Presidente da Novartis no Brasil diz que 2021 deve ser ano mais desafiador na saúde

Farmacêutica que faturou R$ 4 bilhões no ano passado assinou acordos com laboratórios globais para produzir vacinas contra a Covid-19

Cleber Souza
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Presidente da Novartis no Brasil, Renato Carvalho se diz contente em fazer parte da companhia neste momento de superação

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Para alavancar sua capacidade de fabricação e recursos no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, o Grupo Novartis assinou acordos, em janeiro e março, com a Pfizer-BioNTech e o laboratório alemão CureVac, responsável pela produção da vacina de RNA. A decisão permite que a empresa utilize sua fábrica em Stein, na Suíça, e em Kundl, na Áustria, para a realização de todo processo fabril dos dois imunizantes. 

De acordo com os contratos de fabricação, a Novartis planeja processar o ingrediente ativo da Pfizer contra o vírus e enviá-lo em frascos sob condições assépticas de volta à BioNTech para distribuição aos clientes do sistema de saúde em todo o mundo. O plano da farmacêutica é que a produção seja iniciada a partir do segundo trimestre de 2021 – entre abril e junho. O embarque inicial do produto finalizado está previsto para o terceiro trimestre. 

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A vacina Pfizer-BioNTech foi autorizada para uso pelas autoridades de saúde em cerca de 50 países, incluindo a Suíça e os estados membros da União Europeia, e recebeu autorização para uso emergencial no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá, bem como em Hong Kong. 

No mês passado, a Pfizer e a BioNTech obtiveram o registro definitivo de seu imunizante contra Covid-19 no Brasil, concedido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ela foi a primeira a receber esse tipo de certificado da Anvisa no país. Na última segunda-feira (15), o Ministério da Saúde confirmou a compra de 100 milhões de doses do imunizante da Pfizer. A entrega do primeiro lote de 1 milhão de unidades está prevista para abril. A totalidade das doses deve ser entregue até setembro deste ano.

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Com previsão de início da produção também no segundo trimestre, a Novartis pretende produzir 50 milhões de doses da vacina da CureVac até o final do ano e cerca de 200 milhões de unidades em 2022.   

Em entrevista exclusiva à Forbes, Renato Carvalho, presidente da Novartis no Brasil, revelou que 2020 foi um ano de aprendizado e superação para a empresa. Para ele, a tendência é que 2021 seja um ainda mais desafiador para o setor de saúde. “Quando a gente olha pra trás, com um ano de pandemia, percebemos que agora estamos lidando melhor com o tema [Covid-19]. Encontramos formas de bater nossas metas, mas também, como companhia de saúde, entregar e atender melhor os nossos clientes e pacientes.”

Carvalho entende que as parcerias com os laboratórios globais mostram que a empresa está colocando em prática os seus princípios e valores. “Nesses acordos, nós vamos poder compartilhar nossos profissionais de saúde, nossos espaços, estudos e pesquisas em prol da vacina contra o vírus. Podemos acelerar esse processo de vacinação com essas parcerias.”

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O presidente da farmacêutica também explica como surgem parcerias em momentos de crise. “Sempre há uma conversa e uma integração rápida e natural entre lideranças globais e companhias de saúde para entendermos como podemos ajudar neste momento. Isso é importante, pois o que estamos vivendo é gravíssimo. Já passamos por ditadura e impeachments, sabemos operar no país durante crises.”

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Parceria permite a utilização da fábrica da Novartis em Stein, na Suíça, para a fabricação de vacinas

Dois dígitos a mais

Embora 2020 tenha sido um ano desafiador, a Novartis faturou cerca de R$ 4 bilhões no Brasil e atingiu a marca de 9 milhões de pacientes atendidos pelo grupo em todo o mundo, resultado obtido através de clientes, como farmácias, laboratórios, hospitais e planos de saúde. Para o presidente da companhia, o mais importante é falar de pacientes e não cifras. Em 4 anos, o grupo investiu cerca de R$ 1 bilhão em ciência, inovação e pesquisa.

“Crescemos dois dígitos. Não paramos. Quando você tem algo incerto, a paralisia não é opção. A verdade é que em situações complexas o ideal é que grandes empresas tomem a frente de algumas medidas. A crise é longa e ainda vamos enfrentar um período difícil e de insegurança, mas o aprendizado é maior e mais confortável, no ponto de vista de conhecimento”, afirma Carvalho

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