Ibovespa fecha no azul, mas incertezas domésticas limitam ganhos

O Ibovespa terminou o dia em leve alta, ganhando 0,11% aos 117.623 pontos, em uma sessão volátil e, mais uma vez, de baixo volume de negócios, com investidores apostando na cautela frente as indefinições do Orçamento de 2021 e agravamento da pandemia no país.

Na visão do analista da Terra Investimentos Régis Chinchila, o mercado aguarda definições em pautas relevantes, como Orçamento e medidas contra a pandemia do Covid-19, enquanto assuntos como as reformas administrativa e tributária seguem na fila. “O cenário é de muitas incertezas”, afirmou à agência Reuters.

No fim do dia, pesaram ainda sob o índice brasileiro as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a Petrobras, afirmando que não irá interferir nos preços praticados pela estatal, mas que a política de preços pode mudar.

“É uma empresa (Petrobras) que, mais do que transparência, tem que ter previsibilidade. É inadmissível se anunciar agora, o velho presidente (da Petrobras) ainda, o reajuste de 39% no gás. É inadmissível! Que contratos são esses? Que acordos foram esses? Foram feitos pensando no Brasil?”, indagou Bolsonaro em discurso na cerimônia de posse do novo diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, general João Francisco Ferreira.

Ainda no contexto doméstico, a Câmara dos Deputados concluiu hoje a análise de projeto que flexibiliza as regras para empresas comprarem vacinas contra a Covid-19, reduzindo as exigências para a aquisição de imunizantes pelo setor privado. A proposta, que agora segue para análise do Senado, permite a compra de vacinas por pessoas jurídicas para aplicação gratuita em seus funcionários, exigindo como contrapartida que quantidade igual à adquirida seja doada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O dólar reverteu a queda do início do dia e fechou em alta contra o real nesta quarta-feira, avançando 0,74% e negociado a R$ 5,64 na venda. A recuperação na divisa norte-americana foi intensificada após as novas declarações do presidente sobre a Petrobras.

Apesar do ambiente de riscos, alguns gestores têm considerado os preços do dólar cada vez mais esticados, o que pode aumentar chances de alguma correção num momento em que o Banco Central eleva as taxas de juros.”Sim, reconhecemos que a instabilidade política-econômica, que leva a questionamentos fiscais, tem sido um dos principais canais de desvalorização da moeda (o real)”, disseram gestores da Kinea, lembrando que outro componente dessa equação são os juros reais negativos.

“A normalização dos juros, embora não seja um fator suficiente, é parte necessária para que o real se estabilize e convirja para um patamar mais condizente com a recente melhora nas contas externas”, complementam os gestores.

Em Wall Street, os índices terminaram o dia em campo misto, também com leves variações. A ata da última reunião do Federal Reserve, banco central dos EUA, reforçou o tom de que a política monetária da autoridade deve seguir inalterada, apesar do ganho de tração da atividade econômica.

As autoridades do Fed avaliam que a economia norte-americana permanece longe dos objetivos de longo prazo (do Fed) e que a trajetória à frente continua altamente incerta, reiterando o suporte da política monetária até que a recuperação esteja mais assegurada.

A ata, na visão do estrategista-chefe do Modalmais, Felipe Sichel, mostra conforto com a manutenção dos parâmetros de política monetária adotadas até agora, com a perspectiva de que possíveis alterações ainda não tenham sido discutidas pelo comitê e serão comunicadas com ampla antecedência.

No fechamento, o índice Dow Jones ganhou 0,05% aos 33.446 pontos, o S&P 500 subiu 0,15% aos 4.079 pontos e o Nasdaq recuou 0,07% aos 13.688 pontos. (Com Reuters)

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