar a próxima geração da computação.

A Verizon e a T-Mobile logo devem dar partida à larga escala do 5G. Enquanto os gerentes aguardam novas oportunidades de computação, eles pretendem usar as redes mais largas, mais rápidas e mais densas para oferecer novos produtos e serviços que possam fazer frente às ofertas da TV a cabo. Esses novos negócios, em conjunto com a reestruturação corporativa, compensarão alguns dos custos da construção das redes 5G.

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Outra operadora importante para o 5G é a Crown Castle International, também dos EUA. A torre de telefonia da empresa, a Real Estate Investment Trust, aluga capacidade para as principais operadoras de telefonia celular, além de fibra para conectar sites e redes. Os gerentes da Crown Castle estão na corrida para construir e adquirir infraestrutura de pequenas células. Até aqui, já investiram US$ 13 bilhões nos principais mercados do país.

Essas células, atualizáveis, suportam várias operadoras. A construção de caminhos de rede nos principais mercados pode trazer vantagens nos próximos anos.

A Crown Castle divulgou os resultados financeiros do segundo trimestre no último mês de julho. As receitas de aluguel haviam aumentado 35% nos doze meses anteriores, para US$ 1,17 bilhão. O lucro líquido subiu para US$ 180 milhões, US$ 28 milhões acima do planejado.

Redes ultra-rápidas e sem fio vão mudar o mundo. Os investidores devem aproveitar a oportunidade e já adquirir a infra-estrutura necessária.

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