Plano Nacional de Fertilizantes pode sair nas próximas semanas

O tema ganhou destaque depois de a Rússia -- maior fornecedor para o Brasil -- iniciar ataques contra a Ucrânia.

Reuters
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Roberto Samora/Reuters
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Com o Plano, o setor de fertilizantes vê a possibilidade de aumento da produção local

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A promessa do governo brasileiro de lançar ainda neste mês um aguardado Plano Nacional de Fertilizantes renovou esperanças do setor, que vê possibilidade de aumento de produção local, cujo desenvolvimento tem sido afetado por ambiente pouco atrativo para investimentos apesar da forte demanda nacional por adubos, segundo associações ouvidas pela Reuters.

O governo já vinha elaborando medidas para reduzir a grande dependência externa de fertilizantes, mas o tema ganhou destaque depois de a Rússia — maior fornecedor para o Brasil — iniciar ataques contra a Ucrânia e levantar temores de desabastecimento.

O Brasil importa cerca de 85% do seu consumo de fertilizantes, incluindo potássio, que enfrenta um “gargalo” maior em função do conflito e de sanções ocidentais que já estavam em curso contra Belarus, outro importante produtor. No caso dos potássicos, as compras externas do país somam 96% do consumo.

“Espero que o plano nacional impulsione o setor. É algo necessário. O governo está consciente disso. Ele já trata desse assunto há muito tempo”, disse diretor de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Julio Nery.

O diretor destacou esperar que o plano ataque gargalos ligados a mapeamento geológico, financiamento de pequenas e médias mineradoras, eficiência de licenciamento ambiental de jazidas, questões tributárias e desenvolvimento de tecnologias.

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O Brasil tem hoje a única mina subterrânea convencional de potássio do Hemisfério Sul, no Complexo Mineroquímico Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete (SE), que conta também com uma planta de beneficiamento, segundo dados da proprietária Mosaic Fertilizantes. A capacidade do empreendimento é de 400 mil toneladas de cloreto de potássio por ano.

Mas a ausência de outros empreendimentos no país não é por falta de potencial geológico, disse Nery à Reuters.

Ele ressaltou que há grandes expectativas com o projeto conhecido em Autazes, na Amazônia, que enfrenta dificuldades para a obtenção de licença ambiental, além de outros diversos depósitos com bons indícios, mas que ainda demandam pesquisa mineral.

O projeto citado por Nery, da Potássio do Brasil, poderia produzir 2,4 milhões de toneladas da matéria-prima de fertilizante anualmente, mas enfrenta questões ambientais e dificuldades judiciais por estar perto de terras indígenas.

Outras iniciativas também já estão em curso no Brasil, apesar do setor ver a necessidade de mudanças no ambiente regulatório para que haja mais investimentos.

Alguns projetos, contudo, ganharam impulso adicional da demanda diante do conflito no Leste Europeu e da alta nos preços.

A Verde Agritech anunciou na véspera a aceleração de seus planos de investimentos em Minas Gerais, podendo alcançar capacidade de produção de 3 milhões de toneladas de potássio neste ano, contra 400 mil toneladas previstas para 2021.

A fonte para a produção do adubo da Verde Agritech é o siltito glauconítico, rocha de cor esverdeada que, embora utilizada há 200 anos nos EUA, é uma novidade no Brasil.

Diversificação de supridores

Além da necessidade de estimular a produção nacional, o setor de fertilizantes defende ainda uma busca por ampliar a base de fornecedores externos e reduzir a exposição do país a poucos países produtores, disse o diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella.

Segundo dados da Anda, dos cerca de 10 milhões a 11 milhões de toneladas de importação de potássio inicialmente estimada para 2022, metade deveria vir da Rússia e de Belarus. No momento, a guerra e sanções a Belarus restringem os embarques.

“O custo de produção atual (de fertilizantes no Brasil) não dá boa rentabilidade, ainda é mais barato buscar do outro lado do mundo”, disse Tortorella, apontando expectativas com o iminente plano do governo para mudar esse cenário.

Segundo ele, o Brasil não será autossuficiente em fertilizantes e o plano governamental precisa também entregar estratégias que abram novos canais, mercados e parceiros comerciais, juntamente com aprimoramentos em logística.

Tortorella pontuou que as entregas de fertilizantes no país têm crescido nos últimos anos, juntamente com as safras agrícolas, mesmo com a alta de preços dos produtos, diante de uma forte demanda também em outros países como Índia e EUA.

Nesta semana, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que o plano governamental para fertilizantes deverá ser lançado possivelmente entre os dias 20 e 29.

Ela comentou que o programa buscará minimizar gargalos de legislação, tributários e principalmente os relacionados questões ambientais, para o desenvolvimento nacional do setor.

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