
Comer bem e de forma saudável não precisa significar pagar caro. A ideia é a premissa de uma startup brasileira de alimentos congelados, com uma proposta ousada: unir praticidade e sabor a uma alimentação nutricionalmente correta e com preço acessível.
Fundada por um trio de sócios na casa dos 20 anos, a paulistana Liv Up começou a operar no início deste ano com 60 opções de pratos, dos mais variados: de lombo de pirarucu grelhado com arroz negro e creme de abóbora a iscas de file mignon com purê de mandioquinha e couve refogada.
Todos os alimentos estão disponíveis no site da empresa, com opções de compra dos alimentos separadamente ou harmonizados em um único prato. O preço médio das refeições, com três ingredientes, é de R$ 22.
“A preferência é sempre por produtos orgânicos”, afirma Felipe Castellani, 23 anos. Com 18 fornecedores ativos, cerca de 85% dos alimentos entram nesta categoria. Devido à sazonalidade dos alimentos e a questões climáticas que afetam a produção, não é possível atingir a totalidade. Mas os sócios dizem garantir que todos os produtos são naturais, sem conservantes ou aditivos. “Molho de tomate, por exemplo, fazemos o nosso. Não é algo simples, traz muito mais complexidade à cadeia, mas faz toda a diferença.”

A startup surgiu de uma necessidade de empreender por parte dos sócios aliada a uma visão de oportunidade. Formados em engenharia de produção na USP, Victor Santos e Henrique Castellani, ambos com 27 anos, trabalhavam no mercado financeiro quando, no final de 2014, o primeiro notou que havia engordado 10 kg. “Procurei por opções de comida prática e saudável e não achei”, conta. “Chamei o Henrique e falei: ‘Dá uma olhada nessa área’. Não havia nada nos moldes que queríamos”, conta Victor.
Inicialmente, a ideia era fornecer comida fresca e saudável na casa das pessoas. A logística, no entanto, seria mais cara e difícil, além de atrapalhar uma possível expansão. “Nós teríamos de ter uma loja em cada cidade”, explica Henrique.
Depois de visitar cozinhas industriais e feiras da área, a dupla descobriu a técnica de ultracongelamento, desenvolvida na Itália. “A máquina congela em microcristais, que não estouram fibras e mantêm as características nutricionais do produto”, explica. Eles, então, deixaram seus empregos no meio de 2015 e chamaram Felipe, irmão mais novo de Henrique, para ajudar na operação. Juntos, os três fizeram um investimento inicial de R$ 200 mil para montar o modelo de negócio, criar um site e formar um cardápio.
Em janeiro deste ano, o trio começou a fazer testes com amigos e conhecidos e procurou por novas formas de capitalização. Doze investidores-anjo se interessaram pelo modelo e, até o início de fevereiro, a startup já levantou mais R$ 700 mil.
Hoje com 10 funcionários, entre eles uma chef e uma nutricionista, a startup tenta otimizar cada vez mais o processo de produção. A matéria-prima chega dos fornecedores, e a comida é preparada e ultracongelada. O cliente faz o pedido pelo site e as entregas são feitas por agendamento nos períodos da tarde e da noite, com taxa de R$ 7,90 para uma demanda inferior a R$ 200. “O nosso foco não é exatamente de compras pontuais, mas pedidos maiores, para o mês”, explica Victor. A validade de todos os produtos é de seis meses.
Atualmente, a Liv Up atende sete cidades da Grande São Paulo. O perfil do público é variado: de clientes com foco fitness a solteiros entre 25 e 35 anos em busca de praticidade. Há até mesmo casais de 60 anos cujos filhos já saíram de casa e que desejam diminuir o ritmo na cozinha.
Com capacidade de produção de até 1.000 refeições por dia, a startup busca girar 100% de seus produtos quinzenalmente. “Estamos no começo, há dias em que as vendas chegam a 200 refeições, enquanto em outros esse número é mais baixo”, conta Henrique.
Trabalho é o que não falta. “Hoje trabalhamos mais do que na época em que estávamos no mercado financeiro. Empreender significa fazer as coisas com mais intensidade”, afirma Victor. “Você tem um grande sonho e, a cada dia, tem de dar um jeito de chegar mais perto dele. Só depende de você.”
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