Biosev reverte prejuízo e fecha safra 2020/21 com lucro de R$ 216,4 milhões

A companhia de açúcar, etanol e bioenergia Biosev encerrou a safra 2020/21 com lucro líquido de R$ 216,4 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,5 bilhão da temporada anterior, impulsionada por um cenário favorável de mercado e bom desempenho produtivo, informou a empresa hoje (4).

O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve um crescimento de 40,1% no período, para R$ 2,5 bilhões. O resultado exclui os efeitos contábeis (não caixa) do hedge accounting da dívida em moeda estrangeira (HACC).

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“Conseguimos entregar uma produtividade excelente, isso deu um impacto na veia do resultado”, afirmou à Reuters o presidente da companhia, Juan Jose Blanchard.

Ele ainda ressaltou que a gestão operacional e a flexibilidade no mix de produção foram fatores fundamentais para o desempenho financeiro da safra.

“Viramos para um salto no açúcar e isso fala muito de nossa flexibilidade do mix”, acrescentou.

A moagem de cana da Biosev ficou em 26,5 milhões de toneladas, queda de 1,9% em relação à temporada anterior. “Essa diminuição decorreu principalmente da decisão de postergar o início da safra em março, já que o clima mais seco na região resultou em um desenvolvimento mais lento do canavial”, disse a companhia em balanço financeiro.

Segundo a empresa, 52,7% da matéria-prima foi destinada para a produção de açúcar, um avanço de 18 pontos percentuais.

Com isso, a produção do adoçante saltou 63%, para 1,89 milhão de toneladas em 2020/21, enquanto a fabricação de etanol caiu 22%, para 1,05 bilhão de litros.

A receita líquida do açúcar disparou 136,9% na temporada, para R$ 3,6 bilhões. Além do aumento na produção e no volume comercializado, a companhia destacou que a desvalorização cambial aumentou a competitividade do adoçante no mercado externo, resultando em preços médios mais elevados.

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O diretor comercial da Biosev, Gabriel Motta de Carvalho, disse que a safra chegou a ser mais alcooleira, mas passou por uma virada de acordo com as condições do mercado.

Ele lembrou que no início da pandemia da Covid-19 no Brasil, houve uma mudança também na estratégia de venda em meio ao recuo no consumo interno de combustíveis.

“Ano passado, com a pandemia, tinha uma retração no consumo e nos primeiros meses os preços foram ruins… conseguimos sair desse mercado e exportamos muito etanol”, afirmou o executivo.

Quanto à produtividade, o teor de ATR (açúcar total recuperável) da safra 2020/21 subiu 9,6%, para 141,7 quilos por tonelada. Somente no quarto trimestre fiscal, a alta foi de 17,9% ante o mesmo período do ciclo anterior, para 116,7 quilos por tonelada.

“O aumento reflete os impactos contínuos da evolução da qualidade fitossanitária do canavial, da qualidade da operação de colheita… e da melhora na performance operacional, aliado ao clima favorável (mais seco) na safra, que favorece a concentração do conteúdo de açúcar.”

Os investimentos da companhia somaram R$ 1,4 bilhão na temporada, alta de 16% na variação anual.

PRÓXIMOS PASSOS

Para o ciclo atual, de 2021/22, Carvalho disse que os preços do açúcar e do etanol estão bons, e as medidas de isolamento contra a disseminação do coronavírus têm mostrado impacto menor sobre a demanda, em relação ao ano passado.

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O diretor admitiu que as previsões do mercado para a safra estão menores em decorrência de adversidades climáticas, mas ele acredita que a Biosev terá efeitos abaixo da média do mercado.

A companhia já fez hedge para 87,7% do açúcar da safra 2021/22 a R$ 0,68 por libra-peso. Para 2022/23, 54,4% da produção está negociada, a R$ 0,87.

“Temos um preço de açúcar muito alto… tenho 15 anos na companhia e esta é a melhor safra que vejo em termos de preços“, afirmou.

Segundo o executivo, as unidades localizadas em São Paulo estão produzindo mais açúcar e as de Mato Grosso do Sul, mais etanol. Ele ainda disse que a falta de chuvas no Centro-Oeste tem elevado os níveis de ATR ao patamar mais alto da história.

As usinas da Biosev, subsidiária da Louis Dreyfus, foram vendidas à Raízen, uma joint venture da Cosan e da Shell, neste ano. (Com Reuters)

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