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Supermercados Avançam Pouco na Oferta de Ovos Livres de Gaiolas, Mostra Estudo da Alianima

Levantamento anual aponta que 79% das redes têm até 2028 para cumprir o compromisso público de transição, mas poucas relatam evolução e o custo segue como principal entrave

5 min

O setor supermercadista brasileiro segue enfrentando dificuldades para cumprir os compromissos de bem-estar animal assumidos com relação à venda de ovos. É o que mostra o relatório 59 2025 – Segunda Edição, divulgado nesta terça-feira (15) pela organização Alianima. O estudo analisou o grau de engajamento de 17 redes varejistas e atacadistas que se comprometeram publicamente a comercializar apenas ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas até, no máximo, 2030.

Apesar de quatro empresas (Casa Santa Luzia, Empório Varanda, Cia Beal de Alimentos e St. Marche) já terem concluído a transição para o modelo livre de gaiolas, 79% das redes seguem com metas a serem cumpridas até 2028. A taxa de resposta ao questionário da Alianima foi de 41%, acima dos 26% registrados em 2024, mas ainda considerada baixa diante da urgência do tema. O estudo avaliou o percentual de ovos vendidos nos novos sistemas e a transparência das redes e o cumprimento dos prazos assumidos.

“É fundamental que o primeiro passo para demonstrar transparência com as políticas assumidas seja manter o compromisso público e reportar anualmente seus avanços, para consumidores, fornecedores e toda a sociedade”, afirma Maria Fernanda Martin, gerente de relações corporativas e bem-estar animal da Alianima.

De acordo com o relatório, Carrefour, GPA e Hippo não evoluíram na porcentagem de ovos livres de gaiolas em relação à edição anterior. Outras, como Big Box e Grupo DIA, que haviam reportado dados em 2024, não o fizeram este ano. Além disso, cinco redes — incluindo Záffari, Oba Hortifruti e Mercadinhos São Luiz — não apresentaram nenhum dado público ou resposta à Alianima, o que impede acompanhar seu estágio de transição.

O  Brasil possui 160 compromissos públicos de empresas dos setores de alimentação e hotelaria com a meta de utilizar ou vender exclusivamente ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas até 2030.  Mas o fato é que entre as redes que informaram seus avanços, os percentuais variam bastante. Enquanto Carrefour alcançou 39% de vendas de ovos cage-free, o GPA permanece em 44% e a rede Pague Menos subiu de 35% para 46%. No outro extremo, supermercados como Savegnago, Sonda, Super Muffato e Grupo Mateus seguem sem qualquer compromisso firmado. Em 2024, o setor supermercadista representou 9,12% do PIB nacional, atendeu mais de 30 milhões de consumidores em mais de 424 mil lojas.

Logística, preço e demanda regional

O principal entrave apontado pelas empresas segue sendo o custo mais elevado dos ovos livres de gaiolas. O tema foi citado por todos os supermercadistas respondentes, refletindo o impacto de fatores como o aumento no preço de insumos (milho e soja) e a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), que afetaram os custos de produção em 2024.

A logística de abastecimento também é um desafio, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Segundo o Carrefour, há escassez de fornecedores com volume, abrangência e regularidade suficientes nessas áreas. Já o GPA destaca a baixa demanda local como fator que desestimula a mudança dos produtores.

“A pressão da sociedade civil e o engajamento de algumas empresas mostram que há caminhos possíveis. Mas para que o mercado de ovos livres de gaiolas avance de forma consistente, é preciso que os compromissos saiam do papel e ganhem escala, com transparência, metas claras e envolvimento de toda a cadeia, do produtor ao ponto de venda”, diz Maria Fernanda.

Rankings: quem lidera e quem ficou para trás

No ranking do varejo, as quatro redes com nota máxima (A+) foram Casa Santa Luzia, Empório Varanda, Festval/Super Beal e St. Marche. O Hippo aparece na sequência com nota A, enquanto GPA e Carrefour registraram A-. Já redes como Oba Hortifruti (D) e grandes players como Savegnago, Sonda e Supermercados BH receberam nota F, por não apresentarem compromissos nem evolução.

No caso da Oba, a empresa disse à Forbes que assumiu o compromisso público de comercializar apenas ovos provenientes de galinhas livres de gaiolas (sistema cage free) em todas as suas operações no Brasil até 2028. Atualmente, 85% dos ovos vendidos na rede já atendem a esse critério, incluindo 100% da linha de marca própria. Os 15% restantes, da categoria jumbo, também estão em processo de transição. A iniciativa foi firmada em parceria com a ONG Mercy For Animals.

No ranking da Alianima, entre os atacadistas, o Atacadão (Grupo Carrefour) lidera com nota B+, com 3,33% de ovos livres de gaiolas em suas vendas totais. Arena Atacado e Giga/Mercantil Atacado aparecem logo atrás, com nota B, mas sem divulgação clara dos percentuais. O Assaí, embora não tenha compromisso firmado, reportou 7,3% de ovos cage-free, mostrando evolução mesmo sem política formal.

O estudo também avaliou o grau de conhecimento dos supermercadistas sobre selos de certificação em bem-estar animal. Sete em cada dez afirmam conhecer ao menos uma certificadora, sendo a Certified Humane a mais citada. No entanto, a percepção dos consumidores ainda é limitada. Uma pesquisa interna do Carrefour indicou que, embora os selos tenham boa receptividade, o preço mais alto dos ovos certificados inibe a compra.

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