A Marcopolo é mais do que uma fabricante de ônibus. Aos 77 anos, a empresa brasileira nascida em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, é uma companhia global de mobilidade, com fábricas no Brasil, Argentina, Colômbia, México, África do Sul, China e Austrália, presença em mais de 140 países e atuação em cinco continentes.
“A nossa visão é ser protagonista em soluções de mobilidade nos mercados em que atuamos”, afirma André Armaganijan, CEO da Marcopolo. Para ele, o papel da empresa vai além do produto. “Não é só desenvolver ônibus. É ajudar a desenvolver sistemas de mobilidade para as cidades.”
Essa ambição combina escala internacional e adaptação local. Segundo Armaganijan, a Marcopolo aprendeu que cada país exige uma resposta diferente. “O segredo é proximidade com o mercado. As estradas, as regras, a tecnologia e as necessidades mudam de lugar para lugar.” Hoje, mais de 40% das vendas de ônibus na América Latina são da companhia, que também tem presença relevante na África, Austrália, Oriente Médio e começa a avançar em mercados como Estados Unidos e Europa.
A base dessa expansão está na engenharia. “Nós não somos apenas um fabricante de ônibus. Somos uma empresa de engenharia”, diz o CEO. O Brasil segue como o principal centro de desenvolvimento, conectado a estruturas menores em outros países. Essa rede permite criar plataformas globais, mas com customização para mercados específicos.
A transição energética é um dos maiores desafios. A Marcopolo já vendeu mais de 1.500 ônibus elétricos no mundo, em projetos com parceiros europeus, asiáticos e também com solução própria. Mas a estratégia não se limita à bateria. “Não haverá uma única resposta para a descarbonização”, afirma Armaganijan. “O elétrico veio para ficar, mas híbrido, biometano, hidrogênio e etanol também terão espaço.”
O híbrido a etanol é um exemplo dessa lógica. Para a empresa, a solução conversa com a matriz brasileira, reduz emissões e evita uma barreira central da eletrificação: a falta de infraestrutura de recarga em muitas regiões.
A Marcopolo também começou a avançar para outros modais. Nos trilhos, já desenvolveu projetos como o turístico Trem dos Pampas, composições em operação no Chile e soluções em Teresina. “Foi um movimento de complementaridade”, diz o CEO. “A conexão entre ônibus e trem é natural dentro da mobilidade.”
Outra frente é a inteligência artificial. Nos produtos, a tecnologia já aparece em sistemas capazes de monitorar a fadiga do motorista e apoiar soluções de conforto, como a distribuição de ar dentro do veículo. Internamente, a IA ajuda a simplificar processos de engenharia, compras e gestão. “Ela é uma ferramenta de simplificação, agilidade e competitividade.”
Para Armaganijan, o futuro da Marcopolo passa por ampliar tecnologia sem perder o foco. “O nosso core continua sendo transporte massivo”, afirma. “Mas temos o papel de protagonizar discussões que melhorem a mobilidade nas cidades.”
A estratégia é usar engenharia brasileira, presença global e múltiplas fontes de energia para disputar uma transformação que já começou. “Temos plenas condições de ajudar a melhorar a mobilidade no Brasil e no mundo”, diz o executivo.
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