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Petróleo Fecha em Mínima de 3 Meses após Trump Anunciar Acordo com Irã

Dólar fecha perto da estabilidade ante real; Ibovespa fecha em queda pressionado por Petrobras

8 min

Os preços do petróleo fecharam com queda de US$4 por barril, atingindo o menor nível em três meses nesta segunda-feira (15), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país e o Irã assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.

Os futuros do petróleo Brent fecharam em queda de US$ 4,16, ou 4,76%, a US$ 83,17 por barril, e os do West Texas Intermediate dos EUA fecharam a US$ 80,75, com queda de US$4,13, ou 4,87%.

Ambos os contratos perderam grande parte do prêmio de risco de guerra que haviam acumulado nos últimos meses, com os futuros do Brent e do petróleo dos EUA fechando nos níveis mais baixos desde 4 de março.

O memorando de entendimento foi assinado por Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, informou uma autoridade norte-americana.

A cerimônia oficial de assinatura do acordo está marcada para sexta-feira, em Genebra.

A agência de notícias semioficial iraniana Mehr informou que o rascunho do acordo previa a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, sob os termos estabelecidos pelo Irã.

“Com uma avalanche de oferta de petróleo muito provavelmente a caminho, a onda de vendas parece justificada”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da Bok Financial.

O Citi reduziu na segunda-feira suas previsões médias para o petróleo Brent para US$75 e US$70 por barril para o terceiro e quarto trimestres de 2026, respectivamente, citando expectativas de que os fluxos comerciais no Estreito de Ormuz serão retomados e normalizados.

O mundo perdeu milhões de barris de petróleo e gás desde que a guerra fechou o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para um quinto dos suprimentos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, por mais de três meses. Não está claro com que rapidez esses barris retornarão ao mercado assim que a hidrovia for reaberta.

“Será difícil colocar a cadeia de abastecimento de navios em funcionamento e fazer com que as operações sejam retomadas sem problemas no Golfo Árabe. E alguns armadores hesitarão em navegar em direção ao Golfo Árabe até que tenhamos notícias das seguradoras”, disse Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities.

Os investidores também observam com cautela a rapidez com que os produtores do Oriente Médio poderão retomar a produção e as exportações de petróleo após os danos causados pela guerra, e se mais navios entrarão na região.

Mais de 14 milhões de barris por dia de produção de petróleo estão paralisados, ou cerca de 14% da demanda mundial, de acordo com o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia. O retorno total aos níveis de produção e refino pré-guerra provavelmente levará semanas, meses ou até anos, afirmam autoridades do setor.

Níveis mais baixos de estoques de petróleo, um processo mais lento para reiniciar a produção e a reposição dos estoques estratégicos de petróleo devem sustentar os preços do petróleo no longo prazo, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo.

Os estoques nas maiores economias do mundo estão caminhando para seus níveis mais baixos desde pelo menos 2003, reduzidos a um ritmo recorde devido à perda da produção no Golfo, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA.

Ibovespa

Após operar em alta durante boa parte do pregão, o Ibovespa devolveu os ganhos e fechou em queda, pressionado pelo forte recuo da Petrobras devido à queda do petróleo no exterior motivada pelo anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,42%, a 170.415,13 pontos, após ter alcançado 170.351,05 pontos na mínima e 174.228,27 pontos na máxima do dia.

O volume financeiro somou R$ 29,19 bilhões.

A repercussão do anúncio dos Estados Unidos e Irã, que assinaram um memorando de entendimento para pôr fim a uma guerra que já dura quase quatro meses foi bem recebida pelos mercados globais, impulsionando os ganhos das bolsas.

O Ibovespa, que em um primeiro momento acompanhou os ganhos dos mercados acionários do exterior, passou a devolver os ganhos durante a tarde, em meio à queda dos papéis da Petrobras e demais petrolíferas do índice.

Localmente, a pesquisa Focus divulgada pela manhã foi destaque, mostrando que as expectativas para a taxa básica de juros em 2026 e 2027 subiram pela segunda vez seguida.

“Muita gente acreditou que seria uma grande tendência de alta hoje entra em conflito com a realidade do Brasil, com o boletim Focus projetando mais inflação por aqui e reduzindo espaço pra corte de juros até o final do ano”, disse Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

A expectativa do mercado para a Selic agora é de 13,75% ao final de 2026 e de 12,00% em 2027, de 13,50% e 11,50% respectivamente na semana anterior. A pesquisa também trouxe elevações também para as projeções de inflação. Os analistas consultados veem agora altas de 5,30% e de 4,10% do IPCA em 2026 e 2027, de 5,11% e 4,03% antes. Para 2028 a conta aumentou em 0,03 ponto percentual, a 3,68%.

“Agora, as atenções se voltam para a Super Quarta. Com Fed e Copom decidindo juros nos próximos dias, o mercado tentará entender se o alívio provocado pelo acordo entre EUA e Irã será suficiente para reduzir os riscos inflacionários e abrir espaço para uma postura menos agressiva dos bancos centrais”, disse Marcos Praça, diretor de Análises da Zero Markets Brasil.

Destaques

• PETROBRAS PN caiu 5,3%e PETROBRAS ON perdeu 5,3%, na esteira do declínio dos preços do petróleo. No setor, PRIO ON recuou 6,91%, PETRORECONCAVO ON cedeu 6,5% e BRAVA ON teve baixa de 4%.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,49%, revertendo ganhos vistos mais cedo no setor. BRADESCO PN recuou 0,84%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 0,36% e SANTANDER BRASIL UNIT teve queda de 0,15%, enquanto BTG PACTUAL UNIT ganhou 0,97%.

• VALE ON avançou 2,51%, endossada pela alta do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian subiu 0,72%. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON valorizou 0,66% e CSN MINERAÇÃO ON subiu 2,09%, enquanto USIMINAS PNA teve queda de 0,46% e GERDAU PN caiu 2,18%.

• ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, caiu 1,64%, tendo no radar decisão da administração de convocar assembleias gerais de debenturistas (AGDs) da 9ª emissão e da 11ª emissão de debêntures simples para 6 de julho para decidir sobre os termos e condições da reestruturação da dívida da companhia, incluindo um eventual plano de recuperação extrajudicial.

Dólar

Após recuar durante a manhã em meio às notícias sobre o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, o dólar se recuperou ante o real e terminou o dia próximo da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha se mantido em baixa ante a maior parte das demais divisas.

O dólar à vista fechou o dia com variação positiva de 0,11%, aos R$5,0666. No ano, a divisa passou a acumular queda de 7,70% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,02% na B3, aos R$5,0855.

No início da tarde, porém, a moeda norte-americana já havia zerado as perdas ante o real, em paralelo à virada do Ibovespa para o território negativo, em uma aparente mudança de humor no Brasil.

“O câmbio está acompanhando a bolsa nessa virada”, comentou à tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “O petróleo está desabando de forma consistente… Esse tombo de 5% no Brent derrubou como de costume a Petrobras, que puxa o índice (Ibovespa) inteiro”, acrescentou.

Profissionais do mercado costumam lembrar que as ações da Petrobras são bastante negociadas pelos investidores estrangeiros. Assim, quando há um movimento consistente de venda dos papéis da petrolífera, é de se esperar que isso também sensibilize o câmbio, dando força ao dólar.

Às 16h13, já na reta final da sessão, o dólar à vista marcou a máxima de R$5,0747 (+0,27%), para depois se reaproximar da estabilidade.

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