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Novo Telescópio Espacial da Nasa, Roman Decola para Mapear Bilhões de Galáxias

Com campo de visão inédito, novo observatório de ponta da agência americana promete revolucionar a astronomia ao buscar exoplanetas e desvendar a energia escura

4 min

O mais novo observatório espacial de ponta da Nasa está finalmente a caminho. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman decolou às 8h26 deste domingo (30), a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

Teve início assim uma missão que, segundo a expectativa dos astrônomos, vai transformar nossa compreensão do universo ao mapear mais de dois bilhões de galáxias, buscar cerca de 100 mil exoplanetas e investigar a misteriosa energia escura, responsável por acelerar a expansão do cosmos.

Um telescópio projetado para completar o quebra-cabeça

O lançamento também marcou uma conquista rara para uma missão principal da Nasa: o Roman chegou à rampa de lançamento cerca de nove meses antes do cronograma previsto originalmente pela agência.

Batizado em homenagem à Dra. Nancy Grace Roman, a primeira astrônoma-chefe da Nasa e pioneira da astronomia espacial, o observatório é frequentemente descrito como uma combinação da visão nítida do Hubble com uma vista panorâmica do céu.

Em vez de substituir o Hubble ou o Webb, o Roman vai trabalhar em parceria com eles, mapeando vastas regiões do universo antes que seus observatórios “irmãos” investiguem as descobertas mais intrigantes com maior riqueza de detalhes.

Essa capacidade vem do Wide Field Instrument do Roman, que combina o mesmo espelho primário do Hubble a um campo de visão mais de 100 vezes maior. Ao longo de sua missão principal de cinco anos, a expectativa é que o observatório colete cerca de 20 petabytes de dados científicos, varrendo uma área do céu maior do que o Hubble observou em mais de três décadas.

Uma missão para responder às maiores perguntas da astronomia

As ambições científicas do Roman se estendem por quase todas as áreas da astrofísica. Ao medir a posição de bilhões de galáxias, observar milhares de supernovas distantes e estudar os efeitos sutis das lentes gravitacionais, os astrônomos esperam entender melhor a matéria escura e a energia escura, dois dos maiores mistérios da cosmologia moderna. Ao mesmo tempo, o Roman vai monitorar centenas de milhões de estrelas em direção ao centro da Via Láctea, no que deve se tornar o maior censo de planetas fora do Sistema Solar já realizado.

“O Roman está pronto para realizar levantamentos revolucionários que vão impactar todas as áreas da astronomia”, disse Julie McEnery, cientista sênior do projeto da missão no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, antes do lançamento. Ela afirmou que o observatório poderá detectar até metade das estrelas da Via Láctea em apenas um mês de observação, enquanto seu maior levantamento produzirá uma imagem tão gigantesca que seriam necessárias mais de meio milhão de TVs 4K para exibi-la por inteiro.

A jornada do Roman

Embora o Roman já tenha deixado a Terra, as observações científicas de rotina só vão começar daqui a cerca de 100 dias. Durante esse período de comissionamento, os engenheiros vão implantar os painéis solares e a antena de alto ganho da espaçonave; também vão alinhar seus componentes ópticos e calibrar os instrumentos. Por fim, o telescópio será direcionado ao ponto de Lagrange L2 Sol-Terra, localizado a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra. Ali, o Roman passará o restante da missão trabalhando lado a lado com o Telescópio Espacial James Webb.

“Estamos muito empolgados em ver o lançamento do Roman”, disse Jeremy Perkins, cientista de integração e testes, antes da decolagem, “mas estamos ainda mais ansiosos para ver a primeira luz atingir o telescópio”. Esse momento acontecerá no fim deste ano, quando o observatório abrir sua abertura para o cosmos pela primeira vez e começar a enviar de volta os enormes conjuntos de dados que os astrônomos esperam redefinir nossa visão do universo.

O Roman pode se tornar um dos observatórios espaciais mais importantes já construídos. Nos próximos anos, ele não apenas mapeará bilhões de galáxias, mas também poderá revelar classes completamente novas de objetos e responder a perguntas que os cientistas ainda nem sequer imaginaram fazer.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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