A WNBA, a liga feminina de basquete dos Estados Unidos, iniciou sua 30ª temporada na última sexta-feira (8), mas, ao longo dessas três décadas, nunca viveu nada parecido com o Golden State Valkyries, dentro ou fora de quadra. No ano passado, as Valkyries se tornaram a primeira franquia de expansão da história da liga a chegar aos playoffs em sua temporada inaugural e esgotaram os ingressos para todos os 22 jogos em casa, estabelecendo um recorde da liga com média de público de 18.064 pessoas.
Ao fim da temporada regular, o Golden State havia gerado US$ 78 milhões em receita, não apenas quebrando outro recorde da WNBA, mas também superando mais da metade dos clubes de uma liga masculina mais madura, a MLS. Ao entrar em sua segunda temporada, as Valkyries aumentaram os preços e, ainda assim, conseguiram ampliar sua base de sócios de temporada em 2.000 lugares, chegando a 12.000, provando que ainda há espaço para crescer – e ajudando a equipe a disparar para o topo entre os times mais valiosos da WNBA, avaliada em estimados US$ 780 milhões.
As Valkyries, porém, não são as únicas em contra-ataque financeiro. A temporada 2025 da WNBA também registrou as três receitas seguintes mais altas da história da liga – US$ 58 milhões do Indiana Fever, US$ 43 milhões do New York Liberty e US$ 34 milhões do Las Vegas Aces, segundo estimativas da Forbes – e agora nenhum time vale menos de US$ 250 milhões.
Na verdade, sete franquias superam em valor os clubes mais valiosos de qualquer outra liga feminina do mundo – incluindo o Angel City FC, número 1 da NWSL com US$ 340 milhões – e as 13 equipes já existentes da WNBA, excluindo o Portland Fire e o Toronto Tempo, que começam a jogar nesta temporada, valem coletivamente quase US$ 5,4 bilhões.
Colocando esse grande número de outra forma, os times da WNBA agora são avaliados, em média, em US$ 414 milhões, alta de 52% em relação aos US$ 272 milhões de 2025. Nos 29 anos em que a Forbes avalia times esportivos profissionais, apenas um ranking publicado já mostrou crescimento anual melhor: os 74% da NBA na temporada 2014-15, após a compra do Los Angeles Clippers por Steve Ballmer por US$ 2 bilhões redefinir o mercado para as franquias.
A WNBA não teve um único ponto de inflexão como esse, mas seu embalo vem crescendo. Há sete anos, o Liberty foi vendido por um valor reportado entre US$ 10 milhões e US$ 14 milhões, e o Aces saiu por US$ 2 milhões em 2021. Agora, o bilionário Tilman Fertitta tem um acordo para comprar o Connecticut Sun por um valor reportado de US$ 300 milhões – colocando o time na 11ª posição do ranking de valuations da Forbes – com planos de levá-lo para Houston, onde ele já é dono do Rockets, da NBA.
As taxas de expansão também dispararam, dos US$ 50 milhões que os donos das Valkyries, Joe Lacob e Peter Guber, teriam pago em 2023 para os US$ 250 milhões que Cleveland, Detroit e Philadelphia concordaram em desembolsar no ano passado por franquias que entrarão em quadra em 2028, 2029 e 2030, respectivamente. Pelo menos dois dos novos grupos também trouxeram recentemente investidores adicionais a valuations ainda mais altos – US$ 290 milhões para Cleveland e US$ 325 milhões para Detroit – segundo a Sportico.
Esses ganhos pareceram ameaçados nos últimos meses em meio a tensas negociações do acordo coletivo de trabalho entre a WNBA e o sindicato das jogadoras, com estrelas como Napheesa Collier, ala do Minnesota Lynx, criticando publicamente a comissária Cathy Engelbert e a liderança da liga. As partes evitaram uma paralisação, porém, e chegaram a um acordo em março que, por meio de um novo modelo de divisão de receitas, mais do que quadruplica o teto salarial nesta temporada, para US$ 7 milhões, e eleva os salários das jogadoras no topo da escala para US$ 1,4 milhão, ante cerca de US$ 250 mil em 2025.
As mudanças vão pesar nos balanços dos times, mas os executivos com quem a Forbes falou estavam, em geral, otimistas de que o crescimento contínuo das receitas, tanto nacional quanto localmente, manterá as franquias no caminho da lucratividade – um objetivo que alguns clubes, ao contrário de certas equipes masculinas mais estabelecidas, já estão alcançando. “A conta fecha”, diz uma fonte da liga sobre a realidade financeira sob o novo acordo coletivo. “Os dois lados sentem que esse acordo é sustentável.”
Tendências mais amplas de valuations de equipes estão alimentando a ascensão da WNBA, com os preços nas grandes ligas masculinas chegando a patamares tão estratosféricos que investidores desesperados para entrar no esporte começaram a olhar para oportunidades mais acessíveis em ligas emergentes. Mas o basquete feminino tem seus próprios ventos a favor.
Claro, há o chamado Efeito Caitlin Clark, a alta de popularidade da WNBA atribuída à armadora All-Star desde que ela foi draftada pelo Fever em 2024. Mas pessoas do setor se apressam em apontar que a trajetória ascendente do jogo profissional começou quando Clark ainda estava na University of Iowa e, embora sua presença em quadra continue impulsionando a venda de ingressos por toda a liga, o 2025 recordista da WNBA – temporada em que Clark perdeu 31 dos 44 jogos por causa de lesões – foi um importante sinal de que o sucesso da liga não depende dos ombros de uma única jogadora.
O público total da temporada regular saltou 34% em relação ao ano anterior, para 3,15 milhões, segundo o Sports Business Journal, e a audiência subiu 3% nos jogos transmitidos por ABC, ESPN, CBS e ION, para média de 969 mil, dando à WNBA seu melhor resultado desde 1998 e superando com folga a média da NHL em jogos televisionados nacionalmente. Nas finais, a audiência média da WNBA na TV subiu para 1,5 milhão, e chegou a 2,7 milhões em um jogo da semana de abertura com Clark e outra superestrela, Angel Reese.
Esses aumentos acontecem à medida que a liga inicia nesta temporada seu novo pacote nacional de direitos de mídia por 11 anos, um conjunto de acordos inicialmente avaliado em US$ 2,2 bilhões – média de US$ 200 milhões por ano, supostamente seis vezes o valor do antigo acordo com a ESPN – e que foi elevado para US$ 3,1 bilhões graças a novos contratos com CBS, ION e Versant. A ESPN também passará a exibir jogos da WNBA em horário nobre como parte de sua nova faixa “Women’s Sports Sundays”, e um recorde de 216 jogos e eventos da liga serão exibidos nacionalmente em 2026, incluindo todos os 44 jogos do Fever.
Ao longo do novo acordo coletivo de trabalho, espera-se que o calendário da temporada regular aumente para 52 jogos, contra 44, criando mais inventário para vender a emissoras e também a compradores de ingressos. E, embora o foco principal da WNBA continue sendo o crescimento doméstico – por exemplo, os gastos com patrocínio subiram 45% em 2025, segundo a SponsorUnited -, ela também começa a pensar globalmente. A estreia do Tempo nesta temporada abre o mercado canadense, com a Bell Media assumindo os direitos de mídia no país, e tanto Engelbert quanto Adam Silver, comissário da NBA, que detém 42% da WNBA, expressaram o desejo de ver jogos disputados fora da América do Norte. Além disso, novas regras permitirão que times da WNBA façam parceria com dois patrocinadores estrangeiros e se promovam nos países de origem dessas empresas.
“Não consigo dizer quantos interessados externos recusei educadamente no último ano”, diz um coproprietário de equipe sobre o cenário de investimentos em meio ao boom dos negócios, “muitos deles oferecendo entrar, sem nem olhar, em números muito acima das taxas de expansão de US$ 250 milhões”. Em sinal desse otimismo, a Forbes avalia as 13 franquias já existentes da WNBA em 12,5 vezes sua receita média da temporada regular de 2025 – múltiplo que fica ligeiramente abaixo das 12,9x da NBA, mas supera com folga NFL (10,7x), NHL (8,9x), MLS (8,9x) e MLB (7x), assim como a NWSL (11,1x).
No topo do ranking da WNBA, o Golden State é avaliado em um relativamente modesto múltiplo de 10 vezes sua receita de 2025, em meio ao ceticismo de banqueiros e investidores sobre alguém pagar um prêmio por uma franquia quando muitos rivais da liga ainda estão apenas começando a ganhar tração. Mas, mesmo com essa nota de cautela, as expectativas para as Valkyries são altas.
“Elas têm uma base de sócios de temporada que parece a de um time da NBA”, diz uma fonte da liga. “A receita delas é real. Elas serão o primeiro time feminino do esporte avaliado em US$ 1 bilhão, com certeza.”
Os times de basquete feminino dos EUA mais valiosos em 2026
1. US$ 780 milhões – Golden State Valkyries
Variação em um ano: n/a | Receita: US$ 78 milhões | Proprietários: Joe Lacob, Peter Guber
2. US$ 600 milhões – New York Liberty
Variação em um ano: 50% | Receita: US$ 43 milhões | Proprietários: Joe Tsai e Clara Wu Tsai
3. US$ 580 milhões – Indiana Fever
Variação em um ano: 57% | Receita: US$ 58 milhões | Proprietário: Herb Simon
4. US$ 430 milhões – Seattle Storm
Variação em um ano: 30% | Receita: US$ 28 milhões | Proprietários: Lisa Brummel, Ginny Gilder, Dawn Trudeau
5. US$ 425 milhões – Phoenix Mercury
Variação em um ano: 42% | Receita: US$ 28 milhões | Proprietário: Mat Ishbia
6. US$ 420 milhões – Las Vegas Aces
Variação em um ano: 35% | Receita: US$ 34 milhões | Proprietário: Mark Davis
7. US$ 350 milhões – Los Angeles Sparks
Variação em um ano: 49% | Receita: US$ 28 milhões | Proprietário: Mark Walter
8. US$ 340 milhões – Dallas Wings
Variação em um ano: 36% | Receita: US$ 28 milhões | Proprietário: Bill Cameron, Greg Bibb
9. US$ 320 milhões – Minnesota Lynx
Variação em um ano: 39% | Receita: US$ 21 milhões | Proprietários: Marc Lore, Alex Rodriguez
10. US$ 310 milhões – Chicago Sky
Variação em um ano: 29% | Receita: US$ 30 milhões | Proprietário: Michael Alter
11. US$ 300 milhões – Connecticut Sun
Variação em um ano: 50% | Receita: US$ 20 milhões | Proprietário: Mohegan Tribe
12. US$ 280 milhões – Washington Mystics
Variação em um ano: 37% | Receita: US$ 18 milhões | Proprietário: Ted Leonsis
13. US$ 250 milhões – Atlanta Dream
Variação em um ano: 32% | Receita: US$ 16 milhões | Proprietários: Larry Gottesdiener, Suzanne Abair, Renee Montgomery
METODOLOGIA
Para ranquear as franquias mais valiosas da WNBA, a Forbes examinou dados recentes de transações e conversou com mais de duas dúzias de fontes do setor, incluindo executivos de times e da liga, proprietários de equipes e investidores, banqueiros de investimento, assessores e consultores.
Os números de receita são estimados para a temporada de 2025 e arredondados para o US$ 1 milhão mais próximo. Jogos de playoffs foram excluídos dos cálculos de receita.
Os valuations incluem a economia da arena do time, mas não o valor do imóvel da arena em si. As avaliações também levam em conta fluxos auxiliares de receita capturados nas demonstrações financeiras das equipes, como renda com placas de patrocínio ou eventos no centro de treinamento, sem medir diretamente o valor desses outros ativos.
Duas equipes de expansão que começarão a jogar neste ano, Portland Fire e Toronto Tempo, foram omitidas do ranking. Futuros times de expansão em Cleveland, Detroit e Philadelphia – que estrearão em 2028, 2029 e 2030, respectivamente – também foram excluídos.
Não há percentual de valorização listado para o Golden State Valkyries, que não estava no ranking do ano passado por estar em sua temporada inaugural.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com