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Ibovespa Sobe Pelo Nono Pregão Seguido, Mas Fecha Agosto no Vermelho; Dólar Cai

Petrobras liderou os ganhos com o petróleo acima de US$ 90, enquanto pesquisas eleitorais influenciaram os negócios no câmbio

5 min

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (31), pelo nono pregão consecutivo, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras. O avanço, porém, não foi suficiente para evitar a queda acumulada em agosto.

Principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa subiu 1%, aos 177.418,78 pontos. Durante a sessão, oscilou entre 175.664,62 e 178.585,94 pontos. O volume financeiro alcançou R$ 30,64 bilhões, também influenciado pelos ajustes relacionados ao rebalanceamento dos índices MSCI.

No mês, o indicador recuou 0,33%. Em seu pior momento de agosto, chegou a operar abaixo dos 165 mil pontos.

A sequência recente de altas coincidiu com uma desaceleração na saída de recursos estrangeiros da B3. Até o dia 27, o saldo do capital externo estava negativo em quase R$ 18,5 bilhões, ante R$ 23,2 bilhões no dia 20.

“O fluxo de investidores estrangeiros deve seguir como principal balizador do apetite por risco no curto prazo”, afirmaram analistas do BB Investimentos em nota a clientes. Segundo eles, a volatilidade relacionada à corrida eleitoral tende a ampliar a diferença de desempenho entre os ativos nas próximas semanas.

Duas pesquisas divulgadas nesta segunda mostraram uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O levantamento AtlasIntel/Bloomberg apontou Lula com 47,1% das intenções de voto em um eventual segundo turno, ante 42,6% de Flávio Bolsonaro. Em julho, os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, respectivamente. A margem de erro é de um ponto percentual.

Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% e Flávio com 45%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois aparecem tecnicamente empatados.

No mercado de câmbio, a leitura de uma disputa mais equilibrada contribuiu para a queda do dólar. Parte dos investidores considera que uma eventual reeleição de Lula aumentaria os riscos para o equilíbrio das contas públicas.

A moeda norte-americana encerrou a sessão em baixa de 0,28%, cotada a R$ 5,1814. No ano, acumula desvalorização de 5,60%. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,1611.

Os negócios também foram marcados pela formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros. A cotação foi fixada em R$ 5,1816 para venda e R$ 5,1810 para compra.

No exterior, o dólar recuava diante de uma cesta de seis moedas, enquanto as bolsas norte-americanas operavam em queda e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançavam.

Petróleo impulsiona Petrobras

As ações da Petrobras estiveram entre os principais suportes do Ibovespa. Os papéis preferenciais avançaram 3,38%, enquanto os ordinários subiram 4,23%.

O movimento acompanhou a valorização do petróleo após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã aumentar as preocupações com o abastecimento global. O Brent subiu 2,71%, a US$ 90,49 o barril, depois de alcançar US$ 91,52 durante o pregão. Já o WTI avançou 2,83%, a US$ 85,76.

O mercado monitora principalmente a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava um quinto da oferta mundial de petróleo antes do início da guerra. Dados de transporte marítimo mostraram que apenas cinco embarcações de carga visíveis atravessaram a região por dia durante o fim de semana.

“Alguns barris do Golfo continuam passando pelo estreito, atenuando a alta, mas o primeiro confronto militar direto em um mês forçou os operadores a restabelecer um prêmio de oferta significativo no curto prazo”, escreveram analistas da Gelber & Associates.

Entre os bancos, Banco do Brasil avançou 2,83%, enquanto Itaú Unibanco ganhou 0,84%, Bradesco subiu 0,64% e BTG Pactual teve valorização de 2,11%. Na direção contrária, Santander Brasil caiu 1,5%.

A Vale cedeu 0,93%, acompanhando o desempenho negativo de mineradoras no exterior, apesar da valorização dos contratos futuros de minério de ferro na China.

A Natura encerrou o pregão estável, após saltar 9% nos primeiros negócios. A companhia anunciou a saída do presidente-executivo João Paulo Ferreira, que será substituído por Alessandro Carlucci, até então presidente do conselho de administração. Analistas receberam positivamente a mudança, mas mantiveram uma visão cautelosa sobre as perspectivas da empresa.

A Embraer caiu 1,82% em um movimento de realização de lucros. Mesmo assim, acumulou valorização de 7,60% em agosto.

As construtoras também tiveram uma sessão positiva. MRV&Co avançou 6,17% e Cyrela subiu 5,52%, apesar da desistência da TRX de prosseguir com uma possível compra de ativos imobiliários da companhia e de suas controladas, avaliados em mais de R$ 2 bilhões.

Fora do Ibovespa, as ações da Casas Bahia dispararam 65%, a R$ 0,66. A alta ocorreu após a Justiça antecipar os efeitos do stay period, suspendendo cobranças e execuções de dívidas contra o grupo antes da decisão sobre o processamento formal de sua recuperação judicial.

A B3 também divulgou a terceira e última prévia da nova composição do Ibovespa, que entra em vigor em 8 de setembro. A carteira mantém a entrada da Tenda e prevê as saídas de PetroReconcavo e SLC Agrícola.

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