Vocês sabiam que o brasileiro tem acesso à carne mais barata do planeta? Não? Então vem comigo que eu vou te contar um pouco mais sobre isso. O Brasil ocupa a quarta posição no consumo per capita de carne bovina, mesmo ocupando no ranking global de PIB per capita a posição 87. Isso é impressionante, dada a nossa condição de país em desenvolvimento.
Então, por que isso acontece? Vamos fazer mais uma comparação. O salário mínimo norte-americano compra 3,4 cestas básicas, enquanto o brasileiro compra 2,01. Então, novamente, a gente se pergunta como é possível que o Brasil esteja apenas uma posição abaixo dos Estados Unidos no ranking de consumo de carne bovina, quando eles detêm um PIB per capita oito vezes maior?
Eles consomem 39 quilos de carne por habitante, por ano, e no Brasil é 34,5 mais ou menos. A resposta está no preço relativo da carne brasileira, que é a mais barata do mundo, tanto nominalmente quanto relativamente à renda.
Então vamos começar pela comparação entre os preços da produção pecuária. Quando a gente analisa o preço do boi gordo em diferentes países, já olhamos de cara que o Brasil possui o preço mais baixo do mundo. Às vezes dá uma invertida com um ou outro país, mas, na média, o Brasil tem um preço 14% mais baixo do que os principais exportadores globais e em 2025 o nosso preço ficou 21% mais barato. Então esse é o ponto da produção, do custo da produção da pecuária brasileira, pensando em preço por arroba.
No atacado, a tendência se repete. O preço médio da carcaça de boi desossado e seus produtos subjacentes custa R$ 339,17 por arroba, no Brasil. Nos EUA, essa mesma carcaça custa US$ 2.237. Então, para a gente trazer isso para a acessibilidade do consumidor e aí sim, aí de fato falar se o consumidor brasileiro paga mais barato ou não, é preciso colocar em perspectiva não somente esses preços nominais, mas também o poder de compra do americano e do brasileiro de baixa renda.
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Então vamos lá, salário mínimo no Brasil, R$1.518 por mês. O do norte-americano está em torno de R$ 5.420 por mês. Vamos adicionar mais um país na lista, para a gente fazer uma comparação ainda mais rica? Na China, o salário médio é de R$ 1.557, muito parecido com o brasileiro. Agora, olha só o que acontece no varejo dos respectivos países. Vamos pegar o corte de acém, que é um corte de dianteiro, mais barato, mais popular. Aí, trazendo esse corte para o salário mínimo, o poder de compra da população que tem vivido do salário mínimo.
Enquanto o acém é vendido no Brasil, em média, por R$ 38,99 o quilo, na China ele é comercializado por R$ 66,70 o quilo. Considerando que os salários mínimos desses dois países são bastante similares, já deu para ver que o brasileiro tem mais poder sobre a compra da carne do que o chinês. Nos EUA, o acém é comercializado por R$ 102,88 o quilo, em média. Então, vamos comparar com os salários mínimos. Quantos quilos de acém se compra com o salário no Brasil?. Aqui são 19,26 quilos. Nos Estados Unidos, 15,57 e na China 12,01.
Então, além de o Brasil ter uma forte cultura de consumo de carne, tem uma carne mais acessível relativamente à nossa renda de classe baixa. E por que isso ocorre? Custos de produção locais, logísticos, tarifários, quebra computada no transporte, muitas dessas coisas não incidem, porque o Brasil não tem que importar essa carne e os nossos custos locais são muito baixos, dado o potencial produtivo do Brasil. Esses são alguns dos motivos pelos quais os brasileiros consomem tanta, quase tanta carne quanto um americano.
Nossa carne é muito barata, muito competitiva. E é claro, tem o fator cultural. Na China, por exemplo, consumir carne bovina é uma relativa novidade, apesar de agora ter caído no gosto também do chinês.
Mas, imaginem agora, se o brasileiro pudesse evoluir economicamente, o que aconteceria? Será que a gente chegaria naquele consumo per capita que a Argentina já teve na sua época áurea: 70 quilos per capita? São 70 quilos por habitante por ano, enquanto no Brasil são 34 kg; o Uruguai hoje está em torno de 53 kg. Para isso, nós teríamos que apressar ainda mais a evolução tecnológica para atender a demanda interna e com toda certeza isso poderia ser feito sem derrubar uma árvore sequer, apenas ampliando, como já está acontecendo, a recuperação de áreas de pasto degradadas e convertendo-as em áreas mais produtivas e rentáveis.
É por isso que o mundo tem tanto medo da produção brasileira, porque o país tem um potencial gigantesco produtivo dentro de uma área já consolidada, e tem como se tornar muito mais eficiente dentro do que é o nosso custo. A nossa competitividade é altíssima e o brasileiro paga mais barato por isso.