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Presidente do Conselho da Boa Safra Lidera Gigante do Agro de R$ 1,8 Bilhão

Engenheira-agrônoma Camila Colpo Koch assumiu o negócio iniciado pelo pai e impulsionou o crescimento da companhia com foco em tecnologia

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“Ele trocou um Fusca velho por um pedaço de terra.” Sentada na cadeira de presidente do conselho de administração da Sementes Boa Safra, é assim que a engenheira-agrônoma Camila Colpo Koch, 36 anos, um dos destaques da lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil de 2026, define o início de sua história.

A empresa, que nasceu em Formosa (GO), encerrou 2025 com uma receita líquida de R$ 2,62 bilhões. A abertura de capital na B3 foi feira em 2021. Ele, no caso, é o pai, engenheiro-agrônomo gaúcho formado pela Universidade Federal de Santa Maria, que chegou a Goiás em 1979 com as primeiras levas de produtores que saíram do Sul para “fazer a vida” no interior do Brasil.

“Meu pai veio sozinho, sem patrimônio, desbravar o Cerrado”, diz, em uma época na qual a região ainda enfrentava limitações de fertilidade natural do solo e dependia das pesquisas que começavam a avançar com a expansão da agricultura tropical. Hoje a família possui 5 mil hectares de terras, mas a produção da Boa Safra Sementes vem de uma área de 300 mil hectares de cerca de 350 produtores parceiros na produção de sementes de soja, milho e feijão.

Camila é uma estrategista e ocupa posição rara no agro brasileiro. São poucas as mulheres à frente de conselhos administrativos. Segundo o Evermont Institute, 80% dos cargos em conselhos são ocupados por homens. Além disso, as mulheres que chegam aos conselhos possuem 49% mais formações acadêmicas e 87% mais certificações do que seus colegas homens, mostra o estudo Women at the Top, do Evermonte Institute.

O grande sonho de Camila era entrar em uma universidade federal. “Ficava esperando o sábado para ir com meu pai para a fazenda”, diz. “Ele me mostrava o plantio, a colheita, o manejo. Eu aprendia acompanhando.” Seu sonho, diz, era estudar sementes. Realizou-o entre 2008 e 2013 na Universidade Federal de Goiás. “Quando me formei, meu pai disse que eu estava pronta e me entregou a gestão de uma fazenda.”

A família se dedica à produção de sementes desde a década de 1990, mas foi com a sua entrada nos negócios que a empresa implantou seu primeiro laboratório de análise, ainda em 2013. Na sequência, liderou investimentos em climatização de armazéns para controle de temperatura e umidade, medida voltada à manutenção de vigor e germinação. “Para garantir padrão de qualidade, precisávamos fazer nossas próprias análises”, diz ela. Em 2017, Camila foi se especializar em práticas de melhoramento genético no centro de pesquisas da Syngenta, em Toulouse, na França. “Entender genética é compreender o produto na origem”, afirma.

Hoje, a Boa Safra aposta em três frentes: melhoramento genético de sementes, especialmente nas culturas de milho e girassol; novas análises laboratoriais; e estudos em tecnologia aplicada à qualidade. “Sempre fui mais técnica e meu irmão mais voltado à gestão financeira”, diz ela, referindo-se a Marino Colpo, administrador e CEO da empresa. Os estudos continuam, agora em busca de outros saberes. Ela já tem formação pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e na sua agenda está a Fundação Dom Cabral. “Por estar no conselho, na FDC quero me aprofundar ainda mais. O estudo sempre fez parte da nossa história e continuará fazendo.”

*Reportagem publicada na edição 138 da revista Forbes, em fevereiro de 2026.

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