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Vocação Para Agricultura Coloca o Brasil entre Líderes Globais

Há 24 anos, o país já dava sinais claros de ter na atividade agrícola uma de suas maiores aptidões

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A vocação do Brasil na produção de alimentos está definida para a nova ordem mundial, especialmente após a globalização nos anos 2000. O desafio, com a sinalização de uma reorganização em que os países buscam uma menor dependência externa está em mirar em qual será seu posicionamento para 2050, levando o País a participar definitivamente do jogo mundial decisório, já que tem nas mãos a aptidão intrínseca de garantir segurança alimentar ao mundo. Isso precisa ser pensado e articulado hoje.

Presente no livro de Thomas Friedman, “O mundo é plano”, uma análise da revolução digital descreve que as forças tecnológicas, a bolha das “pontocom” em meados do ano 2000, criaram um mundo plano, globalizado. Empresas de telecomunicação realizaram planos incrivelmente ambiciosos de “conectar o mundo”, estendendo cabos de fibra óptica pelo fundo dos oceanos, e esse excedente de conectividade significou que os custos das ligações telefônicas, conexões de internet e transmissão de dados caíram drasticamente. Iniciou-se a era da otimização de custos por meio de tecnologia, inovação e mão de obra globalizada.

Traduzindo em números, em um mundo com 8.221 bilhões de pessoas, 6.645 bilhões ou 81% usam a internet, e o Brasil tem 213 milhões celulares e 84% população com acesso internet, confirmando que o Brasil é um país com alta conectividade. Como outra consequência, a globalização, com sua crescente integração econômica e tecnológica, intensificou a competição entre países e a necessidade de definição de vocações, buscando vantagens competitivas e fortalecendo a posição de cada país na economia mundial, deixando evidente suas vocações.

A definição das vocações econômicas dos países é um processo dinâmico e complexo, influenciado por uma variedade de fatores históricos, geográficos, econômicos e sociais. Países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha, Japão e Suíça se destacam pela indústria de transformação de alta tecnologia, serviços de ponta e inovação. Países emergentes, como Brasil, China e Índia, concentraram-se na agricultura, mineração, indústria de transformação e serviços, por sua disponibilidade de recursos naturais, clima e localização geográfica.

Há cerca de 24 anos, o Brasil já demonstrava sinais claros de ter na agricultura uma de suas maiores vocações, os recursos naturais e vantagens comparativas como extensão territorial e clima tropical, biodiversidade, investimento P&D, criação da Embrapa, com seu papel fundamental na adaptação de tecnologias, desenvolvimento de cultivares e manejo de solos tropicais.

Isso rendeu ao Brasil, por volta de 2001, o aumento da produtividade e a expansão da fronteira agrícola, inclusive para áreas como o Cerrado, antes considerado menos produtivo. Aliado a isso, havia um Plano Agrícola e Pecuário que destinava recursos para a produção, resultando nas crescentes exportações de grãos e carnes.

Como o Brasil se consolidou por sua vocação, ele tem a oportunidade de se posicionar definitivamente como um potencial player internacional. Para isso, as instituições precisam pensar como serão, por exemplo, os centros de pesquisa, as agências e as instituições de 2050. Que Embrapa precisamos em 2050?

Isso porque “nova revolução industrial” se dará na base da segurança energética e da sustentabilidade, com um componente extremamente relevante a urgência e a escala da insegurança alimentar, estes fatores serão os principais motores da inovação tecnológica das mudanças econômicas e das transformações sociais nas próximas décadas.

Em um cenário de insegurança e instabilidade geopolítica, a competição por recursos energéticos e a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos alimentares podem intensificar conflitos. A soberania em segurança e autonomia nesses setores é uma prioridade para muitas nações.

A globalização está perdendo a sua força, os países estão se desacoplando e as grandes nações dando as cartas. O Brasil vai assistir esse jogo ou vai participar dele? Com o trunfo de sua vocação, o Brasil precisa estar preparado para esse futuro, garantindo sua participação ativa no cenário internacional.

É preciso construir uma visão, um plano de ação e pavimentar o caminho para que o Brasil se posicione definitivamente como um dos principais atores do agronegócio mundial nesta nova revolução industrial.

Esse avanço depende unicamente de as lideranças do País valerem-se dessa vocação para planejar políticas públicas, investimento em infraestrutura e educação, buscar acordos bilaterais e ter o bloco do Mercosul como um aliado estratégico, nessa nova reorganização. Estar de olhos abertos para esse futuro faz com que as corretas decisões sejam tomadas agora.

* Nina Plöger é presidente do FMA. Empresária do setor de reflorestamento, cultiva café sustentável. É formada em administração e pós-graduada em economia e em governança e compliance. Integra o Comitê Sustentabilidade da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), é membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp; do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL) e do Movimento Empresarial pela Inovação (MEI), da CNI. 

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