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IA Elimina Tarefas Repetitivas, Mas Mais Trabalho Virá, Diz CEO da Read AI

Executivos explicam como agentes inteligentes estão transformando as rotinas das empresas, quais os limites da tecnologia e quando o fator humano é insubstituível

4 min

Os brasileiros estão entre os profissionais que mais incorporaram a inteligência artificial à rotina de trabalho. Segundo uma pesquisa da PwC divulgada em janeiro, 71% dos profissionais no Brasil afirmaram ter usado IA no ambiente de trabalho nos 12 meses anteriores ao levantamento, acima da média global, de 54%.

Outro estudo, da Read AI – empresa que desenvolve assistentes para reuniões e tarefas repetitivas – mostra que quase sete em cada dez brasileiros utilizam ferramentas de IA diariamente no trabalho. Para David Shim, fundador e CEO da companhia, essa transformação está eliminando atividades burocráticas e repetitivas. “O trabalho operacional está desaparecendo”, afirmou durante um painel no Web Summit Rio, realizado na última semana. Segundo ele, a tecnologia já é capaz de liberar entre um quarto e metade do tempo dos profissionais. Mas não se engane: “Mais trabalho virá.

Esse é um dos paradoxos da inteligência artificial. À medida que a tecnologia avança e se torna capaz de assumir mais funções, as pessoas não ficam necessariamente mais ociosas – elas passam a dedicar seu tempo a outras atividades. “A automação não é novidade. Já era possível automatizar muitas tarefas, principalmente as mais simples. Mas, nos últimos três anos, aumentou drasticamente o número de atividades que podem ser executadas por agentes em vez de pessoas”, afirmou o brasileiro Alessio Alionço, fundador e CEO da Pipefy, plataforma de gestão criada em 2015.

Segundo ele, a chegada dos agentes de IA, com capacidades mais sofisticadas, ampliou significativamente o potencial de automação. “Se antes cerca de 40% dos processos podiam ser automatizados, hoje esse percentual varia entre 60% e 90%.”

O que a IA não pode (ou não deve) fazer

As tarefas repetitivas foram as primeiras a serem delegadas às máquinas. “As pessoas não tomam mais notas em reuniões porque a IA faz isso e resume tudo para você”, diz Shim. “Ela executa o trabalho burocrático, coleta informações e apresenta opções.”

Mas há um limite. “O que ela não deveria fazer é tomar decisões no lugar dos humanos”, afirma o CEO da Read AI. “Pelo menos em um futuro próximo, de dois a cinco anos.”

Shim compara o papel da IA ao algoritmo do Tinder. “Ele te oferece informações e sugere pessoas que você poderia gostar, mas é o ser humano que decide se vai dar match ou não. Com a IA é a mesma coisa.”

Na visão de Alionço, a tecnologia pode até ajudar nas escolhas mais simples, mas não deve substituir o julgamento humano em decisões mais relevantes. “Há muitas atividades de baixo risco que podem ser delegadas à IA. Tudo depende do tipo de tarefa”, afirma. “Ela pode até dar um like em um perfil, mas decidir sair ou casar com alguém é algo que não pode ser terceirizado.”

Paul Devlin/Web Summit/Sportsfile Alessio Alionço, fundador e CEO da Pipefy

O poder da IA

Após mais de uma década à frente da Pipefy, Alionço afirma que os benefícios da inteligência artificial costumam aparecer em três frentes: ganhos financeiros, melhoria da qualidade e aumento da velocidade. “Normalmente vemos uma combinação de pelo menos dois desses três fatores.”

Shim cita como exemplo o uso de agentes de IA para agendar compromissos. “Eles conversam entre si e marcam reuniões de acordo com as preferências e disponibilidades de cada pessoa”, explica.

Atendendo gigantes globais de streaming, o CEO da Read AI também tem observado o potencial da tecnologia para integrar informações produzidas em diferentes países. “A IA não se importa se você está falando em espanhol, português ou inglês. Ela reúne todos esses dados e consegue dizer: ‘Aqui estão as respostas e os próximos passos.’”

Para Alionço, a vantagem competitiva das empresas estará na capacidade de combinar diferentes recursos. “As empresas precisarão aprender a orquestrar dados, pessoas e diferentes tipos de agentes usando tecnologias distintas. Não existe bala de prata”, diz. “O desafio é fazer tudo isso funcionar em conjunto.”

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