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Inteligência Artificial É “Imbatível” em Algumas Tarefas, Mas Não Substituirá Advogados, Diz Sócio Gestor do Pinheiro Neto

Fernando Alves Meira detalha os impactos da tecnologia na rotina dos advogados e os bastidores da parceria com a Athié Wohnrath

5 min

Para Fernando Alves Meira, sócio-gestor do Pinheiro Neto, a Inteligência Artificial (IA) é “imbatível” nas tarefas mais repetitivas e maçantes da advocacia e da área jurídica, no entanto isso não representa um redesenho amplo das corporações — somente muda, em partes, o escopo de quem está no mercado e para os novos entrantes.

“Os casos mais complexos vão sempre continuar exigindo advogados. A maior parte do nosso tempo é devotada à conversa com o cliente, ao entendimento do cliente, a tentar buscar soluções, a negociações, mais do que à produção de documentos. A IA produz documentos com uma eficiência destacada, é uma grandiosíssima ferramenta. Aqueles que estão sabendo usar mais estão extremamente gratos e veem um valor incrível”, avalia Fernando, em participação no Forbes Cast.

Esse cenário, segundo o advogado do Pinheiro Neto, causou uma resistência nas novas gerações em um primeiro momento.

Seu conselho para essa parte do público é claro: “Vocês não podem ficar paralisados ou resistindo; vocês têm que fazer o oposto: se engajar, se adaptar e acreditar que isso é benéfico. […] Todo mundo vai estar usando inteligência artificial, e tem coisas que a inteligência artificial faz muito melhor: tarefas maçantes, repetitivas, ela é imbatível. Não tem como você imaginar que faça sentido continuar usando recursos humanos e não recursos tecnológicos.”

O panorama fez com que o próprio escritório de advocacia discutisse, junto às diretorias das faculdades de Direito, treinamentos focados em IA voltados para engenharia de prompt, desenvolvimento de ferramentas.

Nesse sentido, acredita que o estagiário “não necessariamente vai ser substituído, mas vai ter que saber usar rapidamente, absorver esse conhecimento.”

“A gente continua trazendo um número significativo de estagiários todos os anos. Baixou um pouco em relação aos períodos de maior número, mas eu acho que é mais por conta do cenário macro, da redução do volume de negócios, da situação do Brasil e do mundo, do que por conta da inteligência artificial neste momento”, observa.

A mudança de CEP e o vínculo com a Athié Wohnrath

Hoje localizado na Rua Hungria, o escritório do Pinheiro Neto ocupou, por anos, um edifício no Centro de São Paulo. Em meio à decadência da região central da cidade em anos passados, os advogados decidiram pela mudança para um prédio monousuário após um debate amplo entre os sócios — marca registrada da companhia.

Atualmente o Pinheiro Neto soma mais de 1 mil colaboradores, com 118 sócios. À época da mudança eram pelo menos 60 e, pela cultura da casa, há horizontalidade. Nenhum dos sócios tem mais poder do que o outro, e aos poucos foi se construindo o consenso.

“O escritório sempre foi muito ligado ao centro de São Paulo. O doutor Pinheiro era alguém que participava de todas as associações do centro para tentar renascer o centro, ganhar a relevância que um dia teve. A despeito de todos os esforços que foram feitos, […] sem atuação pública não viabilizou a oxigenação do centro, e a gente viu uma degradação acontecendo a olhos vistos”, conta Fernando.

“Teve muito embate interno, até que foi feito um convencimento de que a gente precisava sair do centro, de que era um investimento que precisava ser feito no futuro do escritório”, segue.

No final, o veredito foi uma reafirmação de um dos valores da companhia — de que o interesse do escritório sempre deve se sobrepujar ao interesse individual dos sócios e colaboradores.

“A gente busca perenidade, tem que fazer o que é certo para o negócio, e o escritório retribui em dobro aquilo que a gente faz por ele.”

O novo local foi feito pela Athié Wohnrath, empresa de arquitetura corporativa líder na América Latina. Durante o projeto, a Athié Wohnrath montou mock-ups no prédio para que sócios e equipes de tecnologia visitassem as salas e opinassem.

“Foi uma maneira de trazer as pessoas para o mesmo lado da mesa, mesmo aquelas que, a princípio, achavam que era uma decisão errada”, afirma Sérgio Athié, um dos fundadores da Athié Wohnrath, em participação no Forbes Cast.

O projeto incluiu um andar para clientes com vista, um deck com chopeira, um restaurante e uma réplica da sala do fundador Pinheiro Neto, com o mobiliário original, na biblioteca.

Passados 20 anos dessa mudança, Fernando Alves Meira avalia o resultado: “O escritório atingiu o objetivo de ser atemporal. Estamos há 20 anos lá, passaram por algumas atualizações, e o prédio continua nos atendendo plenamente.”

A companhia ainda expandiu sua operação para um andar no Shopping Eldorado, também projetado pela Athié Wohnrath.

De forma conservadora desde o início das medidas de flexibilização, o Pinheiro Neto manteve uma exigência de frequência presencial.

“É um escritório que trabalha presencialmente, então o espaço físico é muito importante para nós”, diz Fernando, que relata que 75% dos integrantes vão ao escritório os cinco dias da semana, apesar de a regra ser de quatro dias presenciais e um remoto.

A Athié Wohnrath foi fundada em 1994 por Sérgio Athié e Ivo Wohnrath. O Pinheiro Neto completa 85 anos em 2027.

Assista ao episódio completo no YouTube da Forbes Brasil:

*BrandVoice é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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