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Kristen Bell Fala sobre Nova Temporada de “Ninguém Quer” e Indicações Ao Emmy

Em entrevista à Forbes, atriz e produtora executiva comenta bastidores e reflete sobre sucesso da série da Netflix

6 min

Ao longo de mais de 20 anos de carreira, Kristen Bell se consolidou como um dos rostos mais conhecidos de Hollywood. Com papéis em produções como “Veronica Mars”, “Gossip Girl”, “The Good Place” e “Frozen”, a atriz agora concentra sua energia na série de comédia “Ninguém Quer“, cuja segunda temporada estreou nesta semana na Netflix.

Na trama, Bell interpreta Joanne, uma podcaster de espírito livre que se envolve com Noah, um jovem rabino vivido por Adam Brody. Enquanto eles exploram o romance, familiares e amigos questionam a durabilidade da relação, e diversos obstáculos surgem pelo caminho.

Além de atuar, Kristen Bell também é produtora executiva da série, criada por Erin Foster. O projeto rendeu à atriz as duas primeiras indicações ao Emmy de sua carreira — nas categorias de “Melhor Atriz em Série de Comédia” e “Melhor Série de Comédia”. A premiação aconteceu em setembro deste ano.

A seguir, os destaques da entrevista com Kristen Bell, de “Ninguém Quer”

Forbes: Como foi ser indicada ao Emmy com essa série, apesar de não ter vencido a premiação?

Kristen Bell: É muito empolgante saber que as pessoas se conectam com a série — e fico ainda mais feliz por ver o programa como um todo sendo reconhecido. Há muito envolvido em fazer um ambiente de produção florescer criativamente. Estou longe de ser a única responsável, mesmo na minha atuação. Saber que o público se conecta à história e que ela está sendo reconhecida dessa forma me deixa feliz por todo o grupo — por toda a nossa família — que colocou sangue, suor e lágrimas criativas nesse projeto.

Por que você acha que “Ninguém Quer” tem tocado tanto o público?

Acho que Erin Foster descobriu algo especial sobre a escrita hiper-realista e se comprometeu totalmente com isso. Mesmo quando algumas pessoas diziam que não havia enredo suficiente, ou sugeriam tornar a série “maior”, ela manteve a convicção de que o programa devia parecer pequeno, cotidiano — algo que pudesse acontecer com você, com seu vizinho, com sua amiga ou com seu parceiro.

Eu mesma, no início, tive dificuldade em digerir esse hiper-realismo. Estava nervosa, achando que não havia ação o bastante, e constantemente recorria à Erin para acalmar meus medos. Mas, quando percebi que ela escreve de um jeito que dá aos atores liberdade para brincar entre as falas e adicionar nuances, pensei: “Essa mulher é brilhante e vai entrar para a história”. Acho que Erin será uma referência. No futuro, em reuniões de cinema e TV, as pessoas vão dizer “tem uma vibe Erin Foster”. assim como hoje dizem “é meio Tim Burton”, “meio John Hughes” ou “meio Wes Anderson”.

A série aborda temas contemporâneos, como diferenças religiosas e o boom dos podcasts. O quanto notícias do mundo real influenciam as escolhas narrativas?

Não diria que é algo premeditado. A série é moderna e escolhe situações modernas. O podcast da personagem é hoje um trabalho real, além de um ótimo recurso para comédia. O universo dos relacionamentos mudou drasticamente nos últimos cinco ou dez anos, e ninguém entende isso melhor que a Erin, porque ela observa o mundo. Tenho pelo menos dez amigas cansadas dos aplicativos, buscando amor — no fim dos 30, começo ou meio dos 40 — e está difícil lá fora. Tudo isso vem da cabeça da Erin. Ela tem o dedo no pulso do momento. É antenada, social, atualizada, detalhista e, ao mesmo tempo, intelectual e muito engraçada. Isso cria um caldo perfeito para todos nós saborearmos.

Seu colega de elenco Adam Brody também foi indicado ao Emmy. Como é trabalhar com ele?

Esta deve ser a terceira ou quarta vez que Adam e eu trabalhamos juntos, e ele é um prazer absoluto de se ter por perto. É um dos poucos atores que nunca parece estar recitando falas. Ele é tão natural que não só te mantém atenta: ele quase te tira do eixo, no melhor sentido, porque está simplesmente conversando com você.

Ele também é o tipo de parceiro que, se um copo se quebra no meio da cena, uma caneta cai ou um de nós está com mostarda no rosto, ele incorpora isso naturalmente ao momento, e isso me dá liberdade para fazer o mesmo.

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Divulgação/NetflixKristen Bell e Adam Brody em “Ninguém Quer”

Como vocês garantiram que a segunda temporada não seguisse um rumo previsível?

Tivemos a sorte de contar com Jenni Konner e Bruce Eric Kaplan nesta temporada, ajudando Erin a comandar esse mega show. Todos trouxeram experiências diferentes e valiosas. Erin teve a ideia original e a visão; Jenni e Bruce trazem anos de estrada.

Lembro de estar na sala dos roteiristas e ouvir a Erin dizer: “Queremos realmente dar ao público o que ele quer. Não estamos interessados em manter a série tão fresca a ponto de virar outra coisa.” Há um motivo pelo qual as pessoas assistem e se conectam a esses personagens: eles parecem familiares, reais, e têm um toque de sonho realizado.

Tínhamos uma infinidade de ideias para explorar, porque todo mundo já passou pelo momento dos três meses de relacionamento — quando é hora de apresentar os amigos, conhecer as famílias, dividir a casa e lidar com as manias que antes pareciam fofas, mas agora irritam. Escolher os momentos mais íntimos e engraçados foi o verdadeiro norte da sala dos roteiristas.

Por que vocês escolheram filmar “Ninguém Quer” em Los Angeles?

Decidi não trabalhar fora de Los Angeles desde que meus filhos nasceram, porque não queria desestabilizar o ambiente deles. Foi uma decisão arriscada, mas valeu a pena. Tenho muito orgulho de usar minha influência dessa forma, sabendo que minha equipe, que amo e respeito, pode voltar para casa todas as noites com suas famílias.

Também filmamos em horários humanos, o que foi uma prioridade. Acho importante manter Los Angeles como a capital mundial do cinema. Isso vai além do trabalho: está ligado ao turismo e ao motivo pelo qual as pessoas vêm ver o letreiro de Hollywood.

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