Para Viviane Mansi, da Toyota, apenas com a casa arrumada é possível ajudar a sociedade e o planeta

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Viviane está à frente da presidência da Fundação Toyota do Brasil e da diretoria de comunicação e sustentabilidade da montadora

À frente da presidência da Fundação Toyota do Brasil, entidade de esforços socioambientais, e da diretoria de comunicação e sustentabilidade da montadora na América Latina e Caribe, Viviane Mansi acredita que sua principal função nessas posições começa em casa, bem longe das dependências da companhia. “Meu comportamento precisa ser consistente na vida pessoal para que eu leve isso para a empresa”, explica. “Eu tenho uma composteira em casa, sou extremamente criteriosa em relação ao consumo e, se só tiver garrafa de plástico para tomar água em algum lugar, morro de sede”, diz.

Bem-humorada, Viviane, que está à frente de cerca de 40 territórios latinoamericanos e caribenhos, ressalta que seu comportamento pode parecer exagero – mas não é. Na realidade, é tudo questão de entender qual o papel que cada pessoa tem na sustentabilidade do planeta. Para a executiva, sem a preocupação com o tema na vida pessoal, ela jamais conseguiria levar o assunto com tanta propriedade para a Toyota. “Quando uma empresa tem ações apenas na sociedade, mas não dentro de suas dependências, chamamos de greenwashing. Eu levo isso para meu cargo como diretora também. Preciso dar o exemplo, caso contrário é tudo da boca para fora”, destaca.

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Embora a executiva esteja na montadora japonesa há apenas três anos, ela já tem grande bagagem em sustentabilidade empresarial. Melhor do que isso, Viviane possui conhecimento em diversos setores, já que atuou em gigantes como Takeda e GE (General Electric) em sua trajetória. “Eu tenho uma visão variada de mercado, então é difícil alguém falar para mim que algo não vai dar certo, sendo que eu já vi aquilo sendo colocado em prática em outros lugares.”

Como se não bastasse, Viviane, desde os tempos de graduação, investiu também no lado acadêmico. Como professora da pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero e da FDC (Fundação Dom Cabral) há mais de uma década, ela sabe bem como tirar projetos do papel e colocá-los em prática. Mas, claro, todo esse conhecimento não surgiu do dia para a noite.

“Eu comecei a trabalhar cedo, aos 14 anos, em comércios do bairro. Minha família toda tinha formações mais tradicionais, como engenheiros, médicos e advogados, mas, no meio do caminho, eu descobri o que era relações públicas. Foi amor à primeira vista”, relembra. Aos 20 anos, Viviane já estava formada pela Faculdade Cásper Líbero e trabalhava com comunicação na farmacêutica alemã Merck, onde ficou durante quase 15 anos.

Ao mesmo tempo em que construía seu nome no setor privado, investia no lado acadêmico e empreendedor. “Talvez eu tenha passado muito mais tempo dentro de uma sala de aula do que a média das pessoas. Publiquei muitos artigos e cerca de 18 livros.” Ao mesmo tempo, comandava uma empresa de bijuterias. “Eu que fazia e vendia”, conta a executiva. Sua vida era dividida, do ponto de vista profissional, em três pilares. No entanto, a vida pessoal também acontecia em paralelo. Quando engravidou de seu primeiro filho, decidiu desacelerar um pouco. “Também fiquei com medo de ele comer as pecinhas das minhas bijus, então parei de fazer”, diz entre risadas.

Foi nessa época que a executiva decidiu mudar de empresa, passando pela Takeda, pela GE e pela Votorantim Cimentos antes de seu caminho cruzar, em 2018, com o da Toyota. “Foi um momento legal da carreira. Desde a minha primeira experiência, em 1998, cuidei da demanda de sustentabilidade, então, nessa passagem por diferentes empresas, eu aprendi muito.” No setor farmacêutico, o desafio era fazer os remédios chegarem à população como um todo. “Também participei fortemente da inclusão de vacina contra HPV para meninas no Brasil. Foi uma sustentabilidade mais social.”

Já na Votorantim, por ser uma indústria focada em concreto e cimento, o foco era o impacto ambiental. E, na GE, a executiva mergulhou ainda mais na sigla ESG. “Lá, eu tive a oportunidade de participar de discussões da ONU (Organização das Nações Unidas). Muito de perto, assisti à definição das 17 metas de desenvolvimento sustentável”, revela. Na Toyota, a primeira indústria automotiva no currículo, esse trunfo foi essencial.

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COMUNICAR FAZ PARTE

“Para a Toyota, a discussão está no DNA da empresa”, diz Viviane. Ainda em 2015, anos antes da gestão da executiva, a empresa já dava início aos seus primeiros programas de neutralização de carbono. “Eu cheguei quando o Corolla Híbrido Flex estava sendo lançado, então o avanço ESG já estava ativo.” Em pouco tempo, ela percebeu qual seria o seu papel como diretora: comunicar. “Tínhamos muitos projetos legais, mas sobre os quais ninguém falava. Eles diziam que não precisava exaltar essas questões porque era nossa obrigação”, relembra.

A primeira função de Viviane foi convencer que comunicar fazia parte do processo – uma parte importante, inclusive. “Não estamos em posição de nos manter em silêncio sobre esse assunto. Precisamos nos comunicar para incentivar outras empresas e até o nosso consumidor. Não podemos contar mais do que fazemos, claro, isso é antiético. Mas precisamos ser transparentes”, explica. A partir dessa percepção, a executiva começou a trabalhar para que o assunto fosse tema de muitas conversas pelos corredores da empresa – e fora dela também.

Como uma boa graduanda em comunicação, a iniciativa deu certo. “Hoje, temos um projeto de economia circular com materiais dos nossos carros. O forro do Corolla Sedan, por exemplo, é completamente reutilizado. Esse uso eficiente dos recursos foi uma ideia que veio de dentro da empresa”, conta orgulhosa. “Estamos comunicando, então os funcionários estão cada vez mais comprometidos com o assunto, pensando em soluções.” Com mais cabeças refletindo sobre o tema, a Toyota está mais cheia de planos do que nunca. Um deles é o Projeto Retornar.

Também com foco em economia circular e reaproveitamento de materiais, a iniciativa utiliza subprodutos da produção, como pedaços de cintos de segurança, para criar itens comerciais, como bolsas e carteiras. “Mandamos tudo para um grupo de costureiras e designers e, a partir desse trabalho, as pessoas podem comprar o que antes viraria resíduo no meio-ambiente.” Com venda em plataforma online, o lucro fica inteiramente nas mãos das cooperativas de costureiras. O papel da Toyota, nesse caso, é investir na implementação e funcionamento do programa. “Fazemos isso para que as pessoas repensem o consumo.”

Foi com essa visão, inclusive, que em 2020 a Toyota lançou sua empresa de mobilidade no Brasil, a Kinto. “Às vezes, as pessoas não querem ter um carro, mas sim usar um carro por alguns dias. Essa é uma tendência de mercado que nós já entendemos e estamos explorando”, destaca. Para ela, esse olhar para o comportamento do consumidor é essencial. Em um setor tão acelerado como o ESG, não há como trabalhar apenas uma meta ou objetivo final. Assim como a população, a empresa que se dedica ao assunto precisa conversar sobre várias questões ao mesmo tempo. Da neutralidade do carbono à economia circular.

“Sustentabilidade é um tema abrangente. Eu sempre brinco que, por trás de um nome fantasia, existe uma razão social. Não é só sobre produtos, é sobre como você desenvolve pessoas e deixa um legado, então é possível fazer tudo junto e misturado”, destaca. No entanto, é preciso tomar um cuidado nesse processo: entender o que é realmente possível fazer no momento. “Não podemos gastar energia em metas que não conseguiremos cumprir agora.”

Um exemplo disso é o cenário dos carros elétricos no Brasil. “Nosso país não tem maturidade de matriz energética neste momento. Não temos infraestrutura para carregar carros na tomada. Nossa frota é uma das maiores do mundo e pensar que podemos agir como alguns países da Europa é se enganar”, explica. “Aqui, nossa solução para isso são os carros híbridos flex. São práticos, sustentáveis e dá para fazer agora.” Até o momento, a Toyota já vendeu 17 milhões de carros híbridos em solo nacional. “Nosso compromisso é global, mas as ações da empresa variam de acordo com o país onde estamos atuando.”

Para ela, esse é o ponto da sustentabilidade empresarial: trabalhar com diversidade de assuntos e ter humildade para reconhecer suas capacidades e limitações. No final da história, o que vale é o impacto que cada ação está gerando. Como dica para companhias que não sabem por onde começar, Viviane tem uma dica na ponta da língua. “Apenas com a casa arrumada vamos atrás da sociedade”, conclui.

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