Ministra da Agricultura defenderá na FAO que fertilizantes fiquem fora de sanções e vai ao Canadá em busca acordos

Cristina levará a proposta sul-americana para o diretor-geral do órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação (FAO).

Reuters
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Amanda Perobelli/Reuters
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Ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina Dias

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A ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina, conseguiu ontem apoio de seus colegas ministros de países da América do Sul para levar à FAO, das Nações Unidas, proposta de que fertilizantes fiquem fora das sanções econômicas por guerra e questões geopolíticas.

O principal argumento da ministra, de que fertilizantes, assim como alimentos, não podem ser sofrer sanções, teve respaldo nesta quinta-feira dos ministros do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), que reúne Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, disseram assessores de Tereza Cristina à Reuters.

Cristina levará a proposta sul-americana para o diretor-geral do órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação (FAO), o chinês Qu Dongyu, em audiência virtual marcada para a próxima quarta-feira.

A ministra havia manifestado sua intenção em entrevista recente, mas a audiência ainda não havia sido marcada, nem mesmo havia o apoio unânime dos países da CAS para a proposta.

A ministra entende que a questão deveria ter uma solução global, considerando que a escassez de fertilizantes pode gerar problemas para a oferta de alimentos e alta de preços, e espera encontrar apoio da FAO para o assunto repercutir junto aos integrantes da ONU.

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“A inflação mundial sobre os alimentos é uma coisa que deve preocupar a todos os países no mundo com a economia globalizada…”, afirmou Cristina, em entrevista recente.

Antes mesmo da guerra na Ucrânia, a oferta global de fertilizantes, especialmente potássio, já estava ameaçada, uma vez que os Estados Unidos tinham sancionado Belarus, grande produtor dessa matéria-prima.

Agora, a situação se agravou, visto que a Rússia é grande produtora. O Brasil importa cerca de 85% do fertilizante que consome e tem nos russos os principais fornecedores, com mais de 9 milhões de toneladas em 2021, ou 22% do total comprado no exterior pelo país.

Nesta quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que, se o Ocidente criar problemas para a Rússia, haverá inevitáveis consequências negativas para os mercados globais de alimentos.

Putin disse ainda que a Rússia tem acordos sobre fertilizantes com países amigos, mas não detalhou.

O presidente Jair Bolsonaro esteve na Rússia antes da guerra, em reunião com Putin, para tratar de fertilizantes, entre outros temas.

O brasileiro depois defendeu uma posição de neutralidade em relação ao conflito, embora o Brasil tenha votado pela condenação da invasão da Ucrânia em assembleia da ONU.

VIAGEM AO CANADÁ

A conversa na FAO é mais uma iniciativa internacional da ministra brasileira para tentar garantir a oferta de fertilizantes.

No início da próxima semana ela estará no Canadá, lar da maior produtora global de potássio, a Nutrien, juntamente com o setor privado visando facilitar negócios do produto com o Brasil.

Antes da guerra, a ministra esteve na Rússia em uma viagem semelhante.

Paralelamente, o governo brasileiro deve anunciar na sexta-feira um Plano Nacional de Fertilizantes, visando estimular a produção local e reduzir a dependência do produto importado.

 

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