O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta terça-feira (1º) o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre . As projeções das instituições financeiras apontam que a economia brasileira continuou crescendo, mas perdeu velocidade após o avanço de 1,1% registrado nos primeiros três meses do ano.
As estimativas variam entre 0,3% e 0,5% na comparação com o primeiro trimestre, considerando os dados com ajuste sazonal. A projeção mais recente do Ministério da Fazenda é mais otimista e aponta expansão de 0,8%.
O Inter espera crescimento de 0,3% diante do primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, a instituição projeta alta de 1,7%.
A Lev prevê avanço de 0,35% na comparação trimestral e de 1,65% na base anual. Para a instituição, a perda de velocidade reforçaria os sinais de que os juros elevados estão sendo transmitidos para a atividade econômica.
A composição do resultado, no entanto, será importante para identificar se a desaceleração veio da demanda doméstica ou de movimentos específicos da agropecuária e da indústria.
A XP projeta crescimento de 0,4% diante do primeiro trimestre e de 1,9% na comparação anual. A estimativa ficou abaixo dos 0,5% calculados anteriormente pelo modelo de acompanhamento da instituição.
Segundo a XP, os serviços devem continuar crescendo, embora em ritmo mais moderado. A indústria também deve avançar, mas com sinais diferentes entre seus segmentos. Já a agropecuária poderá registrar a segunda alta consecutiva, impulsionada principalmente pela produção de soja.
O ASA apresenta a estimativa mais elevada entre as instituições privadas consultadas, com crescimento de 0,5% na comparação trimestral.
“Esperamos crescimento de 0,5% na margem, com ajuste sazonal, no segundo trimestre, uma desaceleração após um início de ano favorecido pela agropecuária e pela indústria extrativa. Apesar de ainda apontar expansão da atividade, o resultado deve confirmar um esfriamento na margem, consistente com a perda de tração observada ao longo dos últimos meses”, afirma Leonardo Costa, economista do ASA.
A projeção mais recente da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda é de crescimento de 0,8%. A estimativa consta do Boletim Macrofiscal de julho e foi elaborada antes da divulgação de parte dos indicadores mais recentes de atividade.
Mesmo que a projeção oficial se confirme, o PIB terá desacelerado em relação ao começo do ano. No primeiro trimestre, a economia cresceu 1,1% e movimentou R$ 3,3 trilhões, segundo o IBGE. O desempenho foi favorecido pela agropecuária e pela indústria extrativa.
Juros devem pesar sobre os próximos trimestres
Os economistas esperam que os efeitos dos juros elevados se tornem mais evidentes ao longo do segundo semestre. A política monetária restritiva encarece o crédito e limita o consumo e os investimentos.
O Inter projeta estabilidade do PIB no terceiro trimestre, com variação de 0% diante dos três meses anteriores.
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, também espera crescimento moderado da economia. Segundo ele, a Selic restritiva, as incertezas externas e as pressões sobre o petróleo ajudam a limitar a atividade. As barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos entram como um risco para o segundo semestre, mas não afetam diretamente o resultado do PIB de abril a junho.
Focus reduz projeção para o PIB de 2026
O Boletim Focus não apresenta uma estimativa para o desempenho trimestral do PIB, mas reúne as projeções do mercado para o crescimento da economia no ano.
No Focus divulgado nesta segunda-feira (31), com data-base de 28 de agosto, a mediana para o crescimento do PIB de 2026 caiu de 1,95% para 1,92%. Há quatro semanas, estava em 1,99%.
O Inter projeta crescimento de 1,8% em 2026, enquanto o ASA espera alta de 2%. A XP também prevê avanço de 2%, e o Itaú BBA estima 1,9%. Santander e Bradesco trabalham com altas de 1,8% e 2%, respectivamente. A projeção do BTG Pactual é de 2%.
O Ministério da Fazenda continua mais otimista. No Boletim Macrofiscal de julho, a pasta manteve em 2,3% a previsão de crescimento neste ano. O governo estima avanços de 2,4% nos serviços, de 2,1% na indústria e de 1,8% na agropecuária.
Projeções apontam desaceleração em 2027
As estimativas disponíveis apontam crescimento ainda mais moderado em 2027. A XP projeta alta de 1%, enquanto o BTG Pactual espera 1,1%. O Santander prevê 1,3%, e Itaú BBA e Bradesco calculam expansão de 1,5%.
A mediana do Focus permaneceu em 1,5%. O Inter apresenta uma estimativa mais elevada, de 1,8%.
O crescimento de 2,56% apresentado pelo governo para 2027 é um parâmetro usado no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, elaborado em abril. Por isso, não representa uma projeção atualizada nas mesmas condições das estimativas mais recentes do mercado.