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“Gente É Nossa Melhor Tecnologia”, Diz VP de Pessoas da Vivo

Há 17 anos na empresa, Fernando Luciano trocou a área de inovação pela gestão de pessoas; hoje, lidera mais de 33 mil funcionários

4 min

Mineiro de Perdões, com cerca de 20 mil habitantes, Fernando Luciano lidera a área de pessoas da Vivo, com mais de 33 mil funcionários. Há 17 anos na empresa, começou como analista sênior e demorou para passar ao RH. “Dez anos depois, como diretor de inovação, vi uma posição de diretor de talentos e gostei do nome.”

Metade das pessoas com quem conversou o aconselhou a não ir, mas ele decidiu ouvir outra voz: “Uma tecnologia sutil que muitas vezes a gente deixa de usar, que é a intuição. Alguma coisa me dizia que era o movimento certo naquele momento.”

A transição não foi simples. “Sofri muito no início. Não conseguia contribuir como antes.” Para acelerar o aprendizado, procurou referências fora da empresa e conversou com cinco vice-presidentes de RH de companhias que admirava. “Eles me ajudaram com dicas e questionamentos. Quando voltei para o trabalho, passei a fazer boas perguntas e aí sim comecei a virar o jogo.”

Três anos depois, assumiu a diretoria de gestão de pessoas e, em 2024, foi promovido a vice-presidente. “Como trabalhei muitos anos com desenvolvimento de produtos, trago um diferencial de ‘produtizar’ o RH, pensando no colaborador como consumidor dos nossos programas.”

Ambição de ser a empresa mais diversa do Brasil

A mudança de área também ampliou seu olhar sobre diversidade. “Não sei onde eu estava que não percebia quem eram as pessoas na minha equipe, se tinham pretos e pardos em posições de liderança, mulheres sendo promovidas.”

Fernando chegou ao RH em 2018, quando a Vivo começava a estruturar sua agenda de diversidade e inclusão. “Acredito genuinamente que uma equipe diversa traz muito mais inovação para a empresa”, afirma. Hoje, as mulheres representam 45,6% da força de trabalho e ocupam 39,8% dos cargos diretivos.

Quase 45% dos funcionários se autodeclaram pretos ou pardos, grupo que responde por 34% da liderança. Além disso, 5,7% dos colaboradores têm algum tipo de deficiência e mais de 10% se identificam como LGBT+.

“Estamos mudando a fisionomia do negócio”, diz, citando como exemplo um programa que impulsiona a presença feminina nas áreas técnicas. “Hoje temos mais de 500 mulheres técnicas de campo. Quando cheguei no RH, eram 12. E elas costumam ser mais bem avaliadas pelos clientes.”

Todos os programas de entrada reservam 50% das vagas para pessoas negras. “É uma forma de ir preparando o pipeline e garantindo a representatividade desde a base.” E também de enfrentar a escassez de talentos em TI. “Nosso turnover de tecnologia é menor do que o turnover da Vivo. Isso nos dá segurança”, diz o executivo de 47 anos, que também integra os comitês de sustentabilidade, segurança cibernética e da Fundação Telefônica Vivo.

Hoje temos mais de 500 mulheres técnicas de campo. Quando cheguei no RH, eram 12. E elas costumam ser mais bem avaliadas pelos clientes.

Fernando Luciano

IA no RH

Sua bagagem em inovação também acelerou o uso de inteligência artificial no RH. “Usamos IA desde que eu cheguei, encurtando etapas do processo seletivo e agilizando o dia a dia dos recrutadores”, diz. “Gente é nossa melhor tecnologia.” Uma análise curricular que antes levava 13 dias agora é concluída em apenas 1. Já a triagem de candidatos caiu de 48 horas para tempo real.

Um dos maiores e mais recentes projetos de sua gestão foi o lançamento, em 2025, do Hospital Púrpura, plataforma digital de atendimento 24 horas com 13 especialidades médicas para os funcionários e 50 mil dependentes. “Dentro da nossa sede, em São Paulo, também temos 600 m² dedicados à saúde e ao bem-estar, com psicólogos, psiquiatras, sala de meditação e um ambulatório em parceria com o Einstein.”

A atenção para a sua própria saúde ganhou mais importância após a paternidade, que também transformou sua visão de liderança. “Desde que meu filho nasceu, venho trabalhando num tripé que me ajudou como pai e se refletiu na minha vida profissional”, afirma. “Dormir bem, fazer meus exercícios físicos e rezar me colocam no eixo, tanto em casa, com o meu filho, quanto na companhia.”

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