1. Início
  2. /
  3. Forbes Agro
  4. /
  5. Estudo Inédito Mostra Que Estoque de Carbono no Bioma Deixa o Pantanal Mais Verde
Forbes Agro

Estudo Inédito Mostra Que Estoque de Carbono no Bioma Deixa o Pantanal Mais Verde

Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, com apoio da Embrapa e da Acrimat, quantifica o potencial na Bacia do Alto Paraguai e reforça a relevância ambiental e produtiva do bioma

4 min

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) apresentou, nesta semana, os resultados do Atlas do Estoque de Carbono em Formações Vegetais da Bacia do Alto Paraguai – Mato Grosso (Carbopan), em parceria com a Embrapa Gado de Corte e a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). O levantamento científico estimou o estoque de carbono nas fitofisionomias que compõem o Pantanal, mostrando o papel do bioma como ativo ambiental estratégico para o Brasil.

O estudo foi desenvolvido pelo Centro de Estudos de Fronteira (Cefront), da UEMS, sob coordenação do professor Fábio Ayres, com apoio técnico da Embrapa e da Acrimat. Participaram da apresentação o reitor da universidade, Laércio de Carvalho, os pesquisadores da Embrapa Luiz Orcírio e Rodiney Mauro, e o presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.

Com base em imagens de satélite Landsat, sensoriamento remoto e geoprocessamento, os pesquisadores caracterizaram 59 localidades da porção norte da Bacia do Alto Paraguai (BAP), incluindo áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O trabalho utilizou técnicas de classificação híbrida — automatizada e manual — e validação em campo para determinar a cobertura vegetal e o uso do solo.

Os resultados indicam que as formações nativas e as áreas manejadas sustentavelmente armazenam elevados volumes de carbono por hectare. Municípios como Poconé (33,42 toneladas por hectare) e Barão de Melgaço (28,78 toneladas por hectare) estão entre os que apresentam maiores estoques.

“O aumento do estoque de carbono é estratégico porque mantém o carbono fixado na vegetação e no solo, reduzindo emissões e abrindo espaço para o mercado de carbono”, afirma Ayres.

“A conservação do Pantanal promove resiliência ecológica, segurança hídrica e fortalecimento da economia local, sem abrir mão da biodiversidade.”

A pesquisa aponta que o manejo tradicional da pecuária extensiva, praticado em áreas de pastagens nativas, é compatível com a manutenção dos estoques naturais de carbono. “Conservar o Pantanal é garantir uso sustentável e equilíbrio ecológico”, diz Ayres. Segundo ele, a integração ambiental entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é essencial, já que a Bacia do Alto Paraguai ultrapassa fronteiras estaduais.

O Atlas fornece base científica para o planejamento territorial sustentável, valoração de ativos ambientais e formulação de políticas públicas voltadas à mitigação das mudanças climáticas. “O Pantanal se consolida como ativo ambiental relevante nas discussões globais sobre carbono, fortalecendo o protagonismo do Brasil nas metas da COP30”, afirma o pesquisador.

Base técnica para novos mercados

De acordo com Rodiney Mauro, da Embrapa, o conhecimento detalhado dos estoques de biomassa e carbono é indispensável para a inserção do Pantanal nos mecanismos internacionais de compensação climática. “Projetos de créditos de carbono e de desenvolvimento limpo exigem dados concretos sobre a dinâmica e o potencial de sequestro de carbono. Essa informação passa a estar disponível para orientar políticas e investimentos”, diz.

Para o presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., o estudo confirma a vocação produtiva e sustentável da pecuária pantaneira. “O produtor da região sempre conciliou criação de gado e conservação ambiental. A pesquisa comprova que o manejo extensivo, com a vegetação nativa em pé, é parte essencial das soluções climáticas do País.”

Ciência aplicada ao território

Os pesquisadores afirmam que o modelo de levantamento pode ser replicado em outras regiões da Amazônia Legal e do Cerrado, criando uma base de dados integrada para mensuração de carbono em diferentes biomas. A metodologia estabelece parâmetros técnicos para estimar o potencial de fixação de carbono em sistemas agropecuários tropicais e apoiar o acesso dos produtores rurais a novos instrumentos financeiros ambientais.

“O Pantanal mostra que conservar e produzir não são ações opostas, mas complementares”, resume Ayres. “O carbono que permanece na vegetação é o mesmo que assegura água, biodiversidade e renda no campo.”

Tags: Pantanal, Carbono, Embrapa, UEMS, Acrimat, Bacia do Alto Paraguai, Pecuária Sustentável, Biodiversidade, Geoprocessamento, Sensoriamento Remoto, Clima, COP30, Mercado de Carbono, Produção Agropecuária, Mato Grosso.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.