Riqueza: os democratas não a entendem

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Os lucros desempenham um papel crucial em uma economia vibrante

A publicação da “lista dos ricos” da Forbes USA aumentará a comichão dos políticos espoliadores, sobretudo dos candidatos presidenciais democratas que seguem a linha “tribute os ricos” e que estão à procura de maneiras fáceis de saquear para financiar suas fantasias socialistas.

Se você desse ouvidos a esses aspirantes à Casa Branca, acharia que as pessoas da nossa lista de 400 são como o Tio Patinhas, personagem da Disney que fica sentado em seus caixotes de dinheiro repletos de moedas, notas, ouro e joias. Tribute isso e pronto! Você terá todo esse lucro para seus projetos de estimação. Não é bem assim… Observe o que as pessoas dessa lista possuem de fato e você logo verá que apenas uma pequena parte dos ativos delas corresponde a dinheiro disponível. Qualquer um que já teve uma casa ou um carro pode atestar a diferença entre bens e dinheiro.

Um imposto sobre a riqueza significaria menos riqueza para tributar. Tributar a simples posse de bens e valores mobiliários torna-os menos valiosos, por definição. Muitos teriam de vender ativos para pagar o imposto sobre aquilo que possuem.

O valor de um ativo, especialmente financeiro, pode ser fortemente influenciado pela saúde da economia. Os esquemas radicais de regulamentação e impostos (regulamentos são uma forma de tributação que hoje nos custa quase US$ 2 trilhões, cifra superior ao o PIB da maioria dos países) propostos pelos democratas fariam a economia desacelerar até quase parar. Isso, por sua vez, faria as receitas tributárias cair muito abaixo das expectativas. Apesar de milhares de anos de experiência, esses picaretas da política pressupõem, arrogantemente, que regras caras e onerosas e impostos mais altos não afetam a capacidade das pessoas de fazer negócios.

Os impostos sobre a riqueza seriam um ataque sem precedentes à privacidade das pessoas e fariam as transgressões das chamadas Faang (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) parecerem delitos inocentes. Os burocratas do governo teriam o direito de exigir listas de todos os seus ativos – assim como o direito de examinar sua casa, suas instalações de armazenagem, suas contas de corretagem, suas contas bancárias e todo o resto – para determinar se você ultrapassou o limiar do imposto sobre a riqueza. Com um clique, eles teriam acesso aos registros de tudo o que você comprou ou vendeu. Esse é o caminho para a servidão.

O lucro é bom, não ruim

Os democratas (assim como alguns republicanos) não entendem o papel crucial que os lucros desempenham em uma economia vibrante. Os planos deles de aumentar os impostos sobre a renda, as empresas, a folha de pagamento e a morte, sem mencionar novas cobranças, como uma taxa sobre as emissões de carbono, trariam um futuro sombrio, pois esses impostos prejudicariam gravemente as principais fontes de capital: a poupança e os lucros. Sem investimento, a economia estagnará. Como frisou o lendário economista Joseph Schumpeter, o lucro é essencial para o progresso. Ele é, na verdade, uma despesa empresarial. Ele financia as expansões e o custo das melhorias de produtividade. É ele que deve substituir o capital destruído pelas novas tecnologias. A internet, por exemplo, eliminou dezenas de bilhões de dólares em riquezas preexistentes no ramo de jornais e revistas. A maioria das startups fracassa, consumindo economias. Empresas naufragam constantemente, destruindo capital. Schumpeter reconheceu que os sucessos do comércio devem não apenas cobrir suas próprias despesas e recompensar seus investidores, mas também recuperar os custos dos empreendimentos malsucedidos.

“O LUCRO É ESSENCIAL PARA O PROGRESSO.” Joseph Schumpeter

Capital abundante para startups é essencial para a descoberta e o desenvolvimento de novos produtos e serviços que
melhorem os padrões de vida futuros. Como experimentos realizados em laboratório, as startups, a pesquisa e o desenvolvimento são essenciais para a aquisição de novos conhecimentos que nos permitirão avançar.

O lucro também fornece informações fundamentais sobre as preferências das pessoas. Um produto ou serviço de alta margem atrairá concorrentes, que, por sua vez, oferecerão aos compradores uma versão melhorada e/ou mais barata.

O PIB é a medida errada para avaliar a economia

Há muito tempo, somos levados a crer que a melhor medida do tamanho e da saúde de uma economia é o PIB (Produto Interno Bruto). Não é. Trata-se de uma imagem muito incompleta e, sem dúvida, enganosa de como uma economia opera de fato. Um quadro muito mais abrangente, realista e esclarecedor do que o PIB é a PB – produção bruta – ou, como é chamada na Grã-Bretanha, produção total. É como a diferença entre um raio X e uma tomografia computadorizada.

O PIB é o valor de todos os serviços e produtos acabados dentro das fronteiras de um país. É equivalente ao lucro bruto de uma empresa, o chamado resultado financeiro. Mas o PIB ignora receitas e despesas. Nenhum analista de valores mobiliários faria isso ao avaliar uma empresa! Em contraposição, a PB inclui as etapas necessárias para criar esses produtos e serviços. Avaliado desse modo, o tamanho da economia dos EUA é superior a US$ 45 trilhões, bem acima dos US$ 21 trilhões atualmente utilizados. A PB é um barômetro muito mais sensível, ela mostra imediatamente quando a produção e o investimento estão crescendo ou minguando.

O renomado economista Mark Skousen defende há muito tempo o uso da PB. Ele usa como exemplo uma xícara de café. O PIB deixa de fora o cultivo e a colheita do grão de café, seu processamento e transporte e, finalmente, o preparo que proporciona a bebida a você.

Graças à pressão implacável e erudita de Skousen, o Gabinete de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês de Bureau of Economic Analysis), que compila as cifras do PIB dos Estados Unidos, passou a publicar o valor da PB a cada trimestre. Mas há um enorme – e imperdoável – porém: a PB trimestral é publicada mais de três meses depois da estimativa inicial do PIB, praticamente garantindo que a mídia a ignore. Por que o BEA faz isso? Porque a PB destrói a reinante ortodoxia econômica keynesiana, que dá primazia ao consumo, e não à produção.

O presidente Trump deveria ordenar imediatamente ao BEA para sair da letargia e divulgar a PB junto com o PIB.

Steve Forbes, Editor-chefe da Forbes

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