A Kynetec, empresa global especializada em pesquisas para o agronegócio, divulgou o FarmTrak Bioinsumos 2024/25. O estudo aponta que os defensivos de base biológica movimentaram R$ 4,35 bilhões na atual safra, avanço de 18% sobre 2023/24.
“Produtores buscam meios inovadores para complementar o manejo e também registramos uma enxurrada de novas marcas e produtos biológicos na safra”, afirma Felipe Abelha, especialista em pesquisas da Kynetec, com operações em 30 países e com dados provenientes de 80 mercados. No Brasil, controla a Spark Inteligência Estratégica e a MQ Solutions.
A área potencial tratada com biológicos passou de 21,9% para 46,7% nos principais cultivos em cinco anos.
“Em Goiás e no Mato Grosso, grandes estados produtores, os índices de adoção já superam 50% da área cultivada”, afirma Abelha.
O FarmTrak Bioinsumos 2024/25 foi elaborado a partir de 13 mil entrevistas presenciais com produtores em todas as regiões de expansão agrícola do país.
O levantamento mostra que seis culturas concentram praticamente todo o uso de bioinsumos no país. A soja lidera com 48% do total e R$ 2,088 bilhões. Milho verão e segunda safra respondem por 31% e R$ 1,35 bilhão. Cane-de-açúcar aparece com 12% e R$ 522 milhões, seguida por algodão (4% e R$ 174 milhões), café (3% e R$ 130 milhões) e hortaliças-frutíferas (2% e R$ 87 milhões).
Abelha destaca que os bioinsumos já correspondem a quase 5% do mercado brasileiro de proteção de cultivos, que gira em torno de R$ 100 bilhões ao ano. O segmento multiplicou por quase quatro seu tamanho desde 2020, quando movimentava cerca de R$ 1 bilhão. “Na soja, em cinco anos as vendas avançaram de R$ 560 milhões para R$ 2 bilhões. No milho segunda safra, o salto foi de R$ 100 milhões para R$ 1,1 bilhão”, diz.
Segundo ele, a resistência crescente de pragas e doenças aos químicos, a variação de preços dos insumos convencionais e um processo regulatório mais simples explicam a expansão dos biológicos. Exigências internacionais associadas à segurança de alimentos também influenciam esse movimento.
O Brasil ocupa posição estratégica no avanço global dos bioinsumos. A combinação de área agrícola extensa, diversidade climática e rápida adoção de tecnologias coloca o país entre os mercados mais dinâmicos do mundo em biológicos. Apesar de ainda menor em valor absoluto que Estados Unidos e União Europeia, por exemplo, o Brasil cresce em ritmo superior à média internacional, amplia portfólio, atrai investimentos e consolida uso em culturas de grande escala.
Categorias em destaque
Os bionematicidas permanecem na liderança em 2024/25, com 44% do mercado e R$ 1,926 bilhão, acima dos R$ 1,573 bilhão de 2023/24. Os bioinseticidas vêm em seguida, com 39% e R$ 1,687 bilhão. Os biofungicidas completam o ranking, com 17% e R$ 735 milhões, frente aos R$ 491 milhões da temporada passada.
“Bionematicidas permaneceram na dianteira, principalmente os produtos formulados a partir de Bacillus spp”, explica Abelha. Ele ressalta que as vendas da categoria cresceram R$ 711 milhões em cinco anos. “Nematicidas biológicos se consolidaram como principal solução no controle de nematoides, à frente dos químicos.”
O estudo também mostra avanço expressivo dos biofungicidas. Eles representaram 21% da área potencial tratada com biológicos no país, estimada em 83 milhões de hectares. “Em valor, a categoria cresceu 41%”, afirma. “Manchas e ferrugens impulsionaram a demanda, com destaque para a ferrugem da soja.”
Nos bioinseticidas, ganharam espaço os produtos para controle de lagartas, sobretudo os formulados com baculovírus. “A pesquisa observou escape de pragas e maior pressão de lagartas em grandes culturas, ligada à menor efetividade das biotecnologias de última geração usadas no país”, diz Abelha.
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