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“Quem É Empresário no Brasil Consegue Ser em Qualquer Lugar”, Diz Head do Goldman Sachs

Há 25 anos no banco, Cristina Estrada foi de analista a líder de uma operação com 400 pessoas

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Cristina Estrada, um dos destaques da lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil de 2026, só teve um empregador na vida: o quase mítico Goldman Sachs, o mais influente banco de investimentos do mundo e o maior em faturamento considerando comissões.

Nascida na Colômbia e graduada em economia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), ela começou a trabalhar lá em 2001 como analista. Há dois anos ela comanda a subsidiária brasileira. A constância não quer dizer monotonia. “Todo ano é diferente”, diz.

A executiva é responsável por várias áreas no banco e lidera uma equipe de 400 pessoas. Por sua mesa passam assuntos estratégicos de empresas, como fusões e aquisições e captação de recursos. Ela tem um lado empreendedor: em sua trajetória, foi responsável por boa parte da expansão do Goldman na América Latina. “Implantei as operações na Colômbia e no Panamá.”

Isso a deixou habituada a lidar com as negativas. “Quando você negocia orçamentos com seu chefe, ouve um não por semana”, diz. “O lado bom é que você aprende a ser flexível e se adaptar às exigências, tanto do banco quanto do cliente.”

Filha de pai colombiano e mãe boliviana, ambos empresários, a executiva de 46 anos é casada há 14 com um executivo brasileiro do setor financeiro e tem um filho de 8 anos, nascido nos Estados Unidos. O convite para vir ao Brasil, aonde o Goldman chegou em 1995, ocorreu meio por acaso. “Meu chefe queria alguém que falasse português para mudar algumas coisas por aqui”, diz.

A proposta não foi exatamente comemorada em casa. “Meu marido demorou um pouco para vir, ele achava que eu iria voltar para Nova York em seis meses.” Houve algum estranhamento inicial com as peculiaridades locais, como a burocracia, a legislação fiscal e o hábito de resolver tudo por WhatsApp. “Gosto de conversar com humanos, não com máquinas.” Mesmo assim, não se arrepende da mudança. “Amo as pessoas, a comida, os drinques.” E as oportunidades de negócio, claro.

Uma das principais atividades do Goldman Sachs é levantar quantidades maciças de capital para empresas do setor produtivo. E Cristina diz ver inúmeras alternativas de investimento por aqui. “Temos financiado muitos investimentos em infraestrutura no México e na Colômbia e há muito espaço para fazer isso no Brasil”, afirma. “Sempre estamos procurando clientes que querem fazer parcerias nesses investimentos.”

O Goldman é conhecido por ser uma instituição financeira reservada, por isso a executiva não divulga números nem nomes de clientes. No máximo, analisa a conjuntura. O cenário, avalia, está mais desafiador nos últimos tempos. “As janelas de oportunidade para captar recursos e abrir capital estão se abrindo e fechando mais depressa, o que exige mais agilidade.”

O fato de os juros brasileiros permanecerem elevados há bastante tempo (e não darem sinais de uma queda abrupta no curto prazo) torna tudo mais difícil. Mas os empresários com quem a executiva tem trabalhado estão bem preparados para isso. “O empresário brasileiro tem de lidar com impostos, burocracia e muitas outras áreas para além do seu negócio”, diz ela. “Eu sempre digo que quem é empresário aqui consegue ser empresário em qualquer lugar.”

*Reportagem publicada na edição 138 da revista Forbes, em fevereiro de 2026.

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