Como esteticista de celebridades, a agenda de Ian Michael Crumm é repleta de eventos de beleza, lançamentos de produtos, jantares de marcas ou encontros com a imprensa para conhecer as últimas novidades do setor. Ele estava acostumado a ser, muitas vezes, o único homem na sala e decidiu mudar isso criando o Boys in Beauty, que acaba de ser lançado oficialmente.
“Boys in Beauty é um coletivo de membros e um movimento cultural que conecta competência em beleza à masculinidade moderna”, diz Crumm. “Queremos ser o epicentro da conversa sobre beleza masculina, trazendo à tona os estigmas e padrões que existem na sociedade. Como nós, enquanto indústria — e também enquanto sociedade — podemos ir além disso? Seja algo tão simples quanto homens irem ao dermatologista para examinar a pele e falar sobre proteção solar. Como incentivamos mais pessoas a pensar na saúde da pele? A beleza às vezes é vista como algo fútil, superficial ou feminino, mas beleza é para todos. A beleza começa com a saúde. Beleza é cuidar de si, força interior, confiança e gentileza.”
O Boys in Beauty é um clube exclusivo para homens que fazem parte do ecossistema da beleza — desde profissionais que trabalham em marcas até criadores de conteúdo e prestadores de serviço. A anuidade inclui masterclasses virtuais regulares e eventos presenciais, com foco inicial em Nova York. Os membros também terão acesso exclusivo a conteúdos curados, anúncios antecipados de programação e experiências selecionadas com parceiros à medida que o coletivo cresce.
No futuro, eventos como jantares e encontros com coquetéis também serão oferecidos. O Boys in Beauty conta com um conselho consultivo totalmente feminino, e várias dessas integrantes irão conduzir as masterclasses.

Os interessados podem se inscrever em boysinbeauty.com. “Já tivemos um forte interesse inicial, e essas pessoas estão sendo notificadas de que o processo de candidatura para membros está oficialmente aberto”, afirma Crumm. “A entrada acontecerá em ondas curadas, e não por admissão contínua.” Haverá um limite de membros. “Embora o número exato possa evoluir, o Boys in Beauty foi intencionalmente criado para não ser ilimitado. Limitar o número de participantes garante que a experiência permaneça pessoal, valiosa e orientada pela comunidade, em vez de diluída.”
Clube Exclusivo e Inclusivo
Crumm trabalhou no lançamento por pouco mais de um ano e meio. “O que começou como conversas informais com homens de toda a indústria da beleza — fundadores, profissionais e criadores — revelou a mesma necessidade central: conexão e comunidade”, diz ele. “Essas conversas também trouxeram à tona um estigma social mais amplo que ainda afeta a confiança dos homens em usar produtos de beleza e falar abertamente sobre isso. O Boys in Beauty foi criado como resposta direta a essa lacuna.”
No fim das contas, a comunidade é a base do Boys in Beauty. “Quero que os membros se sintam genuinamente conectados uns aos outros e a um movimento maior que normalize a participação dos homens no universo da beleza, sem hesitação”, afirma Crumm. “Por meio do coletivo, buscamos conduzir a indústria e o público a mais confiança, clareza e inclusão, para que os homens se sintam bem-vindos a se relacionar com a beleza da forma que for mais autêntica para eles.”

Um dos pilares do Boys in Beauty é a inclusão. O clube acolhe qualquer pessoa interessada em beleza — desde quem está começando uma rotina de cuidados com a pele até homens que já adotaram totalmente o uso de maquiagem. “Homens interessados em beleza devem se sentir confiantes de que tudo isso se trata de autocuidado”, diz Crumm.
“Autocuidado não é fraqueza. Autocuidado é força. Se você não estiver bem, como vai cuidar de outra pessoa? Todos temos pele. Todos temos cabelo. Todos queremos nos sentir bem — seja protegendo a pele com protetor solar ou usando um pouco de corretivo sob os olhos porque acordou cansado. Todos devem sentir que podem participar disso — não há nada de gênero nisso.”
Os elementos visuais do Boys in Beauty — incluindo site, redes sociais e logotipo — refletem essa postura acolhedora. “A estética foi pensada para ser sofisticada e cultural, com referências a clubes privados, institutos e espaços como museus de arte, salas de concerto e casas de ópera — lugares onde ideias, criatividade e comunidade se encontram”, explica Crumm. “Optamos por uma paleta em tons de bordô profundo para transmitir força e calor. O ícone do leão foi intencional. Em várias culturas, os leões são associados à força e à confiança, mas muitas vezes são retratados de forma agressiva. Nosso leão é calmo e bem-comportado. É uma releitura da masculinidade moderna — forte, porém equilibrada — e serve como símbolo da voz coletiva masculina que estamos construindo com o Boys in Beauty.”
O Boys in Beauty foi pensado para ter a sensação de um clube privado. “Não é um ‘você não pode sentar aqui’ — é um ‘por favor, sente-se conosco’”, diz Crumm. “Queremos que todos se sentem conosco, mas mantendo um certo padrão: é preciso estar alinhado com a missão, chegar com boas intenções. Todos precisam agir com gentileza. O ambiente deve ser muito acolhedor e reflexivo.” É exclusivo e inclusivo ao mesmo tempo.

Outro objetivo do Boys in Beauty é educar — e é aí que entram as masterclasses. Conduzidas por especialistas, a cada mês elas abordarão um tema diferente, como publicidade, relações públicas ou treinamento para mídia, entre outros. Embora nunca tenhamos tido tanta informação disponível graças às redes sociais e à IA, Crumm observa que pode ser difícil filtrar tudo isso e encontrar fontes confiáveis. “A população feminina cresceu em uma sociedade que ensinou como fazer x, y e z em maquiagem e cuidados com a pele, porque isso foi muito condicionado — e às vezes até em excesso. Já os homens, em sua maioria, tiveram apenas 1% disso”, afirma. O Boys in Beauty pretende ser esse recurso.
“O Boys in Beauty não se trata de dizer aos homens como eles devem se apresentar — trata-se de dar permissão para que eles se apresentem como já são”, diz Crumm. “A beleza é apenas a linguagem comum. O que estamos construindo é um espaço de confiança, conexão e progresso cultural.”