Uma pesquisa da ChangeNOW constatou que as stablecoins já dominam o volume de transações com criptomoedas em vários países da América Latina, refletindo sua dupla função como reserva de valor e instrumento para pagamentos transfronteiriços. O avanço desses ativos digitais revela como a região tem incorporado novas formas de movimentar e preservar recursos em um cenário marcado por desafios econômicos. À medida que a infraestrutura financeira global se transforma, a América Latina se torna um campo relevante para observar como as finanças descentralizadas respondem às pressões da economia real e às necessidades de seus usuários.
Um Mercado Em Expansão
Entre julho de 2022 e junho de 2025, o mercado latino-americano registrou US$ 1,5 trilhão em volume de transações com criptomoedas. Em 2025, o volume total on-chain chegou a US$ 730 bilhões, equivalente a aproximadamente 10% do total mundial. O relatório também registra US$ 5,6 trilhões em fluxo de stablecoins, US$ 324 bilhões em liquidações com esses ativos e US$ 142 bilhões em transferências anuais.
O uso de criptomoedas na região cresceu 76% em 2025 em relação ao ano anterior. As stablecoins, como USDT e USDC, ganharam protagonismo nesse cenário, combinando a função de reserva de valor com a praticidade dos pagamentos transfronteiriços. O movimento indica uma mudança no papel desses ativos: de alternativa para proteger economias em períodos de instabilidade, eles passam a integrar um ecossistema financeiro mais amplo.
A projeção é que as stablecoins representem entre 65% e 70% das transações com criptomoedas até 2030. Para o mercado global de criptomoedas, a expectativa é de crescimento anual composto de 14,8% entre 2026 e 2033.
Diferenças Entre Os Mercados
O Brasil lidera a adoção regional, com US$ 318,8 bilhões em volume de transações em 2025, participação de 90% das stablecoins e crescimento anual de 109,9%. O país também apresenta alta clareza regulatória, segundo o relatório. Na Argentina, o volume chegou a US$ 93,9 bilhões, com alta de 63%, participação de 61% desses ativos e clareza regulatória média.
O México registrou US$ 71,2 bilhões em volume, crescimento de 52%, participação de 55% das stablecoins e clareza regulatória média. A Venezuela somou US$ 44,6 bilhões, com avanço de 50%, participação de 46% e clareza regulatória baixa. Embora apresentem condições econômicas e regulatórias distintas, os quatro mercados apontam para uma tendência comum: as stablecoins ocupam um espaço cada vez mais relevante nas transações digitais da América Latina, tanto como instrumento de proteção financeira quanto como meio de movimentação de recursos entre países.
Fatores De Impulso Da Adoção Das Criptomoedas
Hiperinflação E Volatilidade Cambial
Países como a Venezuela e a Argentina enfrentam uma inflação extrema, o que leva os cidadãos a adotar as stablecoins como proteção contra a desvalorização.
- Venezuela: a inflação atingiu 475% em dezembro de 2025, resultando na adoção generalizada do USDT e de outras stablecoins para transações cotidianas e poupança.
- Argentina: a inflação ultrapassou 32% em janeiro de 2026, levando os cidadãos a usar stablecoins para se protegerem contra a desvalorização do peso.
Remessas E Transferências Transfronteiriças
A América Latina depende muito do fluxo de remessas internacionais, um processo que costuma ser caro e lentos quanto feito por meio dos canais bancários tradicionais.
- No México, de acordo com o Banco Central (Banxico), as remessas recebidas do exterior diminuíram de US$ 64,75 bilhões em 2024 e US$ 63,31 bilhões em 2023 para US$ 61,79 bilhões em 2025.
- Em 2025, a América Latina movimentou US$ 142 bilhões em remessas internacionais, com uma fatia cada vez maior dessas transações sendo liquidadas em stablecoins.
- As stablecoins oferecem transferências mais rápidas e baratas. Elas reduzem as taxas dos habituais 4% a 10% para menos de 2% em alguns corredores de criptomoedas. Isso gera uma economia de aproximadamente US$ 3,8 bilhões por ano, com uma adoção de criptomoedas de 7,2%, ou 9,3 milhões de usuários.
Inclusão Financeira
Uma fatia significativa da população da América Latina não tem conta em banco ou tem acesso limitado a serviços bancários. As carteiras digitais em dispositivos móveis e as corretoras de criptomoedas oferecem ferramentas financeiras acessíveis, permitindo guardar dinheiro, fazer pagamentos e enviar recursos para o exterior.
Ambiente Regulatório
A adoção geralmente é mais rápida do que a regulamentação, por isso os países estão desenvolvendo estruturas regulatórias aos poucos:
- Argentina: ampliou as exigências para o registro de prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs) e desenvolveu um marco legal para ativos do mundo real.
- Brasil: por meio de três decisões de novembro de 2025, o Banco Central do Brasil (BCB) operacionalizou as autorizações de funcionamento para VASPs em fevereiro de 2026, estipulando requisitos de prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento do terrorismo (PLD/CFT), divulgações, transparência e capital equivalente a valores entre US$ 2 milhões a US$ 7 milhões.
- El Salvador: sob o marco da Lei de Emissão de Ativos Digitais (LEAD), o país emitiu mais de 135 licenças para provedores de serviços digitais e de Bitcoin (DASP/BSP) por meio da Comissão Nacional de Ativos Digitais (CNAD). A medida autorizou a tokenização de dívidas, ações, ativos do mundo real (RWAs) e stablecoins com isenção fiscal; tornou a adoção do Bitcoin opcional, conforme recomendações do FMI; e permitiu que bancos regulamentados ofereçam serviços em criptomoedas para clientes de alta renda.
- México: a Lei de Fintech de 2018 restringe o uso de ativos virtuais a instituições licenciadas e com aprovação do Banxico (que costuma ser escassa). Endurecimento das normas de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) para prestadores de serviços não financeiros, incluindo empresas de criptomoedas.
As criptomoedas realmente decolaram na América Latina, e não é difícil entender por quê. Com uma inflação descontrolada, a perda de valor das moedas locais e acesso limitado a serviços bancários, a população também precisa enviar e receber remessas internacionais. Para muitos, as criptomoedas, especialmente as stablecoins, são simplesmente uma opção mais fácil. A Venezuela, por exemplo. Em março de 2026, a taxa de inflação no país havia aumentado cerca de 649,47%. A Argentina não ficou muito atrás, com a inflação subindo cerca de 161% em 2023. Em uma situação como essa, as pessoas recorrem cada vez mais a stablecoins atreladas ao dólar americano para manter seu dinheiro seguro e pagar as despesas cotidianas.
Além de manter o dinheiro guardado seguro, elas também podem ser usadas para pagamentos do dia a dia. A inflação contínua, as oscilações cambiais e os controles rígidos de capitais continuam levando as pessoas a buscar as stablecoins.
A América Latina também é um grande polo de remessas internacionais, e o dinheiro recebido do exterior muitas vezes representa uma fatia considerável da renda nacional. No México, por exemplo, a previsão era de que as remessas superassem a marca de US$ 63 bilhões em 2025. Enviar dinheiro por meio dos serviços tradicionais pode ser um processo lento, caro e, às vezes, restrito por barreiras regulatórias. As criptomoedas oferecem uma forma mais rápida e barata de enviar dinheiro. A Bitso, a maior exchange do México, processou mais de US$ 6,5 bilhões em remessas em 2024. Isso representa mais de 10% do corredor EUA-México. Com as stablecoins, o dinheiro é transferido diretamente de uma carteira para outra de forma quase instantânea, eliminando totalmente os bancos desse processo.
Considerando que muitas pessoas na região ainda não têm acesso total aos serviços bancários tradicionais, as criptomoedas entram em cena para preencher essa lacuna. Plataformas como o Mercado Bitcoin no Brasil, a Ripio na Argentina e a Bitso no México construíram bases gigantescas de usuários oferecendo formas simples de converter moedas locais em criptomoedas. Para muitas pessoas, esse é o primeiro passo para entrar no sistema financeiro formal. O ambiente regulatório evoluiu rapidamente. O Banco Central do Brasil implementou o licenciamento de VASPs por meio das Resoluções 519-521 (em vigor desde fevereiro de 2026), estipulando requisitos de PLD/CFT e capital mínimo equivalente a valores entre US$ 2 milhões e US$ 7 milhões, em paralelo a projetos-piloto do real digital. Na Argentina, a Resolução CNV 1058/2025 exige o registro de VASPs (com prazos cumpridos até setembro de 2025) com verificação rigorosa de identidade de clientes (KYC), envio de relatórios AML à UIF e regras de cibersegurança para combater a lavagem de dinheiro.
No geral, ter diretrizes mais claras provavelmente deixariam tanto as pessoas quanto as empresas mais tranquilas para usar criptomoedas. As pessoas as usam para se proteger contra a inflação, enviar dinheiro para outros países e encontrar uma estabilidade que suas moedas locais muitas vezes não oferecem.
Stablecoins: O Instrumento Dominante
As stablecoins surgiram como uma solução prática para a instabilidade econômica:
País % de transações de criptomoedas em stablecoins:
- Venezuela 47% Transações diárias e adoção do USDT por estabelecimentos comerciais.
- Argentina 61% Usadas para guardar dinheiro, receber salários e em transferências transfronteiriças.
- Brasil 90% Grande adoção por parte do varejo e de instituições.
- México 55% Principalmente para enviar remessas e fazer pagamentos internacionais.
O comércio aceita stablecoins na venda de produtos, pagamento de contas básicas e serviços. Os usuários guardam dinheiro em USDT/USDC como proteção contra a inflação. As stablecoins permitem transferências transfronteiriças instantâneas com taxas mais baixas.
Ao vincular o valor digital ao dólar americano, elas oferecem uma forma mais estável de poupar e fazer transações, mesmo quando a inflação local está alta. A Chainalysis e os relatórios do setor destacam como as stablecoins agora permeiam a atividade econômica cotidiana na região:
Uso Generalizado No Comércio Diário
Comerciantes e prestadores de serviços em lugares como a Venezuela e a Argentina já precificam produtos e recebem pagamentos em stablecoins. Na Venezuela, onde a inflação se aproxima de 475%, é comum as pessoas usarem o “dólar Binance” (USDT nos mercados P2P) como sua moeda de fato. Os vendedores exibem os preços em USDT e liquidam as transações na blockchain Tron para contornar a constante correção de preços em bolívar. Da mesma forma, na Argentina, mais de 15 mil empresas (cafés, hotéis e lojas) aceitam stablecoins como forma de pagamento. Os cidadãos as usam para pagar compras de mercado, aluguel, contas de consumo e até mesmo salários, e alguns empregadores já pagam até mesmo bônus ou salários parciais em USDT para proteger o poder de compra dos trabalhadores. Resumindo, as stablecoins se tornaram um meio de troca prático para o comércio cotidiano em economias afetadas pela inflação.
Reserva De Valor E Poupança
Os latino-americanos estão usando as stablecoins como um veículo alternativo de poupança. Com as taxas de juros locais e os depósitos bancários perdendo valor real, muitas pessoas simplesmente guardam USDT ou USDC em carteiras como substitutos do dólar americano. Na Argentina, por exemplo, as stablecoins agora representam mais de 61,8% do volume total de transações em criptomoedas. Em algumas das principais plataformas, o USDT sozinho representa metade de todas as compras de criptomoedas, enquanto a participação do Bitcoin caiu para a faixa de um dígito. Analistas destacam que, na Venezuela e na Argentina, as transações baseadas em stablecoins aumentaram drasticamente, muitas vezes representando a maior parte das transferências on-chain abaixo de US$ 10 mil. Na prática, famílias e empresas tratam o USDT/USDC como equivalentes digitais ao dólar em espécie.
Remessas E Pagamentos Transfronteiriços
As stablecoins também são amplamente usadas para enviar e receber remessas. Na Argentina, 75% dos trabalhadores preferem receber seus pagamentos em stablecoins. Em vez de transferir dólares por meio de bancos, os remetentes podem comprar USDT em uma plataforma de criptomoedas e transferi-los diretamente para a carteira de um parente no exterior de forma instantânea. Por exemplo, as remessas de longa distância no corredor EUA–México vêm alavancando o uso de stablecoins por meio de plataformas como Binance Pay e Bitso. Como as stablecoins são nativas de blockchain, elas contornam grande parte dos intermediários bancários e costumam ser mais baratas (as taxas de transferência em canais de criptomoedas podem ficar bem abaixo da faixa convencional de 4% a 10%). Isso abriu os fluxos internacionais para milhões de pessoas que, de outra forma, dependeriam de ordens de pagamento em espécie ou dos serviços caros das operadoras de remessas (MTO) tradicionais.
Panorama Estatístico Da Penetração Das Stablecoins
Dados de corretoras confirmam o domínio das stablecoins em todas as moedas. No Brasil, as autoridades informam que mais de 90% do volume de transações em criptomoedas agora ocorre em stablecoins. No cenário regional mais amplo, estudos constatam que, em países como Colômbia, Argentina e Brasil, mais da metade de todas as compras de criptomoedas feitas com a moeda local são de stablecoins. A Chainalysis enfatiza que isso reflete “a inflação persistente, a volatilidade cambial e os controles de capitais”, que levaram muitas pessoas a buscar ativos atrelados ao dólar.
As stablecoins assumiram discretamente o papel de um sistema financeiro paralelo na América Latina. As pessoas recorrem a elas para proteger da inflação o dinheiro que têm guardado e para fazer pagamentos. As moedas locais geralmente não mantêm seu valor por muito tempo, por isso as pessoas recorrem às criptomoedas para preencher essa lacuna. Essa é uma das razões pelas quais a adoção na região é tão alta: para muitas pessoas, as criptomoedas não são apenas um investimento especulativo, mas sim algo em que elas realmente confiam para atender às suas necessidades financeiras cotidianas.
Análise Por País
Brasil
O Brasil responde por aproximadamente um terço do volume de transações em criptomoedas da América Latina .
- Total de criptomoedas recebidas (2025): $ 318,8 bilhões.
- Responsável por aproximadamente 33% de toda a atividade on-chain da América Latina.
- Crescimento anual (YoY): 250%.
- O Banco Central está testando o real digital (CBDC).
- As stablecoins correspondem a quase 90% das transações.
- Grandes corretoras: Mercado Bitcoin, Ripio, Bitso.
O Brasil é o maior mercado de criptomoedas da América Latina, respondendo por aproximadamente um terço do volume de transações da região. Entre julho de 2022 e junho de 2025, os brasileiros receberam cerca de $ 318,8 bilhões em criptomoedas, de longe o maior montante na América Latina. O mercado cresce rapidamente: o volume de transações em criptomoedas no Brasil cresceu 109,9% em relação ao ano anterior. Esse crescimento é generalizado entre os usuários do varejo e institucionais.
É importante ressaltar que o Brasil também tomou algumas medidas regulatórias importantes. A Lei de Ativos Virtuais do Brasil (2022/2023) estabeleceu regras de fiscalização e KYC (conheça seu cliente) para as empresas do setor cripto, em paralelo aos experimentos do Banco Central com o real digital (CBDC). Os bancos tradicionais também estão começando a perceber isso: grandes nomes como Itaú, Mercado Pago e Nubank agora oferecem serviços de criptomoedas aos seus clientes. O resultado é um ecossistema em crescimento e mais maduro. Além disso, relatórios oficiais mostram que mais de 90% do fluxo de criptomoedas no Brasil ocorre em stablecoins, destacando como as moedas indexadas ao dólar estão no centro da maioria das transações digitais no país.
Argentina
- Total de criptomoedas recebidas (2025): $ 93,9 bilhões.
- Stablecoins: 61% do total de transações.
- Criptomoedas amplamente aceitas no varejo, em salários e em remessas.
- Melhor clareza regulatória com a Lei nº 27.739.
A atividade em criptomoedas na Argentina está no mesmo nível do Brasil em termos de volume total. A Chainalysis estima que cerca de $ 93,9 bilhões devem ser recebidos em criptomoedas no ano até meados de 2025. Uma onda de instabilidade cambial está por trás dessa demanda. A Argentina registrou uma inflação severa de cerca de 161% em 2023 e manteve os controles cambiais. Nesse cenário, as stablecoins se tornaram extremamente populares, representando mais de 61% de todas as transações de criptomoedas na Argentina. O número de usuários no varejo disparou, e muitas empresas agora aceitam criptomoedas. Por exemplo, mais de 15 mil empresas argentinas aceitam pagamentos em stablecoins, e é comum usar as carteiras digitais para pagar aluguel, contas e até mesmo bônus de funcionários.
O novo governo argentino, sob o comando do presidente Milei, também sinalizou uma postura favorável às criptomoedas, o que deve estimular uma adoção maior ainda (embora isso em si possa causar volatilidade). Ainda assim, para o argentinos médio, as criptomoedas são, acima de tudo, uma proteção e uma ferramenta transacional contra a desvalorização do peso.
México
- Total de criptomoedas recebidas (2025): $ 71,2 bilhões.
- 14º lugar no ranking mundial de adoção.
- Forte adoção impulsionada por remessas.
- Stablecoins prevalecem em transferências transfronteiriças.
- A Lei de Fintech regulamenta as corretoras
O mercado de criptomoedas do México é fortemente influenciado pelas remessas e por uma população em grande parte fora do sistema bancário. Em termos de dólares, a atividade de criptomoedas do México fica um pouco atrás do Brasil e da Argentina (US$ 71,2 bilhões recebidos, de acordo com a Chainalysis), mas as taxas de adoção são muito altas. O México ocupa aproximadamente o 14º lugar no ranking mundial de adoção de criptomoedas, o que o torna um dos países com maior número de usuários per capita do mundo. Historicamente, isso se deve em grande parte às remessas (mexicanos no exterior usam criptomoedas para enviar dinheiro para o país), mas o mercado agora está se diversificando.
Embora a inflação mexicana tenha sido relativamente baixa nos últimos anos, o peso permanece volátil, e muitos mexicanos ainda não confiam nos bancos. Como consequência, as criptomoedas (principalmente as stablecoins) são cada vez mais vistas como uma forma de preservar o patrimônio e complementar as economias. O governo mexicano regulamenta as criptomoedas dentro do escopo mais amplo da sua Lei de Fintech, mas não abraçou o setor com o mesmo entusiasmo que a Argentina ou o Brasil. No geral, o cenário de criptomoedas do México é maduro: uma parcela significativa das transferências envolve stablecoins, e o uso de ativos digitais está crescendo entre os grupos demográficos mais jovens e familiarizados com tecnologia.
Venezuela
- Total de criptomoedas recebidas (2025): $ 44,6 bilhões.
- Adoção impulsionada pela inflação (475%).
- As stablecoins são a moeda de fato para transações de varejo.
- 18º lugar no ranking mundial de adoção.
- Recebimento significativo de remessas, impulsionando o mercado P2P e o uso de stablecoins.
Embora menor em volume absoluto do que o Brasil ou a Argentina, o mercado de criptomoedas da Venezuela se destaca por sua intensidade. Com a inflação ultrapassando 475% em janeiro de 2026, grande parte dos venezuelanos passaram a recorrer às criptomoedas. A Chainalysis coloca a Venezuela em 18º lugar no ranking mundial de adoção de criptomoedas, refletindo tanto a atividade do varejo quanto a das instituições. Na prática, a Venezuela se dolarizou essencialmente por meio das criptomoedas: a maioria dos comerciantes precifica produtos em USDT, e muitas transações em corretoras e plataformas P2P são feitas em stablecoins. Os dados on-chain mostram que as stablecoins representaram cerca de 47% de todas as transações pequenas em 2024, indicando que o USDT agora “ancora a precificação e a liquidação” no comércio do dia a dia.
Além disso, a grande diáspora venezuelana (cerca de a milhões de pessoas) envia remessas para o país por meio de criptomoedas, expandindo ainda mais o uso. Resumindo, as criptomoedas, especialmente as stablecoins, estão integradas ao cotidiano na Venezuela como uma necessidade prática. Relatórios do início de 2026 apontam que o Estado venezuelano pode deter uma “reserva oculta” de Bitcoin e stablecoins no valor de $ 56 bilhões a $ 67 bilhões, acumulada por meio de vendas de petróleo sancionadas e liquidadas em USDT.
Outros Países (Colômbia, Chile, Peru, El Salvador)
- Colômbia e Chile: dezenas de bilhões em volume anual.
- El Salvador: Bitcoin como moeda de curso legal; volume total menor (~$ 3–4 bilhões)
- Estruturas regulatórias emergentes no Paraguai, na Colômbia e no Peru.
Embora o uso de criptomoedas seja generalizado em toda a região, alguns países dominam a atividade. A seguir, apresentamos um resumo dos principais mercados da América Latina: Vários outros países da América Latina também apresentam uma atividade significativa com criptomoedas. A Chainalysis relatou que a América Latina alcançou quase $ 1,5 trilhão em volume de transações de criptomoedas entre julho de 2022 e junho de 2025, com o Brasil, a Argentina, o México, a Venezuela e a Colômbia se destacando como os maiores mercados da região. No mesmo relatório, a Colômbia registrou $ 44,2 bilhões, o Peru $ 28,0 bilhões, o Chile $ 23,8 bilhões e El Salvador cerca de $ 3,5 bilhões em volume de transações, uma forma mais precisa de dimensionar a escala relativa do que simplesmente falar em “dezenas de bilhões” para todos eles.
El Salvador continua sendo o caso mais conhecido de Bitcoin (o governo segue comprando Bitcoin para reservas estratégicas, detendo 7.474 BTC), mas seu volume total de criptomoedas ainda é modesto em comparação com os maiores mercados da região. No caso da Colômbia, relatórios recentes também afirmam que, no final de 2024, o país tinha cerca de 5 milhões de usuários de criptomoedas, ou seja, aproximadamente 10% da população, e que os órgãos reguladores reforçaram a fiscalização por meio de exigências de prestação de informações para as corretoras.
No Chile e no Peru, o destaque atual não é apenas a regulamentação, mas o rápido crescimento do uso por parte dos consumidores e a adoção impulsionada por aplicativos, com o Peru, em particular, apresentando uma rápida expansão em 2025. Por exemplo, a Colômbia e o Chile registram, cada um, dezenas de bilhões em volume anual de criptomoedas. A América Latina, em geral, tem pelo menos quatro países entre os 20 primeiros do índice global de adoção de criptomoedas (Brasil, México, Venezuela e Argentina). Muitas das mesmas dinâmicas estão presentes: corretoras locais, fluxos de stablecoins e corredores de remessas.
Enquanto isso, economias menores, como o Paraguai e a Colômbia, estão começando a criar leis de criptomoedas (o Paraguai, por exemplo, aprovou uma regulamentação das criptomoedas em 2022), o que pode afetar a adoção futura. Em todos esses mercados, um ponto em comum é que as stablecoins e as corretoras dominam os canais de on-ramp. A Chainalysis relatou que aproximadamente 64% da atividade de criptomoedas da América Latina ocorre em exchanges centralizadas, um número muito maior do que na América do Norte ou na Europa. Isso se resume a confiança e conveniência. Muitos usuários preferem interfaces de exchange familiares e opções de pagamento locais. Grandes corretoras regionais, como Mercado Bitcoin, Ripio, Bitso e SatoshiTango, tornaram-se nomes conhecidos ao oferecer serviços de remessas e formas simples de converter moedas fiduciárias em criptomoedas. Além disso, movimentos internacionais, como a expansão do Mercado Bitcoin do Brasil para o México, e plataformas globais que adaptam suas ofertas para a América Latina, ajudam a fortalecer a infraestrutura em geral. Juntas, essas redes facilitam a conversão de dinheiro fiduciário em criptomoedas para pessoas e empresas, o que mantém o mercado em crescimento constante.
Adoção Institucional E Empresarial
- Bancos e fintechs lançam serviços de criptomoedas.
- As empresas cada vez mais usam as criptomoedas para pagar salários e fornecedores e realizar transações comerciais internacionais.
- Investidores institucionais estão entrando no mercado por meio de stablecoins, ETFs e parcerias.
Infraestrutura Tecnológica
- As corretoras centralizadas dominam 64% das transações.
- As plataformas P2P facilitam o uso das stablecoins.
- As carteiras digitais em dispositivos móveis facilitam o acesso para as populações que estão fora do sistema bancário.
- Os projetos-piloto de CBDC (Brasil, Uruguai) podem complementar ou competir com as stablecoins.
Estatísticas De Mercado E Infográficos
Principais métricas de adoção de criptomoedas na América Latina (2025):
Em 2025, a América Latina consolidou sua posição como uma potência global de criptomoedas, processando mais de $ 730 bilhões em volume total on-chain, um aumento recorde de 60% em relação ao ano anterior. O Brasil liderou esse crescimento, confirmando seu status de motor regional ao responder por aproximadamente 33% ($ 318,8 bilhões) de todo o valor recebido. Isso foi impulsionado por uma taxa de adoção anual impressionante de 250%.
Métrica Brasil, Argentina, México E Venezuela:
- Criptomoedas recebidas ($ bi): 318,8; 92,0; 71,2; 44,6.
- % de transações com stablecoins: 90%; 61%; 55%; 47%.
- Crescimento anual (YoY) da adoção: 109,9%; 63%; 52%; 50%.
- Clareza regulatória: Alta Média; Média Baixa.
- Uso de remessas: Moderado Alto; Muito alto; Alto.
Previsões E Perspectivas (2026–2030)
Impulsionadores De Crescimento
- Inflação persistente e volatilidade cambial.
- Adoção de remessas e economia de custos.
- Penetração das carteiras digitais e inclusão financeira.
- Clareza regulatória gradual e envolvimento institucional.
Tendências De Adoção Projetadas
- É provável que as stablecoins dominem as transações cotidianas (>60% em toda a região).
- A adoção por parte do varejo deve continuar crescendo, especialmente entre as populações que estão fora do sistema bancário.
- A adoção institucional deve aumentar com o avanço regulatório
- As CBDCs podem coexistir com as stablecoins, oferecendo sistemas de pagamento digital alternativos.
Fatores De Risco
- Regulamentos excessivamente restritivos podem desacelerar o crescimento.
- A volatilidade das criptomoedas pode afetar a adoção do Bitcoin/ETH.
- Lacunas na infraestrutura tecnológica podem limitar a penetração nas áreas rurais.
Previsões Quantitativas
- Em 2025, o volume de transações em criptomoedas na América Latina atingiu $ 730 bilhões, um crescimento de 60% em relação ao ano anterior.
- A receita total foi de $ 642,1 milhões em 2025.
- A taxa de crescimento anual composta (CAGR) deve atingir 14,8% entre 2026 e 2033. Se considerarmos essa taxa como base, podemos esperar que o mercado de criptomoedas da América Latina atinja:
- 2026 (1 ano): $ 737 milhões.
- 2028 (3 anos): $ 971 milhões.
- 2030 (5 anos): $ 1,28 bilhão.
- 2033 (8 anos): $ 1,937 bilhão.
- As stablecoins podem representar 65–70% das transações on-chain.
- Os fluxos de remessas por meio de criptomoedas devem crescer de 2 a 3 vezes até 2030.
As perspectivas para as criptomoedas na América Latina permanecem muito positivas, a menos que ocorram grandes choques políticos. Vários indicadores sugerem um crescimento contínuo e uma integração mais profunda do mercado:
Pressões Econômicas Persistentes
Os principais fatores (inflação, risco cambial e controles de capitais) são questões de longo prazo. Não há nenhum sinal imediato de que a hiperinflação ou a desconfiança nas moedas locais vão se reverter de forma repentina. Mesmo com as economias se recuperando de choques de curto prazo, muitos consumidores já “votaram com a carteira” ao optar por manter criptomoedas. Enquanto as moedas locais permanecerem voláteis, é improvável que a demanda por criptomoedas indexadas ao dólar diminua.
Conquista Do Mercado De Remessas
A América Latina continua sendo uma das maiores regiões do mundo em termos de remessas. No final de 2025, o mercado total de remessas internacionais na região atingiu a cifra expressiva de $ 142 bilhões. Embora o México tenha registrado seu primeiro declínio anual em mais de uma década, totalizando $ 61,8 bilhões recebidos em 2025, a “participação das criptomoedas” nesse volume está no nível mais alto de todos os tempos. A Bitso sozinha informou ter processado mais de $ 6,5 bilhões no corredor EUA-México em 2024, o que representa aproximadamente 10% do volume total daquele ano. Na esteira desse sucesso, outros mercados registraram um crescimento significativo: a Colômbia recebeu um total de mais de $ 13,1 bilhões em remessas em 2025 (um aumento de 10,6%), enquanto o mercado brasileiro de remessas digitais recebidas cresceu para $ 1,3 bilhão. Com a capitalização total do mercado de stablecoins atingindo um recorde de US$ 311 bilhões no início de 2026, esses ativos digitais “indexados ao dólar” agora sustentam uma fatia significativa das transferências de famílias e empresas da região, operando de forma consistente com tarifas inferiores às do setor bancário tradicional.
Adoção Institucional E Empresarial
No ano passado, vimos bancos e fintechs latino-americanos lançarem produtos de criptomoedas para acompanhar a demanda dos clientes. Se essa tendência continuar, ela trará mais liquidez e legitimidade ao mercado. A aprovação de ETFs de Bitcoin e regras mais claras para criptomoedas em outras regiões também influenciam indiretamente a América Latina, ampliando os caminhos para o investimento institucional. Por exemplo, a Circle (emissora do USDC) iniciou oficialmente suas operações no Brasil em 2024, citando o aumento da clareza regulatória no país. Entradas como essa sugerem que as empresas globais de criptomoedas apostam no crescimento da América Latina.
Com mais de 127 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia, o Nubank incorpora a negociação de Bitcoin diretamente no seu aplicativo e trabalhou com a Lightspark para incluir a Lightning Network do Bitcoin. O Nubank registrou um aumento de 42% na receita em relação ao ano anterior e um aumento de 37% nos depósitos de clientes no terceiro trimestre de 2025.
Evolução Regulatória
Os governos da América Latina passaram da fase de exploração para a formalização rigorosa. O Brasil estabeleceu o padrão regional em fevereiro de 2026 com novas resoluções do Banco Central que classificam oficialmente as transações de stablecoins como operações de câmbio (Forex) regulamentadas e exigindo a segregação total dos ativos dos clientes. Da mesma forma, a Colômbia e o Paraguai eliminaram a “zona cinzenta” do anonimato das criptomoedas. Desde março de 2026, novas resoluções fiscais em ambos os países exigem que plataformas e indivíduos informem hashes de transações detalhados e endereços de carteiras diretamente às autoridades nacionais. No México e na Argentina , o foco mudou para a avaliação criteriosa de instituições. As reformas promovidas pelo México em 2026 introduziram um modelo escalonado de licenças para apoiar startups, ao mesmo tempo em que passaram a exigir que grandes corretoras cumpram padrões de capital equivalentes aos de instituições bancárias. Enquanto isso, a Argentina agora exige que todas as plataformas se registrem na CNV ou enfrentem proibições operacionais imediatas. Em toda a região, o objetivo é claro: os formuladores de políticas não querem mais por um fim ao ecossistema. Em vez disso, querem construir um sistema financeiro “on-chain” regulamentado que troca a transparência total por legitimidade institucional.
Desenvolvimentos Tecnológicos
O próprio cenário das stablecoins está evoluindo. Por exemplo, um caso fora da América Latina, a Nigéria lançou uma moeda digital do banco central (cNGN) e uma stablecoin local. Embora essa história seja africana, os bancos centrais da América Latina também estão explorando as CBDCs (o Real Digital do Brasil, os testes do e-peso do Uruguai, etc.). Essas novidades podem funcionar em conjunto com o mercado de criptomoedas existente ou competir com ele. Se forem bem concebidas, as moedas digitais respaldadas pelo governo podem ajudar a atrair mais pessoas para o sistema financeiro digital, mas também podem acabar concorrendo com as stablecoins privadas. Olhando para o futuro, a maioria dos analistas espera que os mercados de criptomoedas da América Latina continuem se expandindo. A Chainalysis destaca que o impulso está “alimentando uma ampla mudança em direção ao Sul Global”, com a América Latina logo atrás da Ásia-Pacífico em termos de crescimento ano a ano. Considerando que os preços do Bitcoin e do Ethereum têm pouco impacto direto no uso diário nesta região (as stablecoins dominam), a adoção geral das criptomoedas é impulsionada mais por fatores locais do que por ciclos de mercado. Se as condições econômicas locais continuarem difíceis, é provável que o uso de criptomoedas se torne ainda mais arraigado.
Mesmo agora, as criptomoedas representam apenas uma pequena parcela dos fluxos monetários totais da América Latina. Só o mercado de remessas internacionais movimenta centenas de bilhões por ano, e o setor de comércio eletrônico, em rápido crescimento, poderia facilmente adotar os pagamentos digitais. Economistas estimam que reduzir as taxas médias de remessas para 3% em todo o mundo economizaria US$ bilhões por ano para os latino-americanos. As criptomoedas e as soluções de blockchain poderiam capturar uma parte significativa dessas economias.
Proporção de entrevistados na América Latina que indicaram ter ou usar criptomoedas (2019-2025): 2019; 2020; 2021; 2022; 2023; 2024; 2025: [Statista. (29 de abril de 2025). Proporção de entrevistados que indicaram ter ou usar criptomoedas em países e territórios em todo o mundo (2019-2025)].
- Argentina: 16%; 14%; 21%; 35%; 26%; 30%.
- Brasil: 18%; 12%; 12%; 22%; 28%; 24%; 23%.
- Chile: 11%; 12%; 14%; 14%; 15%; 18%.
- Colômbia: 18%; 15%; 15%; 16%; 12%
- República Dominicana: 10%; 10%; 11%; 15%; 17%.
- México: 12%; 11%; 9%; 12%; 13%; 17%; 14%.
- Peru: 15%; 16%; 13%; 14%; 14%.
Referências
TradingView, Cointelegraph, Chambers and Partners, Bitso, MEXC Blog, Binance Square, CoinGecko, BitcoinWorld, Evertec Trends, Grand View Research, LatinNews, Federal Reserve Bank of Dallas, Lightspark, ColombiaOne, Beaumont Capital Markets, GO Markets, Crypto Council for Innovation, Le Monde, Anadolu Agency, Power BI, Yahoo Finance, Bitwage, Statista, Chainalysis, TransFi, CoinDesk, Trading Economics, Coinpedia e Bitcoin Magazine.
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