Petlove prepara expansão omnichannel no país com parcerias para pontos físicos

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Marcio Waldman, fundador e CEO da Petlove: mercado ainda é mal explorado

A pandemia pode ter causado um pânico generalizado no mundo dos negócios, mas alguns deles se deram conta, rapidamente, que o momento poderia ser ideal para expandir. É o caso da Petlove, plataforma de venda de produtos pet criada pelo médico veterinário Marcio Waldman há 21 anos – quando a internet chegou ao país – e pioneira no país no serviço de assinaturas.

O empreendedor conta que, no dia 13 de março, recebeu um telefonema de Felipe Cunha, CEO da Vetsmart – empresa de tecnologia que desenvolve aplicativos e sites para médicos veterinários adquirida pela Petlove em setembro do ano passado – convidando-o para uma conversa com os profissionais, até então bastante assustados com os possíveis impactos do isolamento social sobre seus serviços e, consequentemente, sobre a continuidade dos negócios. A preocupação fazia sentido. Nessa primeira conversa, muitos relataram quedas entre 50% e 70% no movimento das clínicas.

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Waldman revela que já vinha pensando em implementar um sistema de white label – conceito que, no ambiente digital, passa por soluções que ajudam micros e pequenas empresas a venderem online, sem precisar investir no desenvolvimento de um comércio eletrônico proprietário – para parceiros, sejam eles hospitais, clínicas ou petshops do país todo.

“Dada as circunstâncias, achei que era o momento ideal. Com a ferramenta, essas empresas podem, em cinco minutos, criar seu e-commerce customizado, vender os seus próprios produtos e os 15 mil itens do portfólio da Petlove para os seus clientes e ganhar uma porcentagem”, explica Waldman, que batizou a inciativa de Arca de Noé. Em menos de quatro meses, a iniciativa já contabiliza 2.300 parceiros, que não precisam se preocupar com centro de distribuição para estoque, meios de pagamento, entregas ou pós-venda. “Dentro do tão falado omnichannel [estratégia de multicanal], isso é o endless shelf, ou seja, a prateleira infinita”, diz ele, explicando que a ideia é ampliar esse número para 10 mil em um futuro próximo.

A próxima jogada do empreendedor – que recebeu investimentos de R$ 250 milhões do Softbank em abril e outros R$ 125 milhões do L Catterton em junho, ambos em plena pandemia – é apostar em pontos físicos. Para isso, Waldman vai acompanhar de perto a operação dos petshops parceiros e selecionar alguns deles para funcionar como um posto avançado da Petlove em algumas cidades. Mais uma vez, a proposta é ampliar os canais disponíveis, com o ship from store – delivery dos produtos a partir das lojas, sem dependência dos centros de distribuição – e o click and collect – retirada no ponto físico das compras feitas pela web. “Nós vamos reformar as fachadas, oferecer as condições para o serviço de banho e tosa e fornecer a infraestrutura tecnológica, incluindo sistema de gestão”, diz Waldman, que começou a empreitada por Belo Horizonte. “Com essa operação, produtos que antes demoravam três dias para chegar estão sendo entregues em três ou quatro horas para os clientes da cidade.”

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As próximas escolhas – tanto de parceiros, quanto de cidades – será feita com base na qualidade e no prazo de entrega. Ou seja, localidades onde o tempo ainda está alto têm mais chance de entrar no radar.

Com a pandemia, outras oportunidades surgiram. Em São Paulo, por exemplo, o aumento da demanda por veterinários em domicílio fez com que a empresa criasse uma rede de parceiros e desenvolvesse, então, um marketplace de serviços, apoiado na base atual da Petlove, que só de assinantes ativos está em 205 mil – volume que cresce 100% de um ano para o outro e representa 60% do negócio como um todo. Em 2020, a expectativa é faturar R$ 550 milhões.

“Minha ideia sempre foi ter uma plataforma completa, que oferecesse, além dos produtos, serviços de veterinário e de petshops, dog walking, hospedagem, enfim, um canal único onde os donos de animais de estimação pudessem resolver tudo”, explica Waldman. “Essa facilidade e a democratização do acesso vai ao encontro do que me propus desde o início: proporcionar bem-estar aos animais.”

Sobre a concorrência – que tem aumentado nos últimos anos, com a oferta de um número cada vez maior de serviços em domicílio e marketplaces –, Waldman é categórico ao dizer que há mercado para todos. A expectativa é que o setor fature R$ 40 bilhões em 2020 contra R$ 36 bilhões em 2019, de acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB).

“Esse segmento ainda é mal explorado”, diz, citando alguns exemplos. Produtos como antipulgas e vermífugos ainda são utilizados por uma parcela muito pequena dos 132 milhões de pets que vivem nos lares brasileiros. Ração, segundo o empresário, é consumida por apenas metade dessa população. “No caso dos serviços, principalmente no que diz respeito a consultas preventivas, a adesão é minúscula. Além da possibilidade enorme de crescimento, eu, pessoalmente, acredito que precisamos estimular a saúde e não a doença. Tem espaço pra todo mundo.”

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