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Por Que Marcas Estão Investindo Tanto em Smartphones Dobráveis?

A categoria de dobráveis deve ter forte expansão com a entrada de novas marcas e de modelos integrados com inteligência artificial

6 min

A Samsung anunciou sua nova linha de dobráveis da família Galaxy Z: Z Fold8 Ultra, Z Fold8 e Z Flip8, que chegam ao Brasil em 6 de agosto. Enquanto o Fold Ultra e o Flip dão continuidade aos modelos já conhecidos, o Fold 8 traz um formato inédito em tamanho de passaporte, com tela ainda mais ampla que a dos modelos tradicionais.

O lançamento chega em um momento de expansão acelerada da categoria. De acordo com a mais recente previsão da Counterpoint Research, as remessas globais de smartphones dobráveis devem crescer 21% em 2026 na comparação com o ano anterior, dando sequência a uma trajetória de expansão iniciada em 2025.

Três fatores explicam esse movimento: a demanda contínua por dispositivos premium em formato livro, o aumento da concorrência entre os grandes fabricantes e a esperada entrada da Apple na categoria.

Como os dobráveis surgiram (ou voltaram)?

Para entender o boom dos dobráveis, é preciso analisar a forma como as pessoas usam o celular. Rodrigo Castanho, Coordenador de Design e Games da ESPM Panamericana, ajuda a entender essa transformação.

Nos anos 2000, o aparelho servia basicamente para comunicação direta entre pessoas. Era um mercado que oferecia modelos grandes e pesados. Com o passar dos anos, passou-se a priorizar a redução de tamanho como símbolo de avanço tecnológico (o Motorola V3 é o exemplo clássico dessa fase).

ReproduçãoMotorola V3

Isso porque, com a popularização das redes móveis, o celular deixou de ser um simples meio de comunicação para se tornar um hub de criação, mídia e entretenimento, e é nesse ponto que começa a virada de comportamento que molda o mercado até hoje.

“Com a alteração no consumo, e principalmente o aumento da demanda por conteúdos audiovisuais, veio a necessidade de aumentar as telas cada vez mais, atingindo um limite ergonômico (seja pelo espaço no bolso ou pela facilidade no manuseio). É aí que entram (ou retornam) os dobráveis, dando flexibilidade para um uso mais amplo sem perder a função portátil”, explica Castanho.

Por um lado, os dobráveis surgiram para atender uma necessidade: o consumo de jogos e vídeos e a produção de conteúdo fora de casa. Nesse sentido, uma tela maior elimina a necessidade de carregar um tablet ou notebook. Por outro lado, veio inaugurar uma nova categoria de consumo, reflexo da busca do mercado por um novo gatilho de desejo, algo além de velocidade, armazenamento e resolução de tela.

O formato flip reduz o aparelho pela metade, priorizando praticidade; já o formato book dobra o tamanho da tela, transformando o smartphone em ferramenta de consumo: fechado, funciona como um aparelho convencional; aberto, vira um tablet. Tarefas como resumir documentos, editar conteúdo, gerenciar agenda e transferir informações entre aplicativos se beneficiam diretamente desse espaço extra de tela e da flexibilidade de layout.

Marcas tentam ganhar espaço

Ainda segundo previsões da Counterpoint Research, a Samsung deve manter a liderança do setor em 2026, com 32% de participação projetada, mas o cenário competitivo muda bastante em relação a 2025. Com a possível entrada da Apple e a manutenção da Huawei como forte concorrente (especialmente na China), a distribuição esperada é Apple com 25%, Huawei com 24%, Motorola com 8% e Honor com 3%.

“Essa disputa é muito saudável para o consumidor. Cada marca busca se diferenciar pelo design, qualidade da tela, durabilidade, nostalgia (como a experiência Flip dos antigos modelos da Motorola), melhor sinergia entre hardware e software ou a melhor experiência de uso. É natural que haja essa busca pela melhoria e pelo avanço até que o consumidor determine o melhor caminho e as marcas passem a convergir para lá”, acrescenta Castanho.

A expectativa em torno da chegada da Apple aos dobráveis segue um padrão conhecido da empresa: ela raramente é pioneira, mas historicamente transforma categorias em que entra depois de observar o mercado amadurecer.

“Nunca duvido da capacidade da Apple de revolucionar o mercado. É como se eles ficassem de fora olhando o mercado se movimentar enquanto trabalham no “produto ideal”. Isso deu certo com o Macintosh, iPod, iPhone, iPad, Apple Watch e outros produtos menores, mas nem sempre funciona. O Apple Vision Pro, por exemplo, não ganhou a atenção do consumidor”, explica Castanho.

O segmento de smartphones, no entanto, é o coração do negócio da Apple, uma categoria que a empresa domina e entende profundamente, o que aumenta o potencial de uma entrada competitiva.

Qual deverá ser o próximo modelo de smartphone

O mercado já mostra protótipos e modelos de três dobras (tri-folds) e até telas roláveis (rollables), o que levanta a dúvida sobre se os dobráveis de hoje são a solução definitiva ou apenas um passo rumo a telas contínuas.

Foto do Huawei Mate XT
DivulgaçãoHuawei Mate XT

A resposta provável está no equilíbrio entre avanço tecnológico e hábito de consumo. O mercado precisa se movimentar e explorar o limite das novas tecnologias, mas a usabilidade virá em primeiro lugar.

“Não adianta um produto oferecer um avanço significativo de tecnologia se não se inserir no hábito do consumidor. Podemos fazer um paralelo com a obsessão da Apple em reduzir a espessura dos iPhones e, depois, oferecer ao consumidor uma bateria sobressalente. As pessoas querem sair de casa sem se preocupar com o carregador e não se importam tanto com alguns milímetros a mais na espessura do aparelho”, explica o professor.

Toda tecnologia nova carrega, no início, um status de primeira geração: as pessoas gostam de exibir os modelos mais avançados e caros, mesmo que ainda não estejam totalmente resolvidos ou incorporados ao dia a dia. Por enquanto, a tela dobrável segue sendo a solução mais simples e viável mas, para Castanho, é difícil prever o que vem a seguir.

O avanço dos dobráveis, no entanto, pode levar aparelhos de tela maior, como notebooks e tablets, a se tornar um nicho de usuários avançados, com perfil mais profissional: dispositivos com mais capacidade de produção para quem hoje precisa carregar dois ou mais aparelhos e passa a usar só um.

“O equilíbrio entre avanço tecnológico, conteúdo e comportamento do usuário é o que vai determinar o futuro”, finaliza Castanho.

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