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Importação de Carne Cresce nos EUA e Põe Origem do Produto no Centro do Debate

As 300 mil toneladas que podem entrar no país correspondem a cerca de 2% de seu consumo doméstico

5 min

As primeiras importações das 300 mil toneladas de carne bovina isentas de tarifas que, segundo o presidente Donald Trump, serão vendidas aos consumidores dos Estados Unidos com desconto começaram a entrar no país nesta terça-feira (1), em meio às preocupações dos consumidores com a segurança dos alimentos e às críticas de pecuaristas americanos, que afirmam ser mais importante do que nunca que os compradores optem por produtos de carne de origem nacional.

Na semana passada, Trump anunciou um plano para reforçar a oferta de carne bovina nos Estados Unidos por meio da suspensão das tarifas sobre 100 mil toneladas de carne bovina por mês durante três meses. A carne importada, que se aplica apenas a um determinado tipo de carne bovina que será utilizada como componente da carne moída, será então vendida com desconto de 25% em relação ao preço corrente de importação, segundo a Casa Branca. A medida aumentou a preocupação dos consumidores com a carne em um momento de crescimento, em nível nacional, dos problemas relacionados à segurança dos alimentos.

Os consumidores estão preocupados principalmente com a possibilidade de a carne estrangeira “com desconto” significar menor fiscalização sanitária e qualidade inferior, enquanto especialistas afirmam que a política tarifária dificilmente reduzirá de maneira significativa os preços nos supermercados e prejudicará os pecuaristas americanos que tentam recompor a oferta doméstica de gado.

NÚMERO EM DESTAQUE

As 300 mil toneladas de carne bovina correspondem a cerca de 2% do consumo doméstico total de carne bovina dos Estados Unidos.

O QUE EXATAMENTE ESTÁ SENDO IMPORTADO?

2%.

Aparas de carne bovina magra. O gado americano produz carne com alto teor de gordura e, para produzir carne moída padrão, como 80/20 ou 90/10, os processadores domésticos precisam misturar carne bovina americana mais gordurosa com carne muito magra. Como a disponibilidade doméstica de bovinos com carne magra está nos menores níveis já registrados, os processadores estão comprando aparas magras no exterior.

DE ONDE ELA ESTÁ VINDO?

Trump não diz. Ele afirmou a jornalistas que “há alguns países” envolvidos.

COMO OS CONSUMIDORES ESTÃO SENDO ORIENTADOS SOBRE CARNE BOVINA NOS ESTADOS UNIDOS

Selos com as inscrições “Product of USA”, ou “Produto dos Estados Unidos”, e “Made in the USA”, ou “Fabricado nos Estados Unidos”, significam que o produto vem exclusivamente de animais nascidos, criados, abatidos e processados nos Estados Unidos.

Outros selos que os consumidores podem procurar trazem as inscrições “Born, Raised, and Harvested in the USA”, ou “Nascido, Criado e Abatido nos Estados Unidos”, ou “American Grassfed Association (AGA) Certified”, ou “Certificado pela American Grassfed Association (AGA)”.

Se a carne bovina for importada ou misturada, a lista de países de origem aparecerá em letras pequenas perto da tabela nutricional ou da lista de ingredientes.

Os consumidores também podem verificar os selos ovais de inspeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que apresentam o número do estabelecimento. Esse número pode ser pesquisado pela internet para identificar exatamente a unidade em que a carne bovina foi processada.

PARA NÃO SE SURPREENDER

Uma carne que traga no rótulo a informação de que foi “embalada” ou “processada” nos Estados Unidos pode facilmente ter vindo de outro país. Essa carne bovina pode ter sido criada e abatida em outro lugar e depois cortada ou reembalada em uma unidade nos Estados Unidos.

Selos com as inscrições “USDA Prime/Choice/Select” também não têm relação com o país de origem da carne. Eles indicam categorias de qualidade com base no marmoreio de gordura e na maciez.

A carne bovina importada processada em uma unidade inspecionada pelo USDA ainda pode receber uma classificação de qualidade e um selo do USDA.

AS IMPORTAÇÕES VÃO REDUZIR O PREÇO DA CARNE BOVINA?

Provavelmente não. Economistas agrícolas afirmam que a flexibilização das tarifas sobre a carne bovina terá impacto insignificante sobre o valor pago pelos consumidores no caixa.

David Anderson, da Texas A&M University, afirmou que os processadores de carne poderão comprar carne bovina mais barata, mas que as reduções de preço provavelmente não chegarão às prateleiras do varejo.

Glynn Tonsor, economista agrícola da Kansas State University, afirmou que a medida ajudará um pouco na oferta, mas considera que o governo Trump está exagerando o impacto que as importações terão sobre os preços.

PRINCIPAIS CRÍTICOS

O plano de Trump para a carne bovina recebeu fortes críticas de todos os lados. Parlamentares republicanos e representantes de importantes estados agrícolas afirmaram que as importações prejudicarão os pecuaristas americanos, que já enfrentam dificuldades em um momento em que o rebanho bovino do país está no menor nível em 75 anos.

A senadora Deb Fischer, republicana de Nebraska, afirmou que inundar o mercado com importações estrangeiras prejudica a cadeia doméstica de abastecimento. O senador John Barrasso, republicano de Wyoming, afirmou que as importações tornarão mais difícil “para os pecuaristas de Wyoming alimentar os Estados Unidos”.

O senador Tim Sheehy, republicano de Montana, afirmou que vinha alertando Trump “contra esse rumo de ação há um ano” e disse que o presidente está afastando os pecuaristas americanos, a maioria dos quais é formada por “republicanos MAGA”.

A United States Cattlemen’s Association afirma que os sistemas de inspeção de alimentos do país não conseguirão lidar com um aumento tão grande das importações em um período tão curto.

A organização R-CALF USA afirma que os rebanhos estrangeiros frequentemente estão sujeitos a diferentes padrões de manejo, rastreabilidade e exigências ambientais.

Publicado originalmente em Forbes EUA

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