1. Início
  2. /
  3. Forbes Agro
  4. /
  5. Cientistas Propõem Criação de Observatório Global da Biodiversidade do Solo
Forbes Agro

Cientistas Propõem Criação de Observatório Global da Biodiversidade do Solo

Iniciativa de pesquisadores da Embrapa e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) busca padronizar indicadores dos solos em escala mundial

4 min

Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e outras instituições internacionais, propuseram a criação de um observatório global da biodiversidade do solo. Chamada de Glosob (Global Soil Biodiversity Observatory), a iniciativa foi detalhada em artigo na revista Nature Ecology and Evolution e pretende estabelecer um sistema unificado de monitoramento dos organismos que vivem no solo, responsáveis por regular funções ecológicas essenciais e que representam cerca de 59% da biodiversidade mundial.

“Hoje, os dois indicadores globais que tratam do solo, a agrobiodiversidade e carbono orgânico, não capturam a complexidade das interações biológicas que sustentam funções ecossistêmicas fundamentais”, afirma George Brown, pesquisador da Embrapa Florestas (PR) e um dos autores do estudo.

O objetivo é padronizar os indicadores utilizados internacionalmente e apoiar os países no desenvolvimento de capacidades técnicas para observar e conservar a biodiversidade subterrânea. A proposta deve servir como base para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, ampliando o conhecimento sobre os impactos das mudanças climáticas e do uso intensivo da terra sobre esses ecossistemas.

Cinco pilares estruturam o Glosob

A estrutura do Glosob será baseada em cinco eixos:

  • Padronização de métodos de medição da biodiversidade do solo;
  • Inclusão desses indicadores em levantamentos e sistemas nacionais de informação;
  • Apoio institucional, financeiro e técnico para países com menor capacidade instalada;
  • Conscientização sobre o papel dos organismos do solo nos serviços ecossistêmicos;
  • Compartilhamento de práticas e modelos políticos e legais voltados à proteção do ecossistema solo.

A expectativa é que o observatório permita a criação de mapas globais e bancos de dados padronizados, além de ajudar na identificação de áreas críticas para conservação. “Regiões subestimadas no monitoramento atual poderão ser priorizadas, o que torna o projeto mais representativo globalmente”, afirma Maria Elizabeth Correia, da Embrapa Agrobiologia (RJ).

Abordagem colaborativa

A proposta prevê ainda a integração de povos indígenas, agricultores, formuladores de políticas públicas e especialistas técnicos. As ações locais devem ser acompanhadas por um comitê internacional de especialistas específicos para o contexto de cada região. A capacitação técnica será um dos principais instrumentos para garantir participação equitativa entre os países.

“Nem todos os países têm estrutura para monitorar a biodiversidade do solo, e isso dificulta análises globais mais robustas”, explica Correia. A ideia é que conselhos consultivos e plataformas digitais garantam continuidade e adaptação ao longo do tempo.

Avanços e próximos passos

A proposta foi formalmente aprovada durante a 12ª reunião do Global Soil Partnership da FAO, realizada em 2024 com a presença de mais de 900 representantes de 143 instituições. A publicação do artigo na Nature é vista pelos cientistas como um impulso importante para ampliar o debate e mobilizar os países signatários da Convenção da Biodiversidade (CBD) rumo à implementação do Glosob em escala nacional e regional.

A expectativa é que na Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP 17), em 2026, os países apresentem planos de adesão à iniciativa. O plano de ação do Glosob prevê quatro etapas, com conclusão estimada até 2030.

Segundo a pesquisadora Cintia Carla Niva, da Embrapa Suínos e Aves (SC), o Brasil está bem-posicionado para liderar parte dos esforços. “Temos uma base científica sólida sobre biodiversidade do solo nos trópicos, e muitos especialistas da área estão na Embrapa”, afirma. Brown complementa: “A experiência acumulada pela Embrapa pode contribuir tanto para o avanço nacional quanto para apoiar ações internacionais de monitoramento.”

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.