Quando a fusão entre Petz e Cobasi foi aprovada pelo Cade (órgão regulador de concorrência), em dezembro de 2025, analistas de mercado celebraram a união de duas forças do varejo. Para Flavia Pontes, CHRO do grupo Petz Cobasi, era o início do seu maior desafio: unir duas empresas com décadas de história em uma única cultura corporativa. “Você tinha o seu principal concorrente e, então, deixa de ter um”, diz a executiva, que antes atuava como CHRO da Petz. “Mas a beleza desse processo é a oportunidade de juntar o que temos de melhor.”
A união consolida a maior varejista do setor pet no Brasil, com um faturamento anual combinado de mais de R$ 7 bilhões. Juntas, as empresas somam cerca de 14 mil funcionários e aproximadamente 500 lojas distribuídas em mais de 140 cidades. Para a área de recursos humanos, o cenário exige integrar processos, benefícios e diretrizes de duas estruturas de peso que, até então, operavam em lados opostos. “Mais do que qualquer questão transacional, seja colocar todo mundo no mesmo escritório, seja políticas de salário ou de benefícios, o maior desafio está na cultura que a gente vai criar para essa nova companhia”, considera.
Bagagem para a tarefa, Flavia tem de sobra, a julgar por sua trajetória. Curiosamente, sua entrada na área de gestão de pessoas se deu por acaso: aos 14 anos, trabalhando como agente de aeroporto na extinta Transbrasil, ela passava os intervalos dos voos pedindo mais tarefas e perguntando como poderia ajudar. A proatividade chamou a atenção do departamento de recursos humanos, para onde foi transferida. “Costumo dizer que eu não escolhi o RH, o RH me escolheu”, brinca.
Para além do RH
Desde então, acumulou passagens por consultorias como a Ernst & Young e gigantes como oGrupo Pão de Açúcar e a Dasa. Hoje, além da cadeira de pessoas no grupo Petz Cobasi, Flavia é head da BU (business unit) de Serviços, unidade que engloba 15 hospitais veterinários, 110 clínicas e 179 centros de banho e tosa, com um faturamento de aproximadamente R$ 150 milhões.
Liderança é como aquele bonequinho das obras: ‘Estou em construção, desculpe o transtorno’. Cada negócio, momento da organização e time que você assume tem um desafio e um aprendizado diferente.
Flavia Pontes
Na Petz desde 2022, a executiva destaca que uma de suas maiores conquistas foi o lançamento de um plano de saúde veterinário. “Se o cachorro saiu do quintal e foi para a cama das pessoas, tornando-se membro da família, por que não ter um benefício para ele?”, argumenta. “A área de RH precisa escutar as pessoas e andar junto com as tendências.”
Não à toa, Flavia acabou influenciada pela própria cultura da companhia em sua vida particular: adotou a Lola, sua cadela da raça Pastor de Shetland. “Eu não tinha pet, então você vê o quanto uma marca empregadora pode te influenciar na sua vida pessoal.”
Hoje, encara os erros e acertos da trajetória sabendo que está “sempre no primeiro dia de um processo de construção de uma liderança melhor”. Liderança, diz ela, “é aquele bonequinho das obras: ‘Estou em construção, desculpe o transtorno’. Cada negócio, momento da organização e time que você assume tem um desafio e um aprendizado diferente.”
Após quase três décadas de carreira e mais de 15 anos em posições de liderança, Flavia vê um momento de virada pela frente: cada vez mais líderes de pessoas devem assumir cadeiras de decisões estratégicas do negócio e, quem sabe, de CEOs. “Espero que cada vez mais RHs sentem nessas mesas. E aqui o verbo é ocupar um espaço, não pedir que alguém o abra.”
Confira a entrevista completa no videodcast Forbes Melhores CHROs:
Veja a lista completa dos Melhores CHROs do Brasil em 2026 aqui.