A COP30 em Belém reforçou seu objetivo central de ser a COP da Implementação. O Evento de Alto Nível da Agenda de Ação reuniu a Presidência, o Secretário Executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, também conhecida como UNFCCC (na sigla em inglês), e Campeões de Alto Nível (indivíduos que atuam como ponte entre governos e a sociedade civil para impulsionar ações climáticas) para celebrar o avanço acelerado de 117 Planos de Aceleração de Soluções. A iniciativa unifica coalizões anteriores em uma única estrutura, priorizando transparência e resultados concretos.
“O Mutirão simboliza o espírito desta COP, um esforço coletivo que espero que marque os próximos cinco anos da ação climática global,” afirmou Dan Ioschpe, Campeão de Alto Nível do Clima da COP30.
O encontro destacou que, graças à ação coletiva, o mundo reduziu a projeção de aquecimento de 4°C para cerca de 2,6°C. No entanto, a mensagem é que o mundo segue fora do rumo, e a aceleração da implementação é essencial. A CEO da COP30, Ana Toni, ressaltou que a implementação exige uma “coalizão dos dispostos” que envolva todo o setor privado e governos subnacionais.
Resultados mensuráveis e o foco no financiamento
A nova Agenda de Ação demonstrou que a implementação acelerou, com seis vezes mais iniciativas apresentando resultados mensuráveis em comparação com a COP anterior. O sucesso reside na integração de governos nacionais e atores não estatais.
A promessa de US$ 1,7 bilhão (R$ 9,1 bilhões na cotação atual) feita na COP26 para apoio a Povos Indígenas e Comunidades Locais (IPLCs) foi cumprida antecipadamente, com doadores renovando o apoio com US$ 1,5 (R$ 8 bilhões) a US$ 2 bilhões (R$ 10,7 bilhões) adicionais até 2030. Pelo menos 20% do financiamento para florestas tropicais deve chegar diretamente a esses povos.
A iniciativa Fomentando o Planejamento e a Implementação Nacional Investível (FINI, na sigla em inglês) para Adaptação e Resiliência pretende mobilizar US$ 1 trilhão (R$ 5,3 trilhões) em projetos de adaptação nos próximos três anos, com 20% financiados pelo setor privado. A iniciativa foi lançada nesta COP e visa transformar os Planos Nacionais de Adaptação em projetos investíveis e prontos para financiamento, que atraiam financiamento público e privado em larga escala.
A transformação estrutural de setores-chave
A Agenda de Ação está orientada por seis eixos temáticos que removem barreiras e permitem que as soluções escalem em diferentes setores.
Em energia e indústria, a COP30 consolidou a expansão de redes elétricas, alinhando um plano de investimento de US$ 1 trilhão (R$ 5,3 trilhões) para triplicar a capacidade renovável até 2030. A iniciativa inclui financiamento para interconexões regionais, como o plano de US$ 12,5 bilhões (R$ 66,6 bilhões) para a iniciativa regional que visa interconectar as redes elétricas dos países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a ASEAN Power Grid.
Em agricultura e sistemas alimentares, a Agenda de Ação na Agropecuária Regenerativa (AARL, na sigla em inglês) viu os investimentos quadruplicarem desde 2023, superando US$ 9 bilhões (R$ 48 bilhões) até 2030. O plano RAIZ avança mecanismos de financiamento público-privado para a restauração de 50 milhões de hectares no Cerrado brasileiro, com retorno estimado de 19% para agricultores. A meta global é restaurar 1 bilhão de hectares.
Já o Plano de Ação de Saúde de Belém, de US$ 300 milhões (R$ 1,6 bilhão) fortalece a resiliência dos sistemas de saúde contra riscos como calor extremo.
A mensagem de Simon Stiell, Secretário Executivo da UNFCCC, é de responsabilidade compartilhada: “A responsabilidade agora é de todos nós, Partes e não Partes, setores público e privado, implementadores nacionais e subnacionais, para entregar resultados rápidos, justos e em escala.”