Loggi investe para invadir a América Latina e a Europa

Renato Pizzutto
Renato Pizzutto

Fabien Mendez, fundador da Loggi

Seis anos atrás, o francês Fabien Mendez fugiu de São Paulo para o Rio de Janeiro para lamber as feridas depois de ver sua primeira startup, um aplicativo de caronas, rapidamente nascer e morrer.

“Foi um processo paradoxal”, diz o empreendedor, que se mudou para o Brasil em 2010 para trabalhar na área de investment banking do BNP Paribas. “Dormi no sofá do meu melhor amigo por três dias. Estava no cheque especial, não tinha mais nada para trabalhar e lidava com a questão de ter fracassado”, lembra. “Ao mesmo tempo, recebi propostas muito boas para voltar ao mundo corporativo, mas a perspectiva de aceitar qualquer uma delas me deixava absolutamente infeliz”, lembra Mendez, que, em meio a esse turbilhão emocional, identificou a oportunidade que gerou a startup de entregas Loggi.

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Confiante em sua ideia para resolver o gargalo logístico no Brasil, retornou a São Paulo e levantou os primeiros R$ 2 milhões para a empresa “armado” apenas de um conceito e alguns slides. Logo depois, conheceu o cofundador Arthur Debert, que trouxe a experiência tecnológica e de produto para materializar o negócio.

A Loggi vale hoje US$ 1 bilhão – valuation atingida depois da rodada liderada pelo VisionFund, do SoftBank Group, em junho. Mas o baú azul dos motoboys – já comum na paisagem paulistana – é, para o fundador, apenas a ponta do iceberg. A prioridade da empresa, que faz mais de 100 mil entregas diárias para clientes como Amazon, Mercado Livre e McDonald’s, é espalhar centros de distribuição pelo país. “Temos um aliado invencível: a tecnologia”, diz Mendez. A startup está testando drones e veículos autônomos na operação.

Mendez ressalta outro impacto importante de seu negócio: “Onde um entregador ganhava R$ 4 mil líquidos por mês antes da Loggi? Em lugar nenhum”.

EXPANSÃO EUROPEIA

A Loggi está criando um hub tecnológico em Lisboa para, entre outras coisas, atrair expatriados brasileiros com a expertise que julga necessária. “Para criar um escritório fora do país, precisamos ser capazes de formar 200 engenheiros fortes rapidamente e achar alguém que atue quase como o CEO do escritório remoto”, aponta Mendez.

Até o fim de 2020, a startup pretende atender todos os municípios brasileiros com a expansão de sua rede de centros de distribuição. Quando esse marco for atingido, a ideia é cruzar fronteiras: “A América Latina parece um mercado óbvio, mas também existe muito espaço para disrupção na União Europeia”. A entrada no Velho Continente está prevista para daqui a um ano.

Reportagem publicada na edição 71, lançada em setembro de 2019

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