Com safra maior e bons preços, colheita de café canéfora ganha ritmo no Brasil

José Roberto Gomes/Reutes
José Roberto Gomes/Reutes

No primeiro trimestre, as exportações de grãos canéforas do Brasil cresceram mais de 30% na comparação anual

A colheita de cafés canéforas (robusta e conilon) está começando a ganhar ritmo no Brasil, com produtores na expectativa de uma safra maior dessas variedades em momento de alta nos preços internacionais, o que reforça uma busca por grãos de melhor qualidade em 2021, disseram especialistas.

Enquanto a produção nacional de café robusta/conilon pode crescer até 16% este ano, segundo previsões oficiais da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a de arábica está estimada para cair quase 40% na visão mais pessimista, o que tem dado suporte aos preços globais e no maior produtor e exportador global da commodity.

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Até o momento, cafeicultores de Espírito Santo e Rondônia, os dois maiores produtores de canéfora no país, colheram cerca de 15% das áreas, com os capixabas em ritmo mais lento que no ano passado, quando a colheita foi menor.

“A safra corre bem, os cafeicultores estão animados em relação ao preço, a gente sabe que oscila muito, mas de forma geral tem um bom prognóstico”, disse o pesquisador da Embrapa Enrique Alves, um dos maiores especialistas em robustas amazônicos, em Rondônia.

O café conilon do Espírito Santo está cotado a cerca de R$ 465 por saca, com alta de 32% ante a mesma época do ano passado, a caminho dos maiores valores em termos nominais da história – atingiram patamares acima de R$ 500 pela última vez em 2017, segundo dados do Cepea/Esalq (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Os grãos robusta e conilon, ainda que esteja ocorrendo um movimento para valorizar suas características e qualidade, são mais utilizados para a produção de café solúvel, ou em blends da indústria de torrefação, pelo fato de serem mais baratos que o arábica, que rompeu a barreira de R$ 800 a saca nesta semana, maior valor nominal da história (sem considerar inflação), segundo o Cepea/Esalq.

“Estamos esperando uma safra em torno de 15% maior que a do ano passado, seria uma safra igual a 2019, este ano voltaria à normalidade de 2019. Safra boa e preços bons, isso ajuda, com certeza”, disse Edimilson Calegari, gerente corporativo de mercado da Cooabriel (Cooperativa Agraria dos Cafeicultores de São Gabriel), maio cooperativa de produtores +*de conilon, com atuação no Espírito Santo e Bahia.

A safra de conilon do Espírito Santo poderá crescer quase 23%, considerando a melhor estimativa da Conab, para 11,3 milhões de toneladas, trazendo algum alívio para o mercado que verá um ano de baixa do ciclo do arábica acentuada por problemas de uma seca prolongada.

Ainda que o clima tenha sido melhor na área capixaba, resultou em várias floradas, o que atrasou um pouco a colheita em 2021, disse Calegari. Em 2020, cerca de 30% dos cafezais de área da Cooabriel já tinham sido colhidos nesta época.

“Esta semana começou a aumentar o volume de colheita, até então estava tendo cafés com qualidade um pouco ruim, estavam colhendo cafés mais verdes, e a partir desta semana passou a melhorar qualidade“, disse o gerente da Cooabriel, lembrando que a maioria dos produtores estava aguardando a maturação completa para ter um produto melhor.

“Acredito que a partir da semana que vem vamos ter movimento maior de colheita. Estive visitando lavouras e observando que maturação está mais avançada e já dá para apanhar.”

MERCADO

Segundo Calegari, a cooperativa está incentivando a produção de cafés de melhor qualidade, tendo em vista a boa demanda externa. Ele lembrou que as vendas da Cooabriel já superaram em volumes os registros do ano passado.

“O mundo inteiro está adicionando robustas nos ‘blends’, e o mercado está sendo bem procurado depois que melhoramos a qualidade“, disse.

De outro lado, ele comentou que o produtor está mais retraído nas vendas no momento de olho no mercado. “Está vendendo menos café, vendendo mais dentro da necessidade, porque vê que tem possibilidade de melhora nos preços“.

Em Rondônia, disse Alves, da Embrapa, os produtores estão investindo em tecnologias de colheita e pós-colheita, pensando na qualidade. Ele destacou que as primeiras exportações diretas de Rondônia para a Coreia do Sul foram “bem-sucedidas” e já há indicativos de novas encomendas para a nova safra.

“Tanto da Coreia como da Europa, novos compradores estão interessados nos robustas amazônicos com qualidade diferenciada, um mercado que não existia e está se abrindo.”

No primeiro trimestre, as exportações de grãos canéforas do Brasil cresceram mais de 30% na comparação anual, para cerca de 900 mil sacas de 60 kg, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

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