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Ibovespa Fecha em Alta com Impulso de Petrobras e PIB

A primeira sessão de setembro também incluiu dados sobre o PIB do Brasil no segundo trimestre

8 min

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (01), ultrapassando os 181 mil pontos na máxima pela primeira vez em quase quatro meses, endossado por blue chips, notadamente Petrobras, em meio a novo avanço do petróleo no exterior.

A primeira sessão de setembro também incluiu dados sobre o PIB do Brasil no segundo trimestre, que confirmaram a desaceleração da atividade econômica e alimentaram expectativas de novos cortes na taxa Selic.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou em alta de 1,3%, a 179.722,48 pontos. Na máxima do dia, chegou a 181.060,89 pontos. Na mínima, marcou 177.299,50 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$31 bilhões.

“Petrobras que mais uma vez impulsionou a alta do índice, em meio ao avanço do petróleo”, afirmou o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz.

O barril do petróleo sob o contrato Brent fechou com alta de 4,6%, a US$94,65, com a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã renovando preocupações sobre a oferta da commodity.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou com declínio de 0,71%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano marcava 4,794% no final da tarde, de 4,758% na véspera.

Na visão do analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, o desempenho da Petrobras ajudou a explicar uma parcela importante da alta da bolsa, mas o resultado do PIB no segundo trimestre também teve uma contribuição secundária para o pregão.

De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre ante os três meses anteriores em dados com ajuste sazonal, após alta de 1,1% no primeiro trimestre, com retração do consumo das famílias e perda de dinamismo da indústria.

“O resultado afastou o risco de uma desaceleração mais brusca no curto prazo. Ainda assim, a economia perdeu força em relação ao…primeiro trimestre”, disse Villela, destacando que os dados confirmaram a perda de fôlego da demanda doméstica. “Manteve a perspectiva de cortes da Selic”, acrescentou.

Dados disponibilizados pela B3 nesta terça-feira mostraram saída de capital externo das ações brasileiras no último dia 28, de R$130 milhões, após cinco sessões seguidas com entrada líquida, que trouxe algum alento após fortes saídas desde o começo de agosto. Até o dia 28, o saldo no mês passado estava negativo em quase R$18,6 bilhões.

Estrategistas da XP afirmaram que o “valuation e o técnico (das ações brasileiras) continuam atrativos”, mas que seguem esperando volatilidade, dado que o mercado está ainda no meio do “trade eleitoral”.

Em relatório com recomendações de ações para setembro, eles reiteraram o valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos para o fim de 2026.

Destaques

  • PETROBRAS PN avançou 4,11% e PETROBRAS ON subiu 4,14%, com o setor como um todo favorecido pela alta do petróleo no mercado internacional. A Petrobras também anunciou que aumentará em 13,9% o preço médio de venda de querosene de aviação (QAV). Ainda no radar, a produção de petróleo do Brasil somou um recorde de 4,5 milhões de barris por dia em julho, segundo a ANP, e o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região derrubou liminar que suspendia a cobrança do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.
  • VALE ON fechou negociada em alta de 0,58%, descolada da fraqueza de ações de mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 0,14%, a 726,50 iuans (US$108,10) por tonelada. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON foi o destaque com salto de 7,89%, em meio a expectativas relacionadas à potencial venda da unidade de cimento da companhia.
  • BANCO DO BRASIL ON subiu 2,27%, acompanhado por BTG PACTUAL UNIT, que avançou 2,3%, ITAÚ UNIBANCO PN, que se valorizou 0,95% e BRADESCO PN, que encerrou com acréscimo de 1,22%. SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,74%. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, também afirmou nesta terça-feira que são esperadas para os próximos meses medidas relevantes para ajudar o sistema financeiro a lidar com endividamento em linhas de crédito de custo mais alto.
  • C&A ON avançou 5,41%, ampliando a recuperação após uma forte correção negativa nas primeiras semanas de agosto, mês no qual o papel acumulou um declínio de quase 12%.
  • FLEURY ON caiu 2,39%, em sessão de ajustes, após fechar na véspera em uma máxima desde fevereiro de 2021. Mesmo com o declínio nesta terça-feira, as ações do grupo acumulam uma valorização de quase 31% em 2026.
  • WEG ON recuou 0,9%, entre as poucas quedas da sessão. A queda vem após a ação acumular alta de mais de 6% em agosto.

Dólar cai para perto dos R$5,15 em dia de alta do petróleo

O dólar fechou em queda no Brasil e novamente próximo dos R$5,15, em mais um dia de alta do petróleo no exterior, em meio ao conflito no Oriente Médio.

O movimento cambial esteve em sintonia com o avanço do Ibovespa e com a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros.

O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,54%, aos R$5,1533. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,12%.

Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,55% na B3, aos R$5,1910.

A divisa norte-americana chegou a sustentar alguns ganhos ante o real no início do dia, após dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre reforçarem a percepção de que o Banco Central caminha para promover novos cortes da Selic, hoje em 14%, no curto prazo. Com uma taxa de juros mais baixa, em tese o Brasil se torna menos atrativo para capital internacional.

Ainda durante a manhã, no entanto, o dólar perdeu força e migrou para o território negativo ante o real, em sintonia com o movimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes e o avanço do petróleo Brent no exterior. Como exportador de petróleo, o Brasil tende a receber mais dólares com o aumento dos preços da commodity.

Por trás da alta do petróleo estava novamente o conflito no Oriente Médio. Após Teerã fazer um apelo para que Washington cumpra o acordo provisório de julho, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o mais recente ataque ao Irã foi “justificado”, ameaçando realizar ações mais intensas se houver retaliação.

Depois de marcar a cotação máxima de R$5,2018 (+0,39%) às 9h11, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1377 (-0,84%) às 14h17, em um momento do dia em que parte das atenções se voltaram para o noticiário interno.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deram conta de supostos pedidos de ajuda dele ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, Vorcaro era alvo de investigações por fraude no Banco Master e tentava evitar a prisão.

Há ainda supostos diálogos que sugerem que Moraes teria revisado previamente contrato a ser assinado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro, segundo a imprensa.

Moraes descartou qualquer impedimento para que o escritório de advocacia liderado pela esposa firmasse um contrato para prestar consultoria jurídica ao Banco Master, disse o escritório de advocacia em nota divulgada nesta terça-feira.

“É difícil neste momento projetar o impacto político e, consequentemente, o impacto no mercado das notícias sobre Moraes”, comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “(Mas isso) vai ser explorado pela campanha do (senador) Flávio Bolsonaro”, opinou.

Flávio (PL-RJ), atualmente o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Planalto, é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no Supremo do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No exterior, o dólar exibia no fim da tarde sinal positivo ante a maior parte das divisas, na esteira do avanço do petróleo. Às 17h26, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,27%, a 99,681.

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