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Empreendedoras mostram potencial de investimentos em saúde feminina

A saúde feminina é um mercado pronto para a disrupção e inovação, mas que ainda tem sido pouco explorado por investidores

6 min
Bloomberg Finance LP
Bloomberg Finance LPKate Ryder, fundadora e CEO da Maven Clinic, a primeira startup de saúde feminina a atingir o status de unicórnio

Embora as mulheres sejam mais de 50% da população e das diferenças de sexo influenciarem todos os tecidos, órgãos e funções do corpo feminino, pouca atenção tem sido dada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de necessidades médicas femininas, segundo a McKinsey. Aproximadamente 1% da pesquisa e inovação de saúde está investida em condições especificamente femininas, com exceção da área de oncologia.

Mesmo com venture capital direcionado a empreendedoras aumentando o atendimento dessas necessidades, é uma gota no oceano do ramo da saúde.

Isso não está só relacionado a doenças e condições baseadas no sexo, desde menstruação, parto e menopausa, mas também inclui aquelas que afetam os homens de maneira diferente das mulheres – como é o caso de doenças cardiovasculares, dores de cabeça e disfunções autoimunes.

>> Leia também: Startup busca fatia no bilionário mercado da menopausa

Mesmo pequenos aumentos em investimento gerariam um alto retorno e melhores resultados no âmbito da saúde feminina, afirma Chloe E. Bird, uma socióloga que estuda equidade na saúde para a think-tank Rand Corporation. Empreendedoras estão mostrando o potencial de retorno significativo para os investidores – como a clínica de fertilidade e gravidez Maven Clinic, que atingiu o status de unicórnio. Entretanto, é preciso mais.

A rede global Springboard Enterprises está dobrando o seu apoio a companhias de saúde comandadas por mulheres. O grupo de investidores e empreendedores está bem equipado para impactar o setor com mais de 5 mil conselheiros.

Ao longo de seus 22 anos, 880 empresas lideradas por mulheres já foram apoiadas pela iniciativa, compondo 90% do capital levantado, e 27 delas se tornaram públicas com a estreia na bolsa de valores. Com isso, foram gerados US$ 36 bilhões, além de terem sido feitas mais de 225 operações de fusões e aquisições e 10 transformações ao status de unicórnio. Muitas dessas companhias são focadas em saúde feminina, incluindo AOA Dx, Aspira Women’s Health, LunaJoy, Mahmee, Materna Medical e Rosy Wellness.

A Springboard é a prova viva de que há desigualdades no empreendedorismo, no financiamento de pesquisas e nos investimentos em companhias de saúde lideradas por mulheres e que impactam a saúde feminina.

Homens precisam reconhecer que a saúde feminina é um mercado pronto para a disrupção e a inovação. Entre nos escritórios de investidores homens e fale sobre assoalho pélvico e soluções para menopausa para ver que eles não têm um único ponto de referência para entender o problema, como apontou Natalie Buford-Young, CEO da Springboard. Ter a perspectiva de suas esposas, filhas, mães, irmãs, amigas ou colegas não é o mesmo do que viver a experiência. Empreendedoras e investidoras estão mostrando onde as oportunidades estão.

>> Veja também: Investidores perdem oportunidades em startup de mulheres, diz estudo

Em maio de 2020, a Springboard lançou a Coalizão de Inovação pela Saúde Feminina (a Women’s Health Innovation Coalition, em inglês) para estimular a inovação, o investimento e a pesquisa para soluções relacionadas à saúde feminina. Isso criou uma rede para unir investidores, pesquisadores, legisladores e empreendedores no entorno de questões de saúde específicas de um gênero, como saúde ginecológica ou de reprodução, saúde sexual e condições que as mulheres têm maior probabilidade de ter ou manifestar do que homens – como certos tipos de câncer, problemas ósseos, doenças de coração e condições cognitivas e relacionadas ao cérebro.

“Estamos vendo um aumento no número de grandes farmacêuticas e de outras grandes companhias que querem ficar de olho na próxima geração de empresas de saúde feminina”, disse Buford-Young. “Essas companhias querem identificar empresas inovadoras de maneira eficiente ainda no estágio inicial, e é aí onde nos inserimos. Essas organizações servem como conselheiras, promovem assistência à pesquisa, investimentos ou capital de venture capital.”

A Springboard vai lançar grupos especificamente focados em saúde feminina.

Com seu evento de gala no último mês de outubro, a Springboard nomeou a Portfolia como investidora do ano. A Portfolia é o investidor mais ativo nos Estados Unidos no setor de saúde feminina, com mais de 40 investimentos, desde investimentos iniciais até pré-IPOs – que incluem as empresas Bone Health Technologies, JOYLUX, Maven Clinic, Everly Health, e Willow Breast Pump.

Quando a Portfolia formou seu primeiro fundo de investimentos em 2016, ele não era dedicado à saúde feminina, mas já investia no ramo. “Nós percebemos o quão inexplorado esse mercado era”, afirmou Trish Costello, fundadora e CEO da firma de venture capital.

“O setor estava ignorando as mulheres”, apontou Costello. Em 2018, a Portfolia lançou seu primeiro fundo para femtechs – como são conhecidas as empresas voltadas às mulheres. A firma vai lançar seu terceiro fundo neste ano e está no seu segundo fundo na área de envelhecimento ativo e longevidade. Seus outros fundos também fazem investimentos em saúde feminina.

“Já que homens não entendem sobre saúde feminina, é crucial ter mulheres fornecendo o dinheiro” disse a CEO. Apesar do crescimento no número de investimentos, somente 16,1% dos que decidem sobre venture capital são mulheres, de acordo com um estudo de 2022 sobre empreendedorismo feminino no ecossistema de venture capitals.
Em 2006, venture capitals investiram apenas US$ 143 milhões em saúde feminina, de acordo com a empresa de mercados PitchBook. Esse número aumentou para US$ 1,9 bilhão em 2022. Em 2006, somente 4% do valor de venture capital ia a companhias com pelo menos uma mulher na tomada de decisão. Essa porcentagem cresceu para 85% em 2022. As empreendedoras estão gerando crescimento no setor.

Com a mudança da decisão judicial sobre a legalidade do aborto nos EUA, espera-se mulheres ainda mais engajadas para melhorar a saúde feminina.

O investimento em companhias de saúde feminina com pelo menos uma mulher fundadora diminuiu 22% de 2021 a 2022, enquanto os daquelas fundadas por homens tiveram queda de 68%.

Quer sejam mulheres preenchendo cheques como investidoras de venture capital ou como sócias limitadas, elas estão deixando suas marcas.

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