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O Engenheiro Que Transformou o RH da JBS em Motor de Resultados

À frente de mais de 150 mil funcionários no Brasil, Fernando Meller reduziu a rotatividade da Geração Z e promoveu 70 mil pessoas em dois anos

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Ao final de 2024, a JBS tinha um desafio: alta rotatividade da geração Z, que representa 40% da força de trabalho da empresa, bem acima da média nacional, de 25%. Para entender esse público, o diretor executivo de gente e gestão, Fernando Meller, encomendou uma pesquisa com 32 mil pessoas, incluindo os profissionais dessa geração, seus pais e lideranças. “Encontramos um jovem que quer crescer, deixar legado e construir uma carreira”, diz Meller.

Mais de 60% apontaram oportunidades de crescimento como prioridade máxima no trabalho. Em resposta, a empresa criou trilhas de desenvolvimento específicas e capacitou a liderança para gerir equipes multigeracionais. “Fizemos da JBS uma empresa educadora”, diz. No fim de 2025, a rotatividade caiu, puxada pelos GenZs.

Um engenheiro no RH

É um dos exemplos de como esse engenheiro de produção levou para o RH o seu olhar para os dados, além de toda a experiência em logística, nove anos na BRF e a passagem como CEO de uma empresa gaúcha do setor de avicultura. “Logo percebi que minha principal vantagem era já ter estado do outro lado da mesa.”

Não são só os mais jovens que querem enxergar o investimento da companhia no seu crescimento. “A educação faz parte de toda a nossa jornada profissional”, afirma o executivo de 52 anos. Em parceria com o Instituto J&F, a companhia mantém iniciativas que vão de faculdade e EJA (educação de jovens adultos) a programas de formação de lideranças. Também acaba de inaugurar uma escola de inglês na Austrália, parte de um programa que já exportou mais de 500 talentos globalmente. “Todo mundo ganha. É aí que o papel do RH fica espetacular: você ajuda a empresa e as pessoas ao mesmo tempo, só fazendo bem o seu trabalho.”

A tecnologia tem sido peça-chave para liderar as estratégias de gestão de mais de 150 mil pessoas no Brasil. No mundo, são 280 mil. Um sistema interno permite que os profissionais sinalizem seus objetivos de carreira e acessem trilhas educacionais personalizadas. Nos últimos dois anos, mais de 70 mil funcionários foram promovidos. “Estamos embarcando inteligência artificial para aumentar a assertividade na seleção.” Só em 2025 a JBS contratou mais de 50 mil profissionais, a partir de 1 milhão de entrevistas. Para garantir o fit cultural, um comitê com voluntários, de operadores a diretores, dá a palavra final nas contratações. “Com tecnologia, ganhamos tempo para fazer aquilo que não dá para delegar para a IA.”

É aí que o papel do RH fica espetacular: você ajuda a empresa e as pessoas ao mesmo tempo, só fazendo bem o seu trabalho.

Fernando Meller

Virada para o RH

Na sua visão, foi isso que permitiu ao RH mudar de patamar. Foi também o que o encantou para assumir a área, além do poder de impactar as pessoas. Em mais de uma década em operações, via o RH como uma área burocrática e processual. Até que assumiu essa cadeira. “Foi amor à primeira vista.” A virada veio em 2015, na Seara, então recém-adquirida pela JBS. Meller entrou como diretor de projetos e, meses depois, foi convidado a liderar a área de recursos humanos. “Levei dois segundos para aceitar o convite.” Na época, a Seara tinha 40 mil funcionários. Hoje, são mais de 90 mil. “As pessoas são, sem dúvida, nosso ativo mais relevante e as grandes responsáveis pelo resultado da empresa.”

Em 2022, sua responsabilidade praticamente dobrou, ao assumir o RH da JBS como um todo. Três anos depois, a empresa registrou receita recorde de US$ 86,18 bilhões. “Tem digitais de todo mundo nesse resultado”, afirma o executivo. “A última linha [do balanço] mostra se estamos fazendo bem o nosso trabalho.”

A JBS e as cadeias produtivas ligadas a ela movimentam o equivalente a 2,1% do PIB brasileiro, segundo um estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), com base em cálculos do biênio 2020-2021. Contando as atividades diretas, as indiretas (principalmente de fornecedores) e o efeito renda (a indução de atividade econômica nas localidades em que atua), a empresa contribui para a geração de 2,7% dos empregos do país. “Na maioria das cidades onde estamos, somos o maior empregador. Percebemos o impacto de tudo o que fazemos”, diz Meller. “Investimos numa fábrica, atraímos pessoas, o município cresce e levamos renda, saúde, segurança e educação para as próximas gerações.”

Confira a entrevista completa no videodcast Forbes Melhores CHROs:

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